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Reitores da América Latina discutem criação de rede de pesquisas (1 notícias)

Publicado em 23 de setembro de 2009

Agência FAPESP

Reitores de 75 universidades de 12 países da América Latina e da Península Ibérica se reuniram na segunda-feira (21/9), na reitoria da Universidade de São Paulo (USP), para formalizar a criação da Rede Ibero-americana de Universidades de Pesquisa (Ridup). O principal objetivo da iniciativa é promover a integração das instituições, proporcionando parcerias nas atividades de pesquisa.

A cerimônia de lançamento da Ridup teve à frente a reitora da USP, Suely Vilela - escolhida para dirigir o comitê diretivo da nova rede -, e o presidente do Conselho de Reitores das Universidades Espanholas, Federico Gutiérrez-Solana, que representou o ministro da Educação da Espanha, Angel Gabilondo.

Além dos reitores, participaram do evento o presidente da FAPESP, Celso Lafer, e o presidente do Grupo Santander, Emílio Botín. A FAPESP e a rede Universia, apoiada pelo Grupo Santander, tiveram participação ativa na articulação da nova rede.

De acordo com Gutiérrez-Solana, para compor a rede foram escolhidas as 75 universidades com produção científica mais expressiva na Espanha e no continente latino-americano.

A iniciativa englobou as instituições listadas como mais produtivas, com base em indicadores internacionais. O objetivo desse acordo de colaboração em pesquisa é aproveitar a sistemática do trabalho em rede para criar uma sinergia científica que potencializará ainda mais a consistente produtividade dessas instituições, disse à Agência FAPESP.

Segundo Gutiérrez-Solana, a excelência científica de cada uma das universidades deverá se tornar mais sólida com o apoio à diversidade que caracteriza o conjunto da rede.

Teremos uma excelência apoiada na diversidade. Isso permitirá ações complementares e a otimização dos recursos. Poderemos nos dedicar àquilo em que somos melhores para apoiar todos os outros. Com isso, queremos gerar um entorno de conhecimento que viabilize sua transferência à sociedade - sendo que o desenvolvimento e o bem-estar social também são objetivos da iniciativa, explicou.

Um comitê diretivo foi formado para dirigir as atividades e trabalhos. O cronograma de ação ainda não foi definido, mas a expectativa é que seja feito um diagnóstico das parcerias existentes entre as universidades que compõem a rede para fundamentar um planejamento da expansão das atividades.

Ainda temos que estruturar a metodologia de trabalho. O que está definido é que o comitê acompanhará as atividades que devem ser realizadas e, a partir daí, definirá estratégias comuns. Teremos reuniões anuais com todos os participantes. Uma rede de 65 sócios não é fácil de gerenciar e, portanto, vamos ter que garantir uma estrutura executiva que será o tema da primeira discussão do grupo, disse.

Gutiérrez-Solana contou que a Ridup nasceu a partir da articulação feita em torno da rede Universia. Trata-se de uma rede composta de redes nacionais que é uma grande ferramenta de apoio às universidades. A Universia se caracterizou com um elemento catalisador fundamental para essa nova rede, afirmou.

De acordo com o presidente da FAPESP, o lançamento da Ridup condiz com a importância da ciência e do desenvolvimento tecnológico para o crescimento das nações. A FAPESP sempre considerou, desde sua fundação, que a ciência é o caminho para o desenvolvimento e tem investido em todas as áreas do conhecimento, disse.

Lafer apresentou, durante o evento, a palestra Políticas de apoio à Ciência e Tecnologia: setores público e privado, na qual enfocou o papel da Fundação nesse contexto. Segundo ele, uma dos principais vantagens da Ridup é o fato de ter sua conformação fundamentada na ideia do trabalho em rede.

Sem a ideia de rede não se faz avanço do conhecimento, nem se consegue estabelecer parcerias entre universidades e empresas. A Ridup trará um considerável impulso à produção científica desses países. E é com a ciência que enfrentaremos os desafios das nossas sociedades e poderemos ampliar o controle sobre o nosso próprio destino, disse.

Compromisso fundador

Suely Vilela explicou que o lançamento da rede faz parte das comemorações dos 75 anos da USP. Ao lançar a rede, a USP manifesta o reconhecimento de que suas conquistas nesses 75 anos tiveram apoio público e privado, de instituições como a FAPESP - que é a grande propulsora do desenvolvimento científico no nosso Estado - e o Grupo Santander, um exemplo de empresa que canaliza suas ações no ensino superior, destacou.

Segundo ela, os laços culturais e históricos que unem os países integrantes da Ridup podem se fortalecer pela integração entre as universidades participantes da rede. Temos desafios estratégicos comuns e estamos em busca de soluções criativas para esses desafios, disse.

A rede se propõe a impulsionar e dar continuidade às pesquisas desenvolvidas pelas universidades signatárias, dedicando-se também à formação de pesquisadores e à implantação de projetos de investigação e programas comuns de formação de pós-graduandos, além da transferência dos conhecimentos gerados. O cumprimento desses objetivos dependerá essencialmente do compromisso que assumem agora as universidades fundadoras, apontou a reitora.

De acordo com Emílio Botín, os resultados científicos aplicados em áreas como medicina, agricultura e meio ambiente converteram definitivamente a ciência e a tencologia em fatores básicos da atividade humana. Por isso, segundo ele, o apoio à investigação científica deve ser uma parte fundamental das políticas públicas e das estratégias empresariais.

As universidades, na sociedade de conhecimento, devem adotar um modelo que se baseie em uma postura científica crítica, inovadora, empreendedora e internacional, que incorpore novas pautas para converter-se em motor do desenvolvimento sustentável e do progresso social, disse.

Fonte: http://www.agencia.fapesp.br/materia/11103/sinergia-cientifica.htm