Notícia

Metropóles

Refluxo pode ser considerado fator de risco para Covid-19, sugere estudo

Publicado em 21 setembro 2020

Por Bethânia Nunes

De acordo com pesquisa preliminar, pacientes com problema gástrico apresentam maior expressão do gene ACE2

Um estudo feito por pesquisadores brasileiros indica que pessoas com distúrbios digestivos associados à acidez estomacal, como o refluxo gastroesofágico e a síndrome de Barrett, correm maior risco de desenvolver formas mais graves da Covid-19 ao serem infectadas pelo novo coronavírus.

De acordo com o artigo, a alteração no pH do tecido esofágico favoreceria o aumento da carga viral determinando uma maior gravidade da doença. Os achados indicam que pessoas com problemas associados à acidez estomacal correm duas vezes mais risco de serem internadas em unidades de terapia intensiva (UTI) e três vezes mais de morrer.

Os pesquisadores analisaram dados de 551 pacientes de Manaus e 806 de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, hospitalizados por complicações associadas à Covid-19. De acordo com eles, os problemas gástricos induziram um aumento na expressão do gene ACE2, responsável por codificar a proteína que o novo coronavírus usa para se ligar e entrar nas células humanas.

Além da observação de pacientes, também foram feitas culturas de células de defesa presentes no sangue em meios com diferentes graus de acidez e incubadas com o vírus por 24 horas. As análises mostraram que as células mantidas em meio mais ácido tinham maior expressão de ACE2 e maior carga viral.

Apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o trabalho foi realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp). Publicada em 11 de setembro na plataforma medRxiv, a pesquisa ainda precisa passar pela revisão de outros especialistas.