A mesa inaugural, que contou com a presença do reitor e da vice-reitora da USP, abriu o encontros que teve a participação de 13 profissionais estrangeiros
“A relação da TV pública é uma relação de luta constante”, afirmou Fábio Magalhães, atual presidente do Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta (TV Cultura), durante a abertura o 1º Congresso Internacional de Emissoras Públicas, sediado na Universidade de São Paulo (USP) entre 21 e 22 de maio. Com o objetivo de fomentar debates sobre o papel e as contribuições dessas emissoras para o jornalismo de qualidade e sua relação com a sociedade, o congresso reuniu representantes de rádios e televisões do mundo em mesas temáticas e grupos de trabalho. O evento de abertura do congresso contou com a presença do professor Eugênio Bucci (Superintendência de Comunicação Social-USP), Fábio Magalhães (Fundação Padre Anchieta-TV Cultura), Norma Meireles, presidente da Rede de Rádios Universitárias do Brasil-Rubra, e do reitor e da vice-reitora da USP, Carlos Gilberto Carlotti Junior e Maria Arminda do Nascimento Arruda.
Apresentando os convidados da mesa, a radialista Roxane Ré destacou o propósito do Congresso de criar um ambiente de colaboração e intercâmbio de experiências e conhecimentos, “além de promover a troca de estratégias e soluções para os desafios enfrentados no atual ecossistema, fortalecendo desta forma a colaboração entre emissoras públicas para que promovam a pluralidade e assegurem a sustentabilidade alinhada ao interesse público”.
Verônica Poli, coordenadora do Congresso, também prestou agradecimentos pela presença dos pesquisadores, profissionais e estudantes envolvidos no evento. “Que seja uma oportunidade singular para refletirmos sobre o papel das emissoras públicas na prática jornalística, na programação cultural, e na promoção da educação, tanto no Brasil quanto no cenário internacional”.
As transmissões de todas as mesas do congresso podem ser acessadas no canal de Youtube da USP ( youtube.com/watch?v=cv0Nmps_9LE ). Mais informações estão disponíveis abaixo e em emissoraspublicas.usp.br/congresso/
Eugênio Bucci – Superintendente de Comunicação Social da USP
Em sua fala, o professor Eugênio Bucci definiu a comunicação pública como aquela que não tem finalidades comerciais, doutrinas religiosas, correntes partidárias, mas sim “procura representar a sociedade e dialogar com a sociedade”. Por isso, ele defendeu a necessidade da existência das emissoras públicas. “E, onde elas existem com mais força, a democracia está mais protegida”, disse, já que “esse tipo de dispositivo diminui a vulnerabilidade para desinformação, campanhas de ódio e ameaças à ordem solidária, de liberdade, de democracia e de respeito”.
Eugênio Bucci – Superintendente de Comunicação Social da USP “As pessoas que se encontrarão aqui, nesses dois dias, são o principal apoio umas das outras”, disse, destacando as dimensões acadêmicas e profissionais de reunir as emissoras públicas em busca dos melhores caminhos para a comunicação. “Nós precisamos buscar alianças para ganhar força – no Brasil, sem dúvida nenhuma, mas também no plano internacional – em defesa do direito à informação e em defesa da democracia.”
Fábio Magalhães – Presidente do Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta
“A relação da TV pública é uma relação de luta constante”, afirmou Fábio Magalhães, atual presidente do Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta (TV Cultura), durante a abertura do congresso. Segundo ele, essa trajetória é marcada por “uma constante de conflitos e também de encontro: o governo paga, mas não manda”. Originalmente, a frase foi usada pelo ex-governador de São Paulo, Roberto de Abreu Sodré, para definir os primeiros anos da relação entre o governo do estado e a TV Cultura. A expressão sintetiza o ideal de autonomia editorial e independência na comunicação pública, de modo que o Estado financia a emissora, sem interferir em seu conteúdo.
Norma Meireles – Presidente da Rede de Rádios Universitárias do Brasil (RUBRA)
Professora da Universidade Federal da Paraíba e atual presidente da Rubra – Rede de Rádios Universitárias do Brasil, Norma Meireles expressou “a alegria de fazer parte da construção desse congresso”, desde os primeiros encontros da organização. Meireles destacou os grupos de trabalho organizados na parte noturna do congresso. No início, eles não estavam previstos, mas passaram a integrar a programação para garantir a participação e integração de todos os representantes das emissoras públicas.
Maria Arminda do Nascimento Arruda – Vice-Reitora da Universidade de São Paulo
“A comunicação social, a rádio, jornal, televisão, assim como editora e tantas instituições que a universidade possui têm uma característica fundamental: elas operam a partir da universidade, que é uma instituição de pesquisa, e ao mesmo tempo se situam à margem do mercado”, afirmou a vice-reitora Maria Arminda do Nascimento Arruda em sua fala. “Estamos num momento em que é muito importante a defesa da comunicação sustentada, avessa às chamadas fake news e, ao mesmo tempo, em defesa de direitos, da democracia, da liberdade e da independência”, concluiu, destacando que o Jornal da USP tem pautado a grande imprensa.
Carlos Gilberto Carlotti Junior, reitor da Universidade de São Paulo
Na fala final da mesa, o reitor da USP Carlos Gilberto Carlotti Junior destacou a importância da independência das emissoras e instituições públicas. Como exemplos, ele citou o funcionamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e das três universidades estaduais paulistas – a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp) e a própria Universidade de São Paulo (USP). “A independência financeira nos garante também independência acadêmica”, afirmou. Além disso, Carlotti propôs debates a serem feitos ao longo do Congresso, incluindo “como nós vamos nos comportar no setor público diante da velocidade, da qualidade e das indefinições que existem nas mídias sociais”.
*Estagiária sob supervisão de Marcello Rollemberg
**Estagiário sob orientação de Moisés Dorado
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