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Universia Brasil

Reitora da USP vai dirigir comitê diretivo da Ridup

Publicado em 22 setembro 2009

A reitora da USP (Universidade de São Paulo), Suely Vilela, foi escolhida para dirigir o recém-criado comitê diretivo da Ridup (Rede Ibero-Americana de Universidades de Pesquisa). O anúncio foi feito na manhã desta terça-feira, 22 de setembro, na sede da USP em São Paulo um dia depois da criação da Ridup e contou com a presença dos reitores de 75 universidades da Espanha e da América Latina. A principal função do comitê será promover a integração das universidades participantes da rede.

O cronograma de ação ainda não foi definido, mas a expectativa é que seja feito inicialmente um diagnóstico das parcerias existentes entre as universidades que compõem a Rede para, a partir dessa análise, haver um planejamento da expansão das atividades do comitê. "É um privilegio lançar e integrar a rede porque a ciência moderna requer transdisciplinaridade e internacionalização e é a partir dessas redes que conseguiremos atingir esses requisitos", declarou Suely. A expectativa da reitora é de que até novembro, quando acaba o mandato dela à frente da USP, as ações da Ridup estejam encaminhadas. "Pretendemos avançar bastante nesse contexto. Existem problemas semelhantes na região que podem ser resolvidos quando há união de esforços", disse ela.

A previsão de José Narro Robles, reitor da Unam (Universidad Nacional Autónoma de México), é anunciar as definições do comitê durante o II Encontro Internacional de Reitores, que será promovido pelo Universia em Guadalajara, no México, em maio de 2010. "Algumas propostas que não demandem investimentos sairão do papel já em 2010, como a criação de uma ferramenta de comunicação entre as universidades parceiras", disse Robles. Ele aposta na importância das universidades que compõem a Rede para obtenção de recursos. "Todas as participantes são as maiores e melhores de seus respectivos países, o que dá força para a captação de recursos", afirmou ele.

O presidente da Fapesp, Celso Lafer, elogiou a criação da Ridup e aproveitou para ressaltar a relevância da ciência no crescimento de uma nação. "Desde sua criação, a Fapesp acredita que a ciência é o caminho para o desenvolvimento nacional. A agência procura estimular todas as áreas do conhecimento", declarou ele.

O encontro, que também celebra os 75 anos da USP, ocorreu na Reitoria da Universidade. Estiveram presentes o presidente do Grupo Santander, Emílio Botín, e o presidente do CRUE (Conselho de Reitores das Universidades Espanholas), Federico Gutiérrez-Solana, que representou o ministro da educação da Espanha, Angel Gabilondo.

Panorama regional

A obtenção de um patamar elevado de desenvolvimento social na região ibero-americana depende de investimentos em educação e em ciência. A afirmação é de José Narro Robles, reitor da Unam, para quem esse é o melhor caminho em direção à redução das desigualdades. "Temos avançado bastante nos últimos 50 anos, mas ainda há muito o que fazer para alcançarmos uma situação ideal", declarou ele.

Para comprovar a relação entre investimento em Ensino Superior e ganhos sociais, Robles citou dados de países desenvolvidos. De acordo sua apresentação, enquanto a América do Norte, impulsionada pelos Estados Unidos e Canadá, investe 37% de suas riquezas no desenvolvimento de ciência, a média de investimentos da América Latina no setor corresponde a apenas 0,68% de seu PIB (Produto Interno Bruto).

Segundo o reitor, Ásia e Europa seguem a mesma tendência dos norte-americanos, direcionando respectivamente 32% e 27% de seus PIB para a inovação. Robles chama a atenção para o fato de que a maioria dos investimentos em inovação na América Latina ainda é feito por poucos países. "Dois terços da verba estão concentradas no Brasil, outros 18% estão relacionados ao México; 5,8% à Argentina; e 5,6%, ao Chile", afirma ele.

Dados semelhantes são apresentados pela pesquisa "Rethinking Research Performance & Strategy". Segundo Daniel Calto, diretor de produtos da Elsevier - coordenadora do estudo -, o panorama da América Latina é muito desfavorável quando comparado ao resultado das consideradas potencias científicas, como Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha. No entanto, ele destaca o potencial da região a partir do desempenho individual de alguns países. "O Brasil, por exemplo, entre os países considerados emergentes, ocupa a terceira posição do ranking de produção científica", revela.

O estudo constatou ainda que há diversos pontos em comum entre as iniciativas científicas bem sucedidas. "Além de contarem com políticas governamentais transparentes e bastante significativas, contam com processos de mobilidade, cooperação e multidisciplinaridade", alerta Caltom que acrescenta que é essa a direção em que a Ridup pretende atuar. "Pretendemos definir áreas de pesquisas em comum para alavancar a ciência da região, além de criar programas de pós-graduação conjuntos, promover a mobilidade entre professores e estudantes das universidades parceiras, desenvolver uma revista científica para a expansão dos conhecimentos produzidos e organizar um programa de seminários virtuais para que as parcerias sejam constantes", disse Robles.

Dentre as propostas apresentadas pelos reitores das instituições que fazem parte da Rede estão a criação de um fundo para a gestão dos projetos, a articulação de investimentos angariados pelo setor privado, a colaboração financeira das universidades participantes, o desenvolvimento de fórum para compartilhamento de informações e troca de experiências, valorização do corpo docente e reconhecimento mútuo dos programas de doutorados das instituições parcerias.

De acordo com a reitora da USP todos os pontos descritos serão avaliados pelo comitê diretivo da Ridup. "O principal objetivo é impulsionar a produção científica da região a partir da unificação de esforços e da colaboração mútua entre as Instituições de Ensino Superior ibero-americanas", destacou Sueli. "As parcerias precisam estar focadas na geração de ciência e inovação para que esses conhecimentos sejam revertidos em riqueza à região", acrescenta ela.