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Folha da Região (Araçatuba, SP)

Região tem baixa emissão de gases poluentes, aponta estudo

Publicado em 08 novembro 2009

A região de Araçatuba tem baixa emissão de gases poluentes (tóxicos) e, devido ao cultivo da cana-de-açúcar, absorve mais gás carbônico (que não é tóxico, mas contribui para o efeito estufa) do que o produzido pelo consumo de energia, incluindo a energia proveniente de combustíveis fósseis. Além de poluir muito pouco, a região é destaque na produção de energia limpa, sendo responsável pela geração de 47% da energia no Estado.

Aqui está instalado um dos maiores complexos hidrelétricos do mundo, totalizando 6.414,1 MW (Megawatts) de capacidade instalada, composto pelas hidrelétricas de Ilha Solteira (3.444 MW), Três Irmãos (807,5 MW), Nova Avanhandava (347,4 MW), Jupiá (1.551,2 MW) e Promissão (264 MW), além das termelétricas, que utilizam a biomassa como fonte de energia.

Os números e as conclusões estão nos trabalhos desenvolvidos pelo PIR (Planejamento Integrado de Recursos Energéticos), resultados da parceria estabelecida entre a Cooperhidro (Cooperativa do Polo Hidroviário de Araçatuba) e a USP (Universidade de São Paulo), com apoio da Fapesp (Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo) para fomentar o desenvolvimento sustentável e o aproveitamento energético da região Oeste do Estado de São Paulo.

De acordo com o trabalho do engenheiro eletricista Evandro Gonçalves Pizeta, a região está em boa condição em relação às emissões e concentrações de gases contaminantes. No trabalho "Avaliação e quantificação de gases contaminantes na região de Araçatuba", apresentado como conclusão de uma das disciplinas do mestrado em engenharia elétrica na Poli/USP, Pizeta destaca as queimadas e a queima de combustíveis fósseis em veículos automotores como as duas principais fontes emissoras de gases poluentes na região. Mesmo assim, "devido à baixa atividade industrial e baixa densidade populacional da região, que reflete na quantidade de veículos em circulação, ainda não se verifica elevada concentração de gases poluentes, sendo a região classificada como não saturada pela Cetesb", diz o trabalho.

Os gases poluentes que merecem maior atenção na região são CO (monóxido de carbono), NOx (óxidos de nitrogênio) e MP (materiais particulados), devido à elevada atividade de queimadas na região. Porém, o nível de emissão dos três gases é classificado como baixo. "Podemos dizer que em uma escala crescente de um a quatro, a região está no primeiro ou no início do segundo quadrante nas emissões desses poluentes", explicou o engenheiro. A geração termelétrica, por apresentar modesta contribuição na emissão de gases poluentes, foi desconsiderada na quantificação. A região apresenta uma capacidade instalada de 71,89 MW, com 68,69 MW de geração por meio de bagaço da cana-de-açúcar e 3 MW de geração diesel, utilizadas apenas em casos emergenciais. Os dados das termelétricas são de 2006, quando havia sete usinas com termelétricas instaladas na região.

De acordo com resolução do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente), considera-se poluente qualquer substância presente no ar e que pela sua concentração possa torná-lo impróprio, nocivo ou ofensivo à saúde. CO, NOx e MP estão entre os poluentes, ao lado do SO2 (dióxido de enxofre), oxidantes fotoquímicos, como o O3 (ozônio) e HC (hidrocarbonetos).