Notícia

UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas

Reitor afirma que Congresso de Iniciação Científica é fenômeno paradigmático

Publicado em 23 setembro 2009

Por Jeverson Barbieri e Isabel Gardenal

Ao participar da cerimônia de abertura do XVII Congresso de Iniciação Científica da Unicamp, realizada nesta quarta-feira (23) no Centro de Convenções, o reitor Fernando Ferreira Costa declarou que o evento mostra claramente um fenômeno paradigmático na Universidade, que é a efetiva participação de alunos de graduação em atividades de investigação. O reitor disse ainda que, apesar da existência de programas de incentivo à iniciação científica no mundo todo, ele não tem conhecimento de evento de tão grande magnitude e que seja realizado com regularidade, como o da Universidade.

É importante ressaltar que a Unicamp considera essa atividade fundamental e, por isso, além do significativo aporte de recursos realizado pelo CNPq e pela Fapesp, a instituição realiza um investimento com bolsas próprias de iniciação científica. Isso demonstra o comprometimento da Unicamp com a importância dessa atividade de pesquisa e investigação, afirmou Costa.

Este ano, o congresso selecionou 1.172 trabalhos, sendo 70 trabalhos da área de Artes, 313 da área de Biológicas, 198 da área de Exatas, 231 da área de Humanas e 360 das Tecnológicas. O evento segue até amanhã (24), nas dependências do Ginásio Multidisciplinar da Unicamp (GMU). A cerimônia contou ainda com a participação do Quinteto de Cordas, ligado ao Núcleo de Integração e Difusão Cultural (Nidic).

Para o Pró-reitor de Pesquisa, Ronaldo Pilli, é preciso celebrar o encontro com os olhos no futuro, uma vez que estão congregados nesse evento estudantes de graduação que, ao longo de 2008, estiveram envolvidos com projetos de iniciação científica. Para Pilli, esse é um momento de fazer uma avaliação dos resultados do esforço que a Unicamp e as agências de fomento fazem para envolver os alunos de graduação em atividades de pesquisa. É um esforço que reúne muita gente, aloca recursos consideráveis e é um dos investimentos mais nobres que se pode fazer, na medida em que podemos despertar talentos, alimentar vocações e continuar nessa marcha do conhecimento, que o país vem trilhando ao longo dos últimos 50 anos, reiterou o pró-reitor.

Bastante entusiasmado, o Pró-reitor de Graduação, Marcelo Knobel, enfatizou que é preciso comemorar esse evento, capaz de congregar estudantes entusiasmados com a atividades de pesquisa e culturais. É nessa oportunidade que podemos constatar a força da pesquisa na Unicamp ainda no âmbito da graduação, observou Knobel.

Trabalhos expostos abrangem todas as áreas do conhecimento

A Unicamp deu uma amostra, nesta quarta-feira, do seu enorme potencial para a pesquisa desenvolvida já na graduação: 1.172 trabalhos apresentados sob forma de pôster no XVII Congresso de Iniciação Científica, expostos no Ginásio Multidisciplinar da Universidade, envolvendo todas as áreas do conhecimento. Um deles abordou o ritmo como articulador do discurso musical, outro o estudo de aplicações de inteligência artificial para jogos de computador e outro ainda as mudanças na forma de ver filmes e seriados: do videocassete ao blu-ray. Além desses, falou-se igualmente do papel dos bancos públicos nas economias contemporâneas e sobre o treinamento com pesos: efeitos sobre o sistema cardiovascular em mulheres na pós-menopausa, bem como acerca da representação da morte no cinema.

Foi difícil transpor as barreiras de espaço em busca do tema desejado, buscando uma pesquisa que lhe dissesse respeito ou mesmo para encontrar uma inspiração com vistas a uma futura iniciação científica. A aluna da Medicina Isabella da Costa Gagliardi, bolsista Fapesp, acaba de mostrar a sua pesquisa sobre qualidade de vida e cirurgia de epilepsia de lobo temporal na infância e na adolescência e já vislumbra outra tema para dar continuidade à iniciação científica. Em sua pesquisa, Isabella, que sempre apreciou as cirurgias em neurologia nos vídeos que mostravam alguns momentos de crises, buscou aprofundar seu conhecimento em cirurgia. Orientada pelo professora Marilisa Mantovani Guerreiro, ela sempre ficou incomodada com a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Notou que a epilepsia pode comprometer mesmo esta qualidade. Em particular, verificou que a epilepsia de lobo temporal (ELT) é constantemente refratária a medicamentos, mas que a cirurgia pode ser um forte aliada dos pacientes. O seu objetivo foi avaliar esta qualidade de vida de crianças e adolescentes com ELT antes e após a cirurgia. Esta avaliação mostrou melhora geral no pós-operatório e concluiu que a cirurgia de epilepsia, quando bem indicada, melhora a vida desses pacientes. Mesmo com relação ao relacionamento com os pais, houve melhora, principalmente dos pais em relação aos filhos.

A aluna Tatiani Tatie, bolsista Pibic/SAE, escreveu seu projeto sobre A expectativa temporal na imigração de dekassegui: uma tentativa de identificação de fatores que contribuem para a mudança dessa expectativa na experiência migratória, orientada pela professora Rosana Baeninger, uma das assessoras da Pró-Reitoria de Pós-Graduação da Unicamp. Em seu trabalho, descreveu que os imigrantes brasileiros que foram em busca de melhores condições de vida no Japão ficaram conhecidos inicialmente como dekasseguis. Este fluxo migratório configurou no Japão relações constituintes das redes sociais que se apresentam com fortes influências para a mudança da expectativa temporal da imigração. Tatiani estudou o movimento migratório do dekassegui atual.

A pesquisa foi possível com a aplicação de pré-testes e de questionários de brasileiros residentes em cidades distintas da região central do Japão, que concentra maior número de imigrantes brasileiros, por fazer parte do pólo de indústria automobilística e de elétrica, setores que empregam mão-de-obra estrangeira. A análise reforça a hipótese de que ao mesmo tempo em que as redes sociais foram se consolidando e se expandido, o caráter temporário de imigração começou também a apresentar alterações. O presente trabalho, conforme ela, está em andamento com a renovação de bolsa por mais um ano de pesquisa.

O aluno do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL), Vitor Vitti, bolsista SAE/Unicamp, desenvolveu seu projeto dando destaque ao Banco de dados: acervo digital. Para padronizar o acervo imagético gerado pelos projetos e eventos, a Coordenadoria de Desenvolvimento Cultural (CDC) iniciou o Banco de dados: acervo digital, que será responsável pela catalogação de todos os arquivos de imagens e vídeos produzidos no âmbito da Unicamp e em ações fora dela. Estes arquivos estão na página da CDC pela Internet. O projeto pretende criar um padrão de registro para as imagens e vídeos que compõem o arquivo de dados da Coordenadoria, para unificar a busca de pesquisas atuais e futuras. Fazem parte da ficha catalográfica, confeccionada sob orientação do Centro de Memória (CMU), localizador e dados históricos, participação de imagem/vídeo, local e data, autoria e editor de imagem/vídeo. Entre os resultados esteve a implantação do site da CDC, com o acervo dos eventos da Coordenadoria atualizados até setembro. Já se constatou ótima aceitação do projeto, com vasto acesso ao site, que aumenta a cada exposição, indicando o melhor caminho a ser trilhado.