Notícia

Gazeta Mercantil

Relatório da Gazeta Mercantil Sobre Inovação Tecnológica

Publicado em 23 julho 1997

Por Luciana Del Caro - de São Paulo
"Somente com pragmatismo haverá futuro para a indústria e os próprios institutos e centros de pesquisa no Brasil". A afirmação é de Luiz Carlos Delben Leite, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), que representa um dos setores mais afetados pela abertura da economia, o de máquinas e equipamentos. Delben Leite diz que as dificuldades pelas quais o setor vem passando não são somente provenientes das diferenças tecnológicas entre os produtos brasileiros e os importados: "A indústria de máquinas já vinha desenvolvendo um esforço de atualização tecnológica mesmo antes da abertura da economia", garante. Para ele, foram as diferenças entre as taxas de juros interna e externa, de escala econômica, de tratamento tributário e prazos de financiamento que realmente afetaram o setor. Ações pragmáticas, na visão de Delben Leite, seriam necessárias tanto por parte da indústria quanto do governo. "A chave para o aumento dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento está na postura de se submeter ao mercado". Foi a pressão deste, segundo Delben Leite, que levou o País a registrar o segundo maior crescimento de certificados ISO 9000. A importação de tecnologia, por parte das empresas brasileiras é vista como um modo de encurtar os caminhos: "E uma questão que envolve racionalidade econômica ". No entanto, ele acredita que ficará cada vez mais difícil adquirir tecnologias de ponta, já que os países centrais procurarão manter sua supremacia nos mercados internacionais, sendo o conhecimento um fator preponderante para isso. O presidente da Abimaq acredita que o Brasil necessita de uma política racional de pesquisa e desenvolvimento, dada sua escassez de recursos. As diretrizes dessa política, sugere, deveriam ser a intercomunicação entre órgãos e institutos de pesquisa, a consolidação de incentivos fiscais existentes e a unificação das fontes de financiamento. Por parte da indústria, a objetividade deveria vir da compra ou adaptação de tecnologias já existentes, quando for mais barato, e na parceria com universidades e centros de pesquisa. No entanto, Delben Leite acredita que o pragmatismo não irá resolver a questão isoladamente. O aumento da inovação tecnológica depende também da aceleração do crescimento da economia brasileira: "O PIB deveria se expandir à taxa de 5% a 7% ao ano. Nesse ritmo poderíamos absorver boa parte da mão-de-obra desempregada e melhorar a distribuição de renda na economia", diz. A ampliação do mercado interno é uma das bases para se obter ganhos de escala, que muitas vezes justificam os investimentos na área tecnológica.