Notícia

UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas

Reitor da Unicamp recebe título de Cidadão Campineiro

Publicado em 30 setembro 2011

O reitor Fernando Costa recebeu o título de Cidadão Campineiro em reunião solene realizada nesta sexta-feira (30), na Câmara Municipal de Campinas. A entrega da honraria foi proposta pelo vereador Valdir Terrazan, que é integrante da Comissão de Ciência e Tecnologia do legislativo. Segundo ele, o reitor faz juz ao título não só por estar à frente de uma das mais importantes instituições de ensino e pesquisa do Brasil, mas também por sua carreira como pesquisador, com mais de 200 trabalhos publicados em periódicos de circulação internacional e vários prêmios pela produção científica.

“É incontestável a importância do reitor na área de ensino e pesquisa, e um orgulho para Campinas recebê-lo como cidadão”, disse Terrazan ao Portal da Unicamp. Fernando Costa, por sua vez, afirmou ser uma honra e um orgulho comparecer à Câmara Municipal para receber o título de Cidadão Campineiro, especialmente no momento em que a Unicamp comemora 45 anos de atividades.

O reitor iniciou o seu discurso relembrando sua chegada à Campinas, em 1978, para dar sequência à carreira acadêmica, iniciada pouco antes na USP de Ribeirão Preto. Segundo ele, naquela época região começava a despontar como um dos mais importantes pólos econômicos e culturais do Estado, ao mesmo tempo em que o País acompanhava os primeiros passos da Unicamp, instituição que expressava um modelo inovador de universidade e atraia inúmeros pesquisadores que, como eu, buscavam seu lugar no cenário científico nacional”, disse.

“De lá para cá, tanto Campinas quanto a Unicamp descreveram trajetórias que as projetaram para todo o País. Campinas consolidou-se como uma das metrópoles mais importantes e complexas do Brasil. Já a Unicamp, firmou-se como importante pólo de produção de pesquisa e cultura, reunindo grandes nomes no meio acadêmico. “Tive a honra e o privilégio de acompanhar de perto o desenvolvimento de ambas. Não poderia, portanto, deixar passar esse momento sem registrar a importância destas duas forças, não apenas para minha vida pessoal e profissional, mas também para o Estado de São Paulo e o Brasil”.


Fernando Costa também fez um retrospecto histórico da cidade, relacionando sua importância no cenário estadual e nacional. Ele destacou, porém, a vocação de Campinas para a área de ciência e tecnologia. Resgatou episódios como as experiências pioneiras em fotografia realizadas na cidade, em 1830, pelo francês Hercules Florence, bem como do pároco Landell de Moura, que realizou em Campinas as experiências que fizeram dele, em 1889, um dos pioneiros em transmissões de rádio. “Na esteira dessa vocação para a ciência e a cultura, a cidade consolidou-se como locus natural para importantes institutos de pesquisas”, observou.

É nesse contexto, disse o reitor, que se insere a Unicamp. “Fruto de um projeto implantado e conduzido pelo médico Zeferino Vaz, desde cedo a instituição caracterizou-se por um modelo inovador, que faz da intensidade da pesquisa um elemento de qualificação do ensino em todos os níveis, e das relações com a sociedade um componente intrínseco da atividade acadêmica com nível de excelência”, afirmou Fernando Costa.

Em seguida, o reitor relacionou os indicadores alcançados pela Universidade e seu impacto na sociedade, destacando sua liderança entre as universidades brasileiras no que diz respeito ao número de artigos per capita publicados anualmente em revistas indexadas na base de dados ISI/WoS. “Nesse contexto, a Unicamp ocupou posições de destaque em diferentes avaliações internacionais, colocando-se entre as principais universidades brasileiras e da América Latina”.

Fernando Costa também destacou a abrangência das relações que a Unicamp mantém com toda a sociedade, lembrando que o exemplo mais visível da interação é a área hospitalar. “Cobrindo uma área de 90 municípios e uma população superior a cinco milhões de habitantes, inclusive de outros estados, as unidades de saúde da universidade disponibilizaram nos últimos dois anos 830 leitos que propiciaram a realização de aproximadamente 70 mil internações. Conjuntamente, realizaram cerca de um milhão de consultas, 62 mil cirurgias, 10 mil partos, 6 milhões de exames laboratoriais e quase 500 transplantes de córnea, medula óssea, rim e fígado”.

Segundo o reitor, todas estas conquistas apontam para o inequívoco amadurecimento institucional, em que pese a Unicamp ser uma universidade ainda jovem para os padrões nacionais e internacionais. “Importante enfatizar, porém, que o os resultados alcançados nestes 45 anos de atividades não retratam ações individuais ou de grupos isolados. Constituem, antes de tudo, o esforço de toda uma comunidade, na qual se integram docentes, estudantes e funcionários, aos quais deve ser creditada, em grande parte, o mérito das realizações alcançadas”.

O reitor pontuou, ainda, a importância das universidades públicas no desenvolvimento do País. “Nenhum país conseguiu atingir um ritmo progressivo e sustentável de desenvolvimento econômico e social sem a construção de um sólido sistema universitário”, observou. “A orgulha-se de pertencer ao grupo de instituições cuja atuação vem resultando em indiscutível contribuição à sociedade, nas mais diversas áreas”, concluiu. Arly de Lara Romeo representou Pedro Serafim Júnior, presidente da Câmara, na sessão de entrega do título ao reitor da Unicamp.

Lei o discurso do reitor Fernando Costa

É uma honra e um orgulho comparecer a esta Casa para receber o título de Cidadão Campineiro, especialmente no momento em que a Universidade Estadual de Campinas comemora 45 anos de atividades em prol do ensino superior gratuito e de qualidade, bem como da ciência, tecnologia e inovação a serviço de Campinas e do Brasil.

Há exatos 33 anos, quando cheguei a Campinas para dar sequência à carreira acadêmica, iniciada pouco antes na Universidade Estadual de São Paulo, em Ribeirão Preto, a região começava a despontar como um dos mais importantes pólos econômicos e culturais do Estado. Ao mesmo tempo, o País acompanhava os primeiros passos da UNICAMP, instituição que expressava um modelo inovador de universidade e atraia inúmeros pesquisadores que, como eu, buscavam seu lugar no cenário científico nacional. Naquela época, Barão Geraldo ainda era um bucólico distrito contornado pela Mata Santa Genebra e a recém-criada Cidade Universitária, que se desenhava ao redor do campus da UNICAMP, ainda era um grande loteamento a ser preenchido.

De lá para cá, tanto Campinas quanto a UNICAMP descreveram trajetórias que as projetaram para todo o País. Campinas consolidou-se como uma das metrópoles mais importantes e complexas do Brasil. Já a UNICAMP, firmou-se como importante pólo de produção de pesquisa e cultura, reunindo grandes nomes no meio acadêmico. Entre eles, Cesar Lattes, André Tosello, Sérgio Porto, Gleb Wataghin, Vital Brasil, Marcelo Damy e Giuseppe Cilento, entre outros. Tive a honra e o privilégio de acompanhar de perto o desenvolvimento de ambas. Não poderia, portanto, deixar passar esse momento sem registrar a importância destas duas forças, não apenas para minha vida pessoal e profissional, mas também para o Estado de São Paulo e o Brasil.

Não é fácil para um município do interior destacar-se num país tão vasto, plural e repleto de desafios como o Brasil. Campinas conseguiu esse feito graças à sua vocação cosmopolita, principal traço de uma comunidade que sempre buscou estar à frente de seu tempo. Do pouso de tropeiros que daria origem à cidade em 1774, à urbe de um milhão de habitantes que se tornaria sede de uma região metropolitana responsável por 5,9% do PIB brasileiro, a cidade sempre se distinguiu pelo protagonismo nos movimentos de vanguarda que ajudaram a impulsionar o desenvolvimento sociocultural no País.

No plano político, Campinas é apontada por historiadores como o berço da República. Foi a primeira cidade do Brasil a criar o Clube da República, um local de debates, planejamento de estratégias e divulgação do pensamento republicano. No mesmo contexto, surgiu um dos principais jornais liberais da época, a Gazeta de Campinas, fundado em 1869, que defendia a doutrina republicana.

No que diz respeito à economia, a cidade consolidou-se como um dos mais importantes centros industriais e financeiros na América Latina. Dos anos gloriosos da cafeicultura em fins do século 19 à formação do complexo industrial que alavancaria a economia de toda a região a partir de 1960, Campinas firmou-se como pólo gerador de riqueza, atuando sempre de maneira inovadora e proativa, principalmente nos períodos de crise conjuntural próprios de um país em desenvolvimento.

Números econômicos podem não expressar tudo, mas devem ser levados em conta numa análise de fundo histórico. De fato, o PIB da região se compara ou supera o de muitos países sul americanos, graças a um complexo de aproximadamente 15 mil indústrias, 50 mil empresas de serviços e 60 empresas comerciais. Não por acaso, já em 2000 a prestigiosa revista Wired incluía o eixo metropolitano de Campinas entre os 46 principais pólos de atração de investimentos nos cinco continentes.

Se a história ajudou, não se pode esquecer que a história é um trabalho mais dos homens que da natureza. Para esse ideal cosmopolita certamente contribuiu o incremento de mão-de-obra estrangeira, a partir de 1890, ano em que esse contingente já representava 21% da população regional. Aos poucos, Campinas tornou-se o centro polarizador de um fluxo migratório que transformou antigas fazendas e deu identidades a vários municípios vizinhos.

Os campos de Valinhos e Vinhedo foram cobertos por videiras plantadas por italianos, espanhóis e portugueses. Suíços criaram a colônia Helvetia, hoje um bairro histórico de Indaiatuba. Sobreviventes da Guerra de Secessão aportaram em Americana e Santa Barbara, trazendo novas técnicas agrícolas e costumes da América sulista. Grupos de russos chegaram às planícies de Nova Odessa, onde hoje ainda se contam quinze árvores para cada habitante, herança da consciência ambiental de seus pioneiros. Alemães e austríacos se estabeleceram em Cosmopólis, plantando cana e algodão.

A esse notável fluxo de imigrantes, mais tarde se juntaram os asiáticos e latino-americanos, além do incontável movimento migratório, que trouxe para Campinas famílias inteiras de paranaenses, nordestinos, mineiros e cariocas, cuja mão-de-obra e cultura foram fundamentais para consolidar o peso do município na economia regional e estadual.

Constituindo-se na mais importante área na rota de interiorização do desenvolvimento no Estado de São Paulo, Campinas reforçou seu papel de centralidade em relação às demais regiões do interior, não apenas pelo importante segmento fabril e de serviços, mas também por constituir o maior entroncamento rodoviário do Estado, com algumas das principais rodovias brasileiras conectadas diretamente ao Aeroporto Internacional de Viracopos, o maior do País em volume de cargas, o que faz da cidade um portal de entrada e saída para o mundo globalizado.

Bastaria esse admirável conjunto de ativos para justificar o papel de protagonista desempenhado por Campinas no cenário estadual e nacional, mas é preciso destacar a vocação para ciência e tecnologia como traço que a diferencia de todos os outros municípios brasileiros. Já em 1878, apenas dois anos após o surgimento do telefone, promovia-se uma demonstração desse invento em Campinas e, em 1884, a Empresa Campineira de Telefones obtinha permissão para assentamentos de linha e abertura do registro de assinantes. O mesmo aconteceu em relação ao cinematógrafo, apresentado aos campineiros em 1897, apenas dois anos depois de sua invenção pelos irmãos Lumiere, na Europa.

Embora ressoasse as revelações estrangeiras com incrível rapidez, não faltavam à cidade suas próprias produções científicas e tecnológicas, demonstradas em episódios memoráveis como as experiências pioneiras em fotografia realizadas na cidade, em 1830, pelo francês Hercules Florence, para muitos estudiosos o verdadeiro pai da arte que revolucionou a forma como o ser humano olha o mundo e a si mesmo, bem como do pároco gaúcho Landell de Moura, que realizou em Campinas as experiências que fizeram dele, em 1889, um dos pioneiros em transmissões de rádio. Além deles, Santos Dumont, que em 1906 sobrevoou o campo de bagatelle em Paris com o 14 Bis, passara pelos bancos escolares do Culto à Ciência, onde, por sinal, lecionara Coelho Neto.

Ainda no final do século 19, surge um dos ícones da inclinação de Campinas para a área científica. Fundado em 1885 como Estação Agronômica Imperial, o Instituto Agronômico foi determinante para a diversificação que ajudou a cidade e região a se recuperarem  de tragédias sucessivas, como a febre amarela, em 1919,  e a crise do café, em 1929. Pelas alamedas do Instituto Agronômico, onde foi montada uma das principais coleções de plantas nativas e exóticas do País, caminham os pesquisadores responsáveis pela metade das espécies que alimentam o brasileiro e estão na base da agroindustria nacional.

Na esteira dessa vocação para a ciência e a cultura, a cidade consolidou-se como locus natural para importantes institutos de pesquisas, como o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), Centro de Tecnologia da Informação Renato Ascher (CTI), Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL), Centro de Pesquisas Avançadas Wernher von Braun, Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) e Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), dentre outros, fazendo de Campinas um pólo de Ciência, Tecnologia e Inovação comparável aos mais avançados do mundo.

É nesse contexto que se insere a Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, instituição que se confunde com a própria cidade e faz juz à imagem de “Usina de Ideias”, consolidada desde a sua fundação, em 1966. Fruto de um projeto implantado e conduzido pelo médico Zeferino Vaz, desde cedo a instituição caracterizou-se por um modelo inovador, que faz da intensidade da pesquisa um elemento de qualificação do ensino em todos os níveis, e das relações com a sociedade um componente intrínseco da atividade acadêmica com nível de excelência.

Desde a década de 1950, quando teve início o processo de institucionalização das atividades de pesquisa no Brasil, a universidade pública vem desempenhando papel fundamental no desenvolvimento social e econômico do país. De fato, todos os dados disponíveis mostram que mais de 90% da pesquisa científica de qualidade feita no Brasil tem origem nas instituições desta natureza, com destaque para as três universidades estaduais paulistas, que respondem por 50% do total.

Também são as universidades públicas que se destacam no ensino superior de qualidade quando são utilizados dados objetivos, uma vez que quase sempre aliam ensino, pesquisa e extensão de forma indissociável. Tal modelo qualitativo assume fundamental importância na formação dos estudantes, pois moldam um profissional que valoriza a atualização constante dos conhecimentos e considera seu papel de protagonista na relação com a sociedade, valorizando a cidadania e a qualidade de vida.

A UNICAMP, que no próximo dia 5 de outubro, portanto daqui a cinco dias, completará 45 anos de atividades, orgulha-se de pertencer ao grupo de instituições cuja atuação, apesar das dificuldades enfrentadas, vem resultando em indiscutível contribuição à sociedade, nas mais diversas áreas.

Consciente de seu papel, a UNICAMP, vem ampliando significativamente todos os seus indicadores de produtividade acadêmica. Foi a partir de 1989, porém, quando teve início o regime de autonomia de gestão financeira, que o seu desempenho passou a apresentar saltos quantitativos e qualitativos de grande impacto no cenário nacional. O número dos cursos de graduação, por exemplo, cresceu 83%, passando de 36 para 66. No mesmo período, as vagas no vestibular mais que dobraram, saindo de 1.615 para 3.320.

Entre os avanços recentes, sem dúvida o mais importante foi a implantação do Programa de Formação Interdisciplinar Superior (ProFIS), que desde o início despertou interesse público por dois aspectos inovadores: possibilitar aos melhores alunos das escolas públicas de ensino médio em Campinas a chance de ingressar numa universidade pública de excelência, sem precisar enfrentar o vestibular, e oferecer a estes estudantes um curso multidisciplinar, com duração de dois anos, após o qual poderão optar pela formação específica na área de sua preferência.

Na pós-graduação, praticamente metade dos 144 cursos em andamento na UNICAMP apresenta nível de excelência internacional, segundo Avaliação Trienal Da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o que garantiu à Universidade a maior proporção de excelência entre todas as universidades do Brasil.

A UNICAMP também mantém a liderança entre as universidades brasileiras no que diz respeito ao número de artigos per capita publicados anualmente em revistas indexadas na base de dados ISI/WoS. Em 2010, esse desempenho correspondeu a quase 10% da produção nacional. Nesse contexto, a UNICAMP ocupou posições de destaque em diferentes avaliações internacionais, colocando-se entre as principais universidades brasileiras e da América Latina.

A relevância dessa produção científica pode ser verificada, por exemplo, na participação direta da UNICAMP em pesquisas que alcançaram repercussão nacional e internacional. Entre elas, o desenvolvimento da primeira fibra ótica nacional (1979); o Programa Biota-Fapesp, criado para identificar, mapear e investigar as características da fauna, da flora e dos microrganismos do Estado de São Paulo (1999); o Projeto Genoma, financiado pela Fapesp, que decifrou o sequenciamento genético da bactéria Xyllela fastidiosa, causadora da praga do amarelinho, doença que afeta 30% dos laranjais paulistas (2000); e o seqüenciamento genético da levedura Saccharomyces cerevisiae, que responde por 30% da produção de etanol no Brasil (2009).

No campo da inovação tecnológica, a Universidade atingiu a marca de 600 patentes, totalizando 46 tecnologias com depósito internacional, o que reforça a sua condição de referência nacional para o setor. Entre os casos de maior destaque figuram o teste de surdez genética, que permite detectar a deficiência auditiva em recém-nascidos; duas tecnologias para a obtenção de isoflavonas agliconas da soja, que deram origem ao medicamento fitoterápico à base dessas substâncias, produto certificado pela ANVISA para tratamento dos sintomas da menopausa; e a tecnologia para o desenvolvimento de um novo medicamento sintético indicado para o diabetes melitus (tipo 2).

O impacto da formação oferecida pela UNICAMP também pode ser verificado no campo da iniciativa privada. Nas últimas duas décadas, cerca de 200 empresas de alta tecnologia, boa parte no campo da tecnologia da informação, nasceram a partir dos laboratórios e salas de aula da universidade, como resultado do empreendedorismo de formandos e professores. Juntas, as chamadas “filhas da UNICAMP” geraram mais de seis mil empregos diretos e respondem atualmente por um faturamento que já ultrapassa a casa de R$ 1 bilhão por ano. Além disso, pesquisa interna realizada pelo Serviço de Apoio ao Estudante mostra que 88,2% dos alunos formados pela UNICAMP estão empregados. Destes, 48,3% ocupam posição de comando em sua área profissional, seja como donos do próprio negócio ou ocupando cargos de direção, gerência ou chefia em organizações públicas ou privadas.

Por sua própria especificidade, a instituição universitária mantém com a sociedade uma forma de relação privilegiada, centrada na formação de profissionais de nível superior e na geração e difusão do conhecimento. As atividades de extensão sem dúvida cumprem a importante função, especialmente quando se trata de interação com a sociedade e de disseminação do conhecimento produzido pela academia. No âmbito dessas atividades destacam-se as ações de extensão comunitária, tecnológica, cultural, de capacitação continuada e de interação com instituições públicas.

Nesse contexto, a UNICAMP é uma das universidades brasileiras pioneiras na cooperação com indústrias privadas e estatais. Além disso, a UNICAMP se distingue por ser uma importante fornecedora de quadros que atuam diretamente na formulação de políticas públicas para o país. Não são muitas as universidades que fazem isso a partir da existência de escolas de pensamento em seu interior, e a UNICAMP as tem desde o início de suas atividades. Esse fenômeno, que condiz bem com a vocação da UNICAMP para assumir tarefas sociais relevantes, é facilitado pela existência de mecanismos multi e interdisciplinares em sua estrutura acadêmica, gerando uma atmosfera favorável à discussão de questões múltiplas e também à formação de profissionais com o aporte de diferentes áreas do conhecimento.

O exemplo mais visível da interação da UNICAMP com a sociedade, porém, é sem dúvida a área hospitalar, referência para o sistema público de saúde da região e não raro o único ponto de apoio da população que não dispõe de convênios médicos ou de fácil acesso a outros serviços. Esse papel a UNICAMP tem cumprido exemplarmente através de suas unidades de pesquisa e serviços em saúde: o Hospital de Clínicas, o Hospital da Mulher Professor Doutor José Aristodemo Pinotti (Caism), o Hospital Estadual de Sumaré (HES), o Gastrocentro, o Hemocentro, o Centro de Estudos e Pesquisas em Reabilitação Professor Doutor Gabriel Porto (Cepre), o Centro de Investigação em Pediatria (Ciped) e a área de atendimento da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP).

Cobrindo uma área de 90 municípios e uma população superior a cinco milhões de habitantes, inclusive de outros estados, as unidades de saúde da universidade disponibilizaram nos últimos dois anos 830 leitos que propiciaram a realização de aproximadamente 70 mil internações. Conjuntamente, realizaram cerca de 1 milhão de consultas, 62 mil cirurgias, 10 mil partos, 6 milhões de exames laboratoriais e quase 500 transplantes de córnea, medula óssea, rim e fígado.

Acrescente-se a esse complexo os Ambulatórios Médicos de Especialidades (AMEs) em Limeira, Piracicaba, Rio Claro e Mogi Guaçu. Gerenciados pela universidade, estas unidades foram projetadas para atender 1,5 milhão de pessoas, oferecendo cerca de 40 mil consultas de 28 especialidades, além de vários procedimentos, entre os quais endoscopias, ecografias e exames laboratoriais.

O desempenho nessa área propiciou ao Hospital de Clinicas da UNICAMP conquistar em 2010 o prêmio “Destaque em Transplantes”, como uma das unidades recordistas do interior em números de transplantes e captações de rins e fígados. O Caism, por sua vez, voltou a estar entre os três melhores hospitais-maternidade públicos do Estado de São Paulo na avaliação dos usuários do Sistema Único de Saúde.

Todas estas conquistas apontam para o inequívoco amadurecimento institucional, em que pese a UNICAMP ser uma universidade ainda jovem para os padrões nacionais e internacionais. Importante enfatizar, porém, que o os resultados alcançados nestes 45 anos de atividades não retratam ações individuais ou de grupos isolados. Constituem, antes de tudo, o esforço de toda uma comunidade, na qual se integram docentes, estudantes e funcionários, aos quais deve ser creditada, em grande parte, o mérito das realizações alcançadas.

Nenhum país conseguiu atingir um ritmo progressivo e sustentável de desenvolvimento econômico e social sem a construção de um sólido sistema universitário. A trajetória percorrida por outras economias emergentes evidencia essa realidade e põe às claras os desafios que temos pela frente. No atual contexto brasileiro, onde menos de 14% dos jovens na faixa entre 18 e 24 anos estão matriculados num curso de nível superior, reconhecer, valorizar e incentivar o esforço da universidade pública constitui não apenas um ato de justiça, mas, sobretudo, uma medida estratégica para o desenvolvimento do país.

Tudo isso nos remete ao quadro de enormes expectativas quanto ao futuro do Brasil no século 21. Nesse contexto, é preciso considerar não apenas os entraves históricos, cuja superação exige vontade política e compromisso público, mas também os aspectos favoráveis, que precisam ser melhor aproveitados em benefício de todos. Felizmente, temos ainda a fortuna de contar com comunidades e instituições modelares, a partir das quais se poderá traçar o mapa do desenvolvimento sustentável com respeito à cidadania. Campinas e a UNICAMP, sem dúvida, estão entre elas.