Notícia

Helena Degreas

Reflexões sobre espaços livres na forma urbana

Publicado em 16 julho 2018

Reflexões sobre espaços livres na forma urbana / Organização de Silvio Soares Macedo, Vanderli Custódio, Verônica Garcia Donoso. – São Paulo: FAUUSP, 2018.

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OS SISTEMAS DE ESPAÇOS LIVRES NA CONSTITUIÇÃO DA FORMA URBANA CONTEMPORÂNEA NO BRASIL: PRODUÇÃO E APROPRIAÇÃO – QUAPÁ-SEL II

Silvio Soares Macedo, Eugenio Fernandes Queiroga, Ana Cecília de Arruda Campos, Rogério Akamine, Fábio Mariz Gonçalves, Fany Galender, João Meyer, Jonathas M. P. Silva, Helena Silva Degreas, Vanderli Custódio

OS SISTEMAS DE ESPAÇOS LIVRES NA CONSTITUIÇÃO DA FORMA URBANA CONTEMPORÂNEA NO BRASIL: PRODUÇÃO E APROPRIAÇÃO – QUAPÁ-SEL II

Prof. Dr. Silvio Soares Macedo (FAUUSP)

Prof. Dr. Eugenio Fernandes Queiroga (FAUUSP)

Profa. Dra. Ana Cecília de Arruda Campos (PUC-Campinas)

Prof. Dr. Rogério Akamine (Pesq. Lab. QUAPÁ)

Prof. Dr. Fábio Mariz Gonçalves (FAUUSP)

Arq. Fany Galender (Pesq. Lab. QUAPÁ)

Prof. Dr. João Meyer (FAUUSP)

Prof. Dr. Jonathas M. P. Silva (PUC-Campinas)

Profa. Dra. Helena Degreas (Lab. QUAPÁ)

Profa. Dra. Vanderli Custódio (IEB-USP)

Introdução

Este projeto de pesquisa dá continuidade ao Projeto Temático de Pesquisa “Os Sistemas de Espaços Livres e a Constituição da Esfera Pública Contemporânea no Brasil – QUAPÁ-SEL”. Tal projeto foi concluído no quatriênio entre março de 2007 e abril de 2011, foi formulado pelo Laboratório QUAPÁ da FAUUSP e teve como coordenadores nacionais os doutores Silvio Macedo e Eugenio Queiroga (respectivamente coordenador e vice coordenador do Laboratório QUAPÁ). O QUAPÁ-SEL foi apoiado, no Estado de São Paulo, pela FAPESP (Projeto Temático de Pesquisa e bolsas de iniciação científica, mestrados e doutorados, para vários integrantes do projeto, orientados por Macedo e Queiroga), e pelo CNPq (bolsas de produtividade em pesquisa – ambos – e bolsas de iniciação científica para orientandos e da CAPES (bolsas de mestrado e outros auxílios a integrantes do projeto).

O QUAPÁ-SEL criou e consolidou a maior rede nacional de pesquisa na subárea de Paisagismo, contando, atualmente com núcleos de pesquisadores nas seguintes universidades: UFSM, UFSC, UFPR, USP, PUC-Campinas, UFRJ, UFMG, UFES, UFAL, UFPE, UFRN, UNIFOR, UNAMA e UFMS. Nestes núcleos foram realizadas inúmeras pesquisas desde o nível da iniciação científica até mestrados e doutorados. Realizaram-se 23 oficinas de pesquisa em todas as regiões do país e, até 2010, foram cinco Colóquios QUAPÁ-SEL – encontros anuais dos pesquisadores da Rede QUAPÁ-SEL. Os resultados parciais da pesquisa foram publicados na forma de artigos em revistas científicas da área, inclusive em número especial da Revista Paisagem e Ambiente (n. 26); livro organizado por Vera Tângari, Rubens de Andrade e Mônica Schlee (2009) e vários trabalhos apresentados em eventos científicos internacionais – ISUF e IFLA – e nacionais – ENEPEAs, ENANPARQ e ENANPURs.O Laboratório QUAPÁ se constitui dos seguintes pesquisadores, além de seus coordenadores nacionais: Dra. Vanderli Custódio IEB/USP, Dr. Fábio Mariz Gonçalves (FAUUSP), Dr. João Meyer (FAUUSP), Arqta. Fany Galender, Pesquisadora do LAB-QUAPÁ e Prefeitura Municipal de São Paulo, Dr. Rogério Akamine (UNINOVE), Dr. Jonathas M. P. Silva (PUC-Campinas), Dra. Ana Cecília de Arruda Campos (LAB-QUAPÁ- PUC-Campinas), Dra. Helena Napoleon Degreas (FIAM FAAM) e com a colaboração do Ms. Roberto Vignola Jr. Paisagista (LAB – QUAPÁ/Prefeitura Municipal de São Paulo) e do Dr. Manuel Lemes (PUC- Campinas).Pontos de reflexão do projeto Quapá SelConceituação dos espaços livres:

Compreensão das bases técnicas e conceituais dos gestores e as iniciativas de qualificação dos espaços livres – durante o período foram feitas visitas e contatos com entidades gestoras dos espaços livres nas cidades em estudo, ao menos uma por cidade, de modo a avaliar seu papel na constituição dos sistemas e detectar dificuldades, sucessos e conflitos; A estruturação recente dos sistemas de espaços livres em centros urbanos importantes do país; A relação de dependência existente entre os espaços livres públicos e privados; A pertinência dos processos de planejamento dos sistemas de espaços livres vigentes no país. O resultado para nós é bastante satisfatório, de um lado, pois os investimentos em espaços livres são de grande monta, por outro aspecto, se mostrou criticável, pois as estruturas de gestão em geral estão bastante aquém dos investimentos feitos, não conseguindo suportar uma manutenção constante da totalidade dos espaços dos sistemas; A contribuição dos diversos sistemas de espaços livres para a constituição da esfera pública – a discussão do conceito esfera pública e sua relação com alguns dos tipos de espaços públicos; Complementação do banco de dados do laboratório QUAPÁ – durante o período foram criados 100 mapas temáticos principais, especialmente concebidos e desenvolvidos para a pesquisa e a partir deles foram gerados já mais 150 mapas de Foram ainda feitas cerca de 25.000 fotos aéreas e de chão dos sistemas de espaços livres em estudo, que foram incorporadas ao banco de imagens do laboratório. Este material está todo disponível para consulta no Laboratório QUAPÁ e nos núcleos que constituem a rede de pesquisa QUAPÁ-SEL. Revisão dos modelos e conceitos que direcionam o pensamento gerador de planos de espaços livres e afins.

Dos métodos adotados – colóquios e oficinas

O modelo foi aprimorado e sua formatação final já foi inclusive aplicada por outros grupos de pesquisa em Vitória, Florianópolis e Rio de Janeiro. Organizamos pelo Brasil 23 oficinas, uma por cidade pesquisada e duas em São Paulo. Foi feita neste ano de 2011 uma oficina em Porto Alegre complementando em continuidade aos trabalhos da pesquisa.

Os colóquios foram criados pela necessidade de congregar os pesquisadores da rede em um mesmo lugar de modo a se entabular discussão ampla sobre as pesquisas em andamento e estabelecer padronização conceitual e metodológica. Consistem na apresentação de trabalhos e atividades coletivos de ateliê, nos quais são analisados e apresentados mapas temáticos e discutidos conceitos e finalmente apresentação coletiva dos debates. Os colóquios se mostraram eficientes no processo de avaliação do desenvolvimento dos trabalhos e hoje se constituem em evento científico anual do grupo e da rede de pesquisa, já tendo sido feitas oito edições até 2013, três em São Paulo, uma em Curitiba, 2 no Rio de Janeiro e uma em Campo Grande.

Dos mapas temáticos

Foram criados quatro tipos de mapas temáticos, dois referentes aos espaços livres intraquadra em a intensidade de verticalização também intraquadra, executados em ARCGIS e os demais, derivados de mapas síntese produzidos nas oficinas, analisando elementos da paisagem, mancha urbana e características dos espaços livres públicos no sistema de cada cidade, executados em Adobe Ilustrator. Foram elaborados na totalidade mais de 200 mapas temáticos (de verticalização e espaços livres por quadra das 40 cidades estudadas e das regiões metropolitanas de Campinas, São Paulo e Vitória).

A continuidade entre os projetos QUAPÁ-SEL e QUAPÁ-SEL II se dá pela perspectiva do entendimento da importância dos sistemas de espaços livres nas cidades brasileiras e pela necessidade de aprofundamento das questões já levantadas. No primeiro projeto temático buscou-se observar as relações entre tais sistemas, sejam públicos ou privados, e a esfera pública contemporânea brasileira. Durante todo o seu período nos aproximamos e tangenciamos questões ligadas à forma urbana, tanto nos estudos espaciais de legislação, como no entendimento das quadras e seus espaços livres e ainda da paisagem das cidades em questão. Neste projeto a ênfase está nas relações de produção e apropriação que se estabelecem entre os sistemas de espaços livres e a constituição da forma urbana brasileira na atualidade.

Forma Urbana como objeto de pesquisa

A forma urbana se constitui, enquanto sistema, de espaços livres e edificados, públicos e privados, legais e ilegais, acolhedores ou excludentes. É produto social e, ao mesmo tempo, condição para o processo social (LEFEBVRE, 1974). Vários autores vêm se debruçando, no Brasil, sobre os estudos morfológicos na Área de Arquitetura e Urbanismo¹, mas ainda de modo isolado e fragmentado. Mas apesar deste avanço o que se tem nesta primeira década do século é a fragmentação de estudos (PEREIRA COSTA, 2006, 2007 e 2008, TÂNGARI, 2007, p. ex.) e a inexistência no Brasil de novas investigações mais gerais sobre a questão que foi, por motivos diversos, relegada a um segundo plano. Algumas publicações do período detêm-se a aspectos funcionais do desenho urbano, constituindo-se em manuais práticos.²

Existem exceções importantes e, recentemente, o único momento de convergência nacional foi o ISUF – International Seminar of Urban Form realizado em 2007 sob os auspícios da UFMG e de seu grupo de pesquisadores encabeçado por Stael Alvarenga e Marieta Maciel, e o livro organizado por Vicente Del Rio e publicado nos Estados Unidos denominado Contemporary Urbanism in Brazil – Beyond Brasília.

Pretende-se, nesta pesquisa, a (re) união e o debate com o maior número de pesquisadores sobre o assunto, de modo que se tenha uma visão atualizada, crítica e abrangente do estado da arte na realidade brasileira. Esta pesquisa pretende contribuir neste debate, a partir do olhar do sistema de espaços livres, entendendo como elemento ainda fundamental da vida pública.³

Imagina-se, pois, congregar conhecimento e esforços de modo ao entendimento dos padrões tipológicos dos tecidos urbanos brasileiros e de seu papel na constituição dos sistemas de espaços livres e, de modo indireto, na constituição da esfera pública nestes espaços.A forma não tem existência autônoma.4

Esta é a primeira assertiva a se fazer quando se propõe uma investigação sobre qualquer tipo de forma. O reconhecimento da importância da forma no processo socioespacial significa compreendê-la como categoria analítica do espaço.