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Diário do Comércio (SP) online

Reforço nas exportações de software

Publicado em 19 julho 2005

Por Por Sandra Silva

O Brasil tem 5.400 empresas que desenvolvem programas. Entretanto, o segmento participa com menos de 1% do PIB nacional

A Agência de Promoção de Exportações do Brasil (Apex) e a iniciativa privada uniram-se neste ano para impulsionar o software brasileiro no exterior e tentar competir com fortes e tradicionais exportadores, como a Índia, por exemplo.
Atualmente, o Brasil tem 5.400 empresas desenvolvedoras de softwares, mas esse segmento representa menos de 1% do PIB nacional. O que é pouco. Para incrementar o setor, a idéia é concentrar as ações de promoção e exportação nos mercados dos Estados Unidos, Alemanha, Japão, China, Espanha, França, Itália e México.
Nos últimos seis meses, a área de tecnologia da informação da Apex promoveu a viagem de empresários brasileiros para a feira Cebit, na Alemanha, e participou de outros quatro eventos, envolvendo ao todo, 48 empresas de software, num total de US$ 78 mil em negócios. No mês passado, a Apex também financiou a viagem de oito empresários dos Estados Unidos, Inglaterra, Japão e Itália para um primeiro contato com toda a cadeia de software do mercado financeiro brasileiro, segundo informações da gerente de TI da Apex, Renata Sanches.
Planos - O próximo passo da agência de promoção é identificar quais são os nichos mais atraentes para a exportação. "Não vamos promover apenas empresas de outsorcing e call center. Estamos estudando verticais da área de TI para trabalhar em outros nichos, como software de aviação e saúde", afirmou Renata.
Esse esforço comercial é necessário, porque a maior parte das empresas de software brasileiras é concebida em universidades, por meio de incubadoras, e têm como sócios profissionais com pouca experiência comercial. As empresas de software brasileiras estão concentradas em pólos tecnológicos nos Estados de São Paulo, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Pernambuco, segundo informações do diretor-executivo do Instituto de Tecnologia de Software (ITS) e vice-presidente da Softex (Sociedade para Promoção da Excelência de Software Brasileiro), Descartes de Souza Teixeira. "Essas empresas estão mais concentradas nos seguintes nichos: automação bancária, telecomunicações, comércio eletrônico, gestão de negócios (ERP) e saúde", afirmou.
Mas desse universo, poucas exportam. Apenas 75 delas estão na ativa no mercado internacional. "A atenção dos empresários brasileiros deve estar voltada para o mercado americano, do México e do Japão, que é o segundo maior comprador de software do mundo", disse o executivo do ITS.
Outro desafio é que a marca Brasil de software ainda é pouco conhecida mundialmente e boa parte dos donos dessas empresas tem pouca experiência empresarial, até para conseguir dinheiro. O que temos a nosso favor? "É uma verdade insofismável que a qualidade do software e a qualificação do profissional brasileiro melhoraram mesmo", afirma Teixeira.
Anjo financeiro - No mercado americano a dificuldade de conseguir capital é solucionada com a figura do "angel", que é um empresário disposto a investir no nascimento de uma nova empresa ("seed money" ou projeto nascente, como é chamado no Brasil). Por aqui, esta figura de anjo ainda não existe e o estudante ou empresário com um novo produto, tem de recorrer às incubadoras, como o ITS e Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), ou a fundos de capital de risco.
"No Brasil, há mais de 200 incubadoras que desenvolvem esse tipo de trabalho e vários fundos de investimento. Mas os jovens empresários ainda preferem as incubadoras, geralmente ligadas a universidades, porque os fundos fazem muitas exigências para liberar capital e não oferecem nenhum acompanhamento tecnológico", explicou.
Segundo Teixeira, apesar da forte concorrência mundial, o Brasil foi pioneiro em sites de busca comparada em lojas, como o Buscapé por exemplo, que iniciou seus negócios no México recentemente. No Orkut, somos a maior comunidade de usuários do planeta. O Brasil também está desenvolvendo uma versão brasileira da certificação para empresas da área de tecnologia (CMMI), que é uma espécie de ISO do setor. O novo sistema é o Modelo de Melhoria de Processos de Software - Brasil (MPS-BR).
Rumo ao México - O diretor-presidente da W3Pro, Geraldo Sicílio, quer fechar sua segunda venda internacional em breve. A primeira exportação da empresa foi para os Estados Unidos, num produto desenvolvido sob encomenda para a parceira americana. Dessa vez, Sicílio está negociando com duas empresas do México o sistema integrado de gestão empresarial (ERP) em IP (Protocolo da Internet).
A empresa de Sicílio foi criada há três anos, em São Paulo, por meio da incubadora do ITS, e tem faturamento anual de R$ 1 milhão. "Temos mais de 50 clientes que utilizam o sistema ERP em internet e um de nossos clientes tem 38 filiais em todo o país", afirmou.
O sistema ERP em internet da W3Pro foi desenvolvido nos idiomas inglês, espanhol e português. Sicílio conta que o serviço foi criado inicialmente em outra plataforma, na época em que ele fez seu mestrado na Universidade de São Paulo (USP). "Inicialmente desenvolvi o ERP em Unisys e Adabas e depois adaptei para internet", afirmou.
O Instituto de Tecnologia de Software (ITS) foi criado em 1997 para oferecer consultoria e cursos ténicos e financeiros a empresas de software, estimular contatos entre o ambiente corporativo e universidades, promover feiras e missões do setor e criar novas empresas do tecnologia, por meio da Incubadora Aceleradora de Empreendimentos. O instituto também faz testes em novos softwares.
No site do ITS, o internauta e interessado em empresas e assuntos do segmento de software pode navegar pelos canais Programa de CMMI (certificação do setor de tecnologia), Empreendedor, Portal do Exportador e Incubadora. A homepage também tem notícias de tecnologia e capital de risco.
O instituto apóia bandeiras como software livre. Entre os objetivos do ITS está o de incrementar em São Paulo a produção e comercialização de software. Outras cidades do cidades do Estado com forte atuação nesse segmento são Campinas (Unicamp), São Carlos (Universidade Federal de São Carlos) e São José dos Campos (ITA).

Serviço
ITS: http://www.its.org.br
Contato: its@its.org.br
Telefone: (11) 5571-6991
Apex: http://www.apexbrasil.com.br
Contato: apex@apexbrasil.com.br
Telefone: (61) 426-0202
W3Pro (Professional Software Solutions): http://www.w3pro.com.br
Contato: atendimento@w3pro.com.br
Telefone: (11) 5574-7789