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A Tribuna Piracicabana

Remoção da palha pode dobrar a demanda de fertizantes

Publicado em 14 agosto 2019

Uma pesquisa publicada neste mês, na Bioenergy Research, alerta que a remoção dos resíduos culturais (palha) da cana de açúcar para produção de bioenergia (eletricidade ou etanol de segunda geração) pode impactar a demanda de fertilizantes do País. Com 10 milhões de hectares, o Brasil é responsável por cerca de 40% da produção global de cana de açúcar.

O aproveitamento da palha de cana de açúcar como matéria prima à indústria tem se destacado como uma estratégia promissora para aumentar a produção de bioenergia e a lucratividade do setor. "No entanto, a palha tem um papel muito importante para sustentar diversas funções do solo e serviços ecossistêmicos associados, incluindo ciclagem de nutrientes e produtividade das culturas", lembra Maurício Cherubin, professor do Departamento de Ciência do Solo, da Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), autor do estudo realizado em colaboração com outros docentes e estudantes do mesmo departamento e pesquisadores do LNBR/CNPEM (Laboratório Nacional de Biorrenováveis).

Cherubin reforça que a quantidade de nutrientes exportados via palha deve ser quantificada e adequadamente restituída via fertilizantes para evitar a degradação da fertilidade do solo e consequentemente, os impactos negativos na produtividade das plantas ao longo do tempo. "Neste contexto, conduzimos um estudo com o objetivo de elaborar cenários de remoção de palha de cana de açúcar e estimar os potenciais impactos na demanda de fertilizante NPK na região Centro Sul do Brasil, que concentra 92% da produção nacional de cana de açúcar", explica.

Segundo os pesquisadores, os resultados revelaram que a exportação potencial de nutrientes via palha atingiu, em média, 69 kg/ha de N, 7 kg/ha de P e 92 kg/ha de K por ano, representando um custo adicional com fertilizantes de US$ 90 por hectare. Os autores consideram que as informações geradas no estudo, elucidando o valor da palha como fonte de nutrientes, serão úteis para sensibilizar produtores e demais envolvidos no setor sucroenergético a realizar o manejo da palha de forma criteriosa garantido matéria-prima para aumentar a produção de bioenergia sem comprometer a sustentabilidade do sistema de produção. O projeto foi financiado pelo programa BNDES/Funtec e Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).