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Instituto Racine

Relação entre Saúde e Atividade Física: Aspectos Científicos

Publicado em 27 janeiro 2012

A prática de atividade física é considerada uma das mais importantes estratégias atuais para a promoção da saúde da população. No entanto, no Brasil, somente nos últimos dez anos o assunto começou a ser explorado do aspecto científico.

O livro Epidemiologia da atividade física, lançado recentemente, reúne ensaios de especialistas que abordam o estudo da prática de atividade física, incluindo aspectos históricos, critérios de mensuração e recomendações de prática de atividades físicas, as melhores práticas atuais de intervenção para promoção dessas atividades no Brasil e no mundo e sua importância na prevenção de doenças crônicas, entre outros temas.

Organizado por Alex Antonio Florindo, professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da Universidade de São Paulo (USP), e Pedro Curi Hallal, professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), o livro foi lançado durante o Congresso Brasileiro de Atividade Física e Saúde, realizado na cidade de Gramado (RS) em novembro de 2011.

Florindo, que atua no curso de Ciências da Atividade Física da EACH-USP e na pós-graduação da Faculdade de Saúde Pública da USP, coordena atualmente o projeto "Estudo de intervenções para a promoção das atividades físicas no Sistema Único de Saúde pela Estratégia de Saúde da Família", apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) na modalidade Auxílio à Pesquisa - Regular. Hallal atua na Escola de Educação Física da UFPel e na pós-graduação do Centro de Epidemiologia da mesma instituição.

Segundo Florindo, o livro tem o objetivo geral de descrever o fenômeno populacional da prática de atividade fisica. "Propusemos a temática porque, no Brasil, não temos um livro que reúna os conhecimentos adquiridos nessa área com essa profundidade. Convidamos colaboradores de diferentes partes do país para estudar de forma detalhada esse fenômeno da prática de atividade física na população", diz.

Florindo coordenou o projeto Atividade física e sua relação com variáveis individuais e ambientais na população idosa do distrito de Ermelino Matarazzo da Zona Leste do município de São Paulo, cujo objetivo era verificar quais eram os fatores ambientais associados à atividade física na população adulta no bairro de Ermelino Matarazzo, onde se localiza a EACH-USP. Trabalhamos com várias temáticas, como validação de métodos para avaliar atividade física na população e os impactos dessas atividades na prevenção de doenças crônicas. Mais recentemente, a FAPESP apoiou outro projeto que nos permitiu estudar a promoção da atividade física. O livro segue essas linhas de pesquisa", explicou.

Segundo Florindo, a área de atividade física e saúde cresce no Brasil e no exterior, à medida que se confirma sua contribuição para a prevenção de diversas doenças e melhora da qualidade de vida, em um contexto mundial de epidemia de obesidade e doenças cardiovasculares e metabólicas. "O número de pesquisadores na área tem aumentado e no Brasil tivemos grandes avanços nos últimos dez anos, com a formação de vários doutores nesse campo. Os benefícios à saúde já foram comprovados, mas agora é fundamental continuar estudando, principalmente para aprimorar nossas estratégias de promoção da atividade física junto à população", disse.

Ele ainda ressanta que é fundamental desenvolver pesquisas brasileiras nessa área. Os estudos relacionados aos aspectos biológicos da relação entre a atividade física e a saúde nem sempre podem ser extrapolados para todos os países. "Quando se trata de promoção da atividade física, a necessidade de elaborar estudos no Brasil é ainda maior, porque essa promoção envolve fatores culturais e sociais que mudam de acordo com o ambiente. Então, é muito difícil aplicar no Brasil as estratégias de promoção desenvolvidas nos Estados Unidos da América (EUA) ou na Europa", disse.

Fonte: FAPESP