Notícia

Gazeta Mercantil

Releitura da história em CD-ROM

Publicado em 28 setembro 1998

Documentos mostrarão aspectos das capitanias do País entre os séculos XVI e XIX. Até o final do ano 2000 o País terá material suficiente para lazer uma releitura de sua história. Desta vez, à luz de documentos que retratam vários aspectos do cotidiano das capitanias entre o século XVI e meados do século XIX, que estarão disponíveis para consulta em CD-ROM. Essa é a proposta do Projeto de Resgate de Documentação Histórica "Barão do Rio Branco", que é considerado o mais importante estudo acadêmico dentro das comemorações dos 500 Anos de Descobrimento do Brasil. São 250 mil documentos armazenados no Arquivo Histórico Ultramarino, em Lisboa, para serem identificados, organizados, microfilmados e digitalizados. Liderado pelo Ministério da Cultura, o projeto conta com o apoio de governos estaduais e instituições de financiamento à pesquisa. Em alguns estados, ele já foi iniciado. Em São Paulo, o incentivo está sendo dado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) que estima disponibilizar cerca de R$ 300 mil. Oito pesquisadores já foram a Portugal com o objetivo de organizar toda a documentação sobre a Capitania de São Paulo e mais papéis referentes às partes meridionais do País, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Colônia do Sacramento, Brasil-fronteiras. O Projeto Resgate teve como ponto de partida um programa-piloto desenvolvido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) no final da década de 1980, que tinha como objetivo o levantamento da documentação sobre Minas Gerais que se encontrava em Portugal. A vontade de resgatar esses documentos, no entanto, remonta ao tempo da Independência, sem sucesso. Criado em junho de 1931, o Arquivo Histórico Ultramarino reúne documentos sobre todas as colônias portuguesas como Angola, Moçambique, Cabo Verde e Ilha da Madeira. Para fazer qualquer tipo de pesquisa, existe uma série de exigências que devem ser obedecidas. Além da formação em história, os pesquisadores responsáveis pelo trabalho devem ter conhecimentos específicos sobre a região estudada, mais o domínio de técnicas paleográficas para a identificação de escrituras antigas. De acordo com a caligrafia, o especialista pode demorar horas para reconhecer apenas uma palavra. De acordo com o projeto da Fapesp, todo esse material que ficará disponível em CD-Rom ao pesquisador poderá ter acessado a partir de tini" palavra-chave. Também existe uma outra possibilidade que ainda esta sendo estudada pelos coordenador do projeto, que é a inserção desse material na Internet. Segundo os mesmo coordenadores, o Projeto Resgate não se encerrará com o fim dos trabalhos no Arquivo Ultramarino. Está prevista ainda a sua continuidade em outros arquivos europeus que contenham documentação sobre o passado do Brasil, Espanha, Holanda, Itália, França, Inglaterra, Alemanha e Áustria.