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RenovaBio 2030 é esperança para o setor sucroenergéticovoltar

Publicado em 19 dezembro 2016

O lançamento, esta semana, do RenovaBio 2030 - programa que prevê o avanço do setor de biocombustíveis no país até 2030 – pode ser um primeiro passo na reversão de um quadro de falta de incentivos e políticas públicas que tem penalizado o segmento sucroenergético.

A opinião é do engenheiro de produção e consultor da Dedini Indústrias de Base, José Luiz Olivério, para quem o programa surge como uma espécie de luz no fim do túnel, chega com a urgência necessária a um país que precisa de alternativas de recuperação econômica, e deixou em segundo plano o seu grande trunfo.

Olivério sabe muito bem o que diz. Foi vice-presidente de tecnologia e desenvolvimento do Grupo Dedini e acompanhou o Proálcool desde o seu nascimento, até cada uma das fases vividas pelo programa, boas e muito ruins. Ao ponto de ter sido um dos colaboradores do livro Proálcool 40 anos, lançado em novembro pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

“Os benefícios trazidos por toda a cadeia do setor sucroenergético são tão óbvios, que fica difícil compreender o porquê de o país não ter definido sua capacidade de produzir energia renovável como prioridade”, avalia.

O especialista refere-se ao grande potencial de empregabilidade do setor, com benefícios para toda a cadeia produtiva, que ele classifica de “irradiante e capilar”. O problema, em sua opinião, é que a cadeia foi preterida em detrimento à concentração dos investimentos e a priorização nos combustíveis fósseis, gerando o que ele chama de concorrência desleal e desembocando no quadro atual que forçou a importação da gasolina.

Por isso, Olivério entende que o RenovaBio, lançado pelo Ministério de Minas e Energia com o apoio de entidades do setor sucroenergético, propõe o que o Brasil precisa com urgência. Visa a sustentabilidade ambiental, econômica e financeira, ao definir o papel dos biocombustíveis na matriz energética brasileira, estabelecer regras de comercialização e também o investimento em novos biocombustíveis, como o etanol de segunda geração, o biodiesel HVO (óleo vegetal hidrotratado), o diesel de cana, o biogás/biometano e o bioquerosene.

“O mais interessante é que o programa também está focado em políticas que promovem a segurança e os investimentos no setor. A expectativa é que essas políticas ajudem a alavancar a produção de etanol e de biodiesel e, como consequência, ajudem o Brasil a cumprir as metas que assumiu no Acordo de Paris”, destaca.

METAS –

O etanol é parte fundamental do compromisso brasileiro de enfrentamento das mudanças climáticas, assumido na COP 21 (Conferência do Clima da ONU) e ratificado pelo Congresso Nacional e pela Presidência da República.

A previsão é de que o Brasil deverá produzir 54 bilhões de litros de etanol em 2030. Hoje, o país produz cerca de 28 bilhões de litros de etanol por safra. De biodiesel, a produção deste ano deve fechar em 4 bilhões de litros.

A maior participação de fontes renováveis na matriz energética brasileira exigirá quase o dobro da oferta de etanol até 2030 e maior presença desse combustível no mercado.

“O Brasil tem conhecimento e uma admirável capacidade nesse setor. Basta lembrar que em menos de oito anos o país deu um salto na produção de cana-de-açúcar. Pulou de 6 milhões para 10 milhões de hectares plantados atualmente. Um feito admirável, um esforço imenso e um crescimento sem precedentes na história, o que reforça o nosso potencial”, avalia.

E, dentro desse novo cenário que se projeta, Olivério diz que a Dedini estará preparada para atender a demanda de mercado.

“A Dedini reduziu sua atividade de forma planejada. Manteve os núcleos essenciais e pode retomar a produção e o crescimento, da mesma forma que fez na retomada do setor em 2004, quando surgiu o carro-flex. Em seis anos, 117 novas usinas foram construídas no Brasil, sendo o market share da Dedini cerca de 50%”.

Nesse período, com os olhos do mundo voltados para o potencial do setor sucroenergético, a Dedini chegou a receber mais de 8 mil visitas por ano. “Em 2004, fizemos até um projeto de etanol para a Austrália. A visão do mundo sobre os biocombustíveis está mudando. Precisamos aproveitar as novas oportunidades”, acrescenta (Assessoria de Comunicação, 16/12/16)