Notícia

Jornal da USP

Reestruturação, reformas e projetos

Publicado em 23 agosto 2010

Os primeiros meses da gestão da professora Maria Arminda do Nascimento Arruda à frente da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP têm sido marcados pela reorganização da estrutura da Pró-Reitoria. Ao lado dessas mudanças e dos planos para obras e reformas físicas, a pró-reitora alimenta a expectativa de construir novos projetos.

"A vantagem de centralizar as iniciativas e ter uma organização administrativa de outra ordem, além da racionalização, é oferecer um atendimento melhor do gabinete para os órgãos da USP e para a sociedade", diz a professora. Um dos objetivos é concentrar os diferentes programas e órgãos por afinidade de área.

São três os polos nos quais essa reestruturação vem se dando: o das ciências, o das artes e o que Maria Arminda Arruda chama por enquanto de o "dos direitos". Este último reuniria os programas de Direitos Humanos, diversidade sexual, economia solidária, USP Legal, Universidade Aberta à Terceira Idade, Universidade e as Profissões, etc. O plano é reformar os favos da Colmeia que pertencem à Pró-Reitoria (como o que abrigava um restaurante) para transformá-los em sede dessas atividades.

Outro local com reforma prevista é o Anfiteatro Camargo Guarnieri, que, além de continuar recebendo eventos e espetáculos, concentraria todos os órgãos e iniciativas das artes - como a Orquestra Sinfônica, o Coralusp, o Cinusp e o Tusp -, hoje dispersos em diferentes locais.

Já o núcleo fundamental do polo das ciências seria o Parque de Ciência e Tecnologia da USP (Parque Cientec), no bairro da Água Funda, zona sul. É o lugar que a professora considera ideal para instalar a Comissão de Estudos de Problemas Ambientais (Cepa), criada em 1985 para oferecer aos poderes públicos diagnósticos e soluções em temas de meio ambiente. A expectativa é de que a Cepa passe a ter inserção no debate ecológico internacional.

"Um parque daqueles, pertencente a uma universidade, dentro de uma metrópole como São Paulo, é um lugar privilegiado e praticamente um caso único", diz a professora. A pró-reitora imagina também que o Cientec possa abrigar os acervos dos pequenos museus de ciência dispersos em várias unidades da USP.

Vida cultural paulistana - Maria Arminda Arruda quer aprofundar a relação dos órgãos da Pró-Reitoria com a vida cultural da cidade. O Centro Universitário Maria Antonia, na região central de São Paulo, deve intensificar sua presença em festivais de teatro e cinema. Estão em andamento obras de restauro e reforma, nas quais se prevê a criação de uma livraria da Edusp, com um café voltado para a rua. Há planos ainda para o Centro de Preservação Cultural (Casa de Dona Yayá, também no Centro), além da formalização de uma parceria com a Unesp e o Fundo de Solidariedade Social de São Paulo para a realização de eventos culturais no Parque da Água Branca, na zona oeste, projeto que já está em andamento.

Outro projeto em andamento é a organização de um fórum, no final de agosto, para discutir e conceituar a relação entre cultura e extensão no meio universitário. A iniciativa reúne as universidades públicas de São Paulo, inclusive a Univesp e as instituições federais, e terá parceria do Ministério da Cultura. No próximo mês de novembro será realizado o Seminário Proext Cultura SP: Políticas Públicas de Cultura e Extensão Universitária.

Obter mais recursos para os museus da USP também está nos planos da pró-reitora. Maria Arminda Arruda pretende submeter a agências públicas de fomento e a empresas privadas, para captação de recursos via Lei Rouanet, projetos de ampliação de espaço físico e de obras de manutenção e requalificação. "Os acervos da USP são importantíssimos. Temos que zelar com muito carinho por essa riqueza, que é da Universidade e da sociedade", diz a pró-reitora.

Comissões de avaliação - Na área de extensão, a pró-reitora destaca uma inovação já implantada: todos os programas ligados a fomento e bolsas foram submetidos a comissões de especialistas das diferentes áreas, sob coordenação da professora Esmeralda Negrão. Os pedidos de financiamento tiveram seus pareceres de mérito publicados, com vistas a tornar as iniciativas mais transparentes.

"Começamos a operar nos moldes da Fapesp e das agências de fomento. A Universidade tem que trabalhar com base numa estrutura de mérito", defende a pró-reitora. Foram analisados mais de 700 projetos, além de mais de 2 mil pedidos de bolsa via Programa Aprender com Cultura e Extensão. As comissões são formadas por três professores para cada área, sendo que o professor não pode examinar projetos vindos de sua unidade.

Para o ano que vem, Maria Arminda Arruda quer que o Programa Aprender com Cultura e Extensão ofereça bolsas no primeiro semestre, e não apenas no segundo, como ocorre atualmente, o que daria melhores condições aos alunos participantes. Sua proposta, já apresentada ao reitor João Grandino Rodas, é que cada Pró-Reitoria destaque uma cota-parte de suas bolsas para a iniciativa. "São muitos os projetos. Temos que sonhar alto e ousar", conclui a pró-reitora.