Grande defensor da floresta brasileira, biólogo americano cunhou o termo ‘biodiversidade’ na década de 1980, popularizando a ideia e levando à sua incorporação na formulação de políticas públicas
O biólogo americano Thomas Lovejoy, um dos mais renomados cientistas do mundo, morreu neste sábado (25) aos 80 anos. Lovejoy dedicou sua vida à pesquisa e à preservação ambiental, em especial à floresta amazônica, onde realizou estudos sobre os impactos do desmatamento. O biólogo morreu em Washington, cidade onde vivia. A causa da morte não foi divulgada.
Formado em biologia pela Universidade de Yale, Lovejoy especializou-se nos estudos sobre florestas tropicais e biomas. Esse caminho o trouxe pela primeira vez ao Brasil no final da década 1960, para estudar o bioma amazônico. Em entrevista à revista Fapesp, em 2015, afirmou que contato com a Amazônia foi o que o levou a conciliar a carreira de cientista à atuação pela conservação ambiental.
Seu trabalho na Amazônia estendeu-se por anos, e ele ajudou a fundar iniciativas importantes como o Centro de Biodiversidade da Amazônia e o Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais, em Manaus, no final da década de 1970. A importância de Lovejoy no Brasil foi tamanha que, em 1988, ele foi agraciado com duas condecorações: a Ordem do Rio Branco e a Ordem do Mérito Científico. Importantes órgãos de conservação ambiental brasileiros, como o Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), lamentaram a morte de Thomas Lovejoy.
A nível mundial, o biólogo ainda é reconhecido por ter cunhado o termo “biodiversidade”, usado pela primeira vez por ele em meados da década de 1980. Segundo ele, a comunidade científica já falava sobre a diversidade de seres vivos, mas ainda não existia um termo que resumisse a ideia. A partir daí, as ideias de “biodiversidade” ou “diversidade biológica” passaram a ser incorporadas até mesmo fora do círculo científico, como na formulação de políticas públicas.
Porta-voz da causa ambiental e um dos especialistas mais proeminentes em biomas e biodiversidade, Lovejoy ocupou cargos importantes à nível mundial. Atuou como conselheiro para biodiversidade para o Banco Mundial e para o Banco Interamericano de Desenvolvimento. Também exerceu atividades na Fundação das Nações Unidas e na Sociedade pela Conservação Biológica. Em seu país, atuou em questões ambientais nos governos dos presidentes americanos Ronald Reagan, George H.W. Bush e Bill Clinton, e Barack Obama.
Da Redação