Notícia

Correio Popular

Renovação da democracia

Publicado em 31 julho 2000

Por Eliézer Rizzo de Oliveira
Eleições honestas e competitivas renovam e fortalecem as democracias, que tanto se alimentam delas. Por razão inversa, as ditaduras as rejeitam: quando vicejam as eleições, as ditaduras desfalecem. Entre nós é obrigatória a condição de eleitor(a) na maior parte dos casos. Também o voto é obrigatório. Em conseqüência, somos obrigados a participar desta renovação de energias, esperanças e legitimidade do regime democrático. Conto em todo processo social, longe estará a perfeição. O reconhecimento deste fato sugere que o eleitor deve escolher criteriosamente quem merecerá seu voto, pois este é a sua arma principal para eleger e fiscalizar. Mesmo não existindo critério definitivo, haverá que votar por alguma referência à virtude política, da qual a representatividade e a honestidade são fatores relevantes, embora se deva exigir mais: competência, convicção democrática, sensibilidade social, preparo, potencial, etc. Cabe ao eleitor votar a partir de sua própria perspectiva na (e da) sociedade e com referência aos valores que professa. Então, escolherá o candidato(a) com quem se identifique em termos de propostas, representatividade, identidade partidária (ideológica e política), contribuição (efetiva ou potencial) para a solução dos problemas de sua cidade e, em alguma medida, renovação da democracia no plano municipal. Tudo isto pode parecer idealista, quando na eleição vigora o realismo de ganhar-ou-perder. No entanto, se não for assim, prevalecerá a lógica do mais rico, do mais influente, do mais poderoso. Contra ventos e tempestades (inclusive da corrupção), a democracia se renova através da reafirmação dos valores democráticos e da representação dos interesses plurais (frequentemente opostos) da sociedade. As campanhas das eleições municipais estão sendo marcadas pela relevância inusitada da segurança pública. Ora, nenhum município poderá contribuir decisivamente para a solução deste problema sem a participação das cidades vizinhas. O mesmo no tocante à educação, habitação, meio ambiente, emprego, etc. Que os eleitores e os candidatos se convençam da necessidade de metropolização dos problemas locais que, tendo um formato específico em cada município, dependem da cooperação entre cidades (poder público, sociedade civil e iniciativa privada) para a sua solução duradoura. Esta dimensão - ao mesmo político-administrativa e social - é impositiva para a região de Campinas. Eliézer Rizzo de Oliveira - Professor-adjunto de Ciência Política, coordenador do Núcleo de Estudos Estratégicos da Unicamp, pesquisador do CNPq-Fapesp e professor-visitante da Unip.