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Correio Popular

Renda e mão-de-obra incentivam novos cursos

Publicado em 15 outubro 2006

O diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e ex-reitor da Unicamp, Carlos Henrique de Brito Cruz, não tem dúvidas de que a expansão dos cursos universitários em Campinas se deu, entre outros fatores, pela elevada renda per capita da região. Ele lembra que a maior parte dessa expansão dependeu de instituições privadas, que só prosperam em ambientes nos quais existam clientes com poder aquisitivo correspondente. "Também pode ter contribuído o fato de Campinas ter uma demanda por pessoal qualificado, o que faz que, para o estudante que se forma, exista elevada possibilidade de recuperar o investimento feito em sua educação", analisa.

Embora o setor privado tenha crescido imensamente, a Unicamp, única universidade pública na cidade, também cresceu bastante, especialmente na pós-graduação, lembra Brito. Das 19.465 matrículas na pós-graduação, 81% (15.696) estão na Unicamp. "Isso sem falar na qualidade dos cursos e dos graduados da Unicamp, que são fortemente competitivos internacionalmente", diz.

Brito lembra, no entanto, que mesmo com o crescimento na quantidade de cursos, o número de graduados na pós-graduação ainda é insuficiente para a demanda e as oportunidades da região. O próprio crescimento dos cursos privados sinaliza uma demanda por professores mais qualificados, analisou. A instalação de novas empresas, especialmente em setores de tecnologia avançada, que são atraídas para a região, tem a ver também com esta capacidade de formação de pessoal qualificado, afirma.

O diretor-executivo do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp), Rodrigo Capelato, lembra que Campinas, e a região, compõem o maior mercado do Interior do Estado. "A região teve um crescimento muito forte nos últimos dez anos, aumentando muito a demanda por ensino superior", comenta. Ele lembra que sempre houve uma demanda reprimida por ensino superior, não absorvida pelo ensino público.

Flexibilização

"De dez anos para cá, houve uma maior flexibilização para abertura de instituições de ensino superior pela iniciativa privada, o que passou a atender essa demanda reprimida, provocando esse aumento tão acentuado", diz. Capelato observa, no entanto, que essa tendência de crescimento acentuado deve diminuir, visto que as classes A e B, principais consumidoras do ensino superior privado, já foram atendidas. Mas as classes C e D ainda têm muita demanda reprimida, porém não têm condições financeiras para acessar o ensino privado e não há vagas no ensino público.