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Reduzir quarentena para infectados por COVID-19 para 10 dias é arriscado, diz estudo

Publicado em 19 fevereiro 2021

Em outubro de 2020, o Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês) havia indicado que casos leves e moderados de infectados por COVID-19 poderiam ter a quarentena reduzida de 14 para dez dias. Porém, uma nova pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) sugere que a redução pode ser arriscada.

O estudo foi conduzido pelos pesquisadores do Instituto de Medicina Tropical (IMT-USP), que trabalharam com 29 amostras de secreção nasofaríngea de pacientes com diagnóstico confirmado por teste de RT-PCR.

O material foi coletado em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) de Araraquara no décimo dia após o início dos sintomas e, em laboratório, inoculado em culturas de células.

Em 25% dos casos, o vírus presente nas amostras se mostrou capaz de infectar as células e de se replicar in vitro. Em teoria, portanto, pessoas que tivessem contato com gotículas de saliva expelidas por 25% desses pacientes no período em que o material foi coletado ainda poderiam ser contaminadas.

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Em entrevista à Agência FAPESP, a coordenadora do estudo, Camila Romano, recomendou que os infectados com sintomas leves permaneçam totalmente isolados em casa, sem contato com ninguém, durante todo o período da quarentena.

“Há uma grande pressão para reduzir o tempo de isolamento – tanto por fatores econômicos como psicológicos. Mas, se o objetivo da quarentena é mitigar o risco de transmissão do vírus, 25% [de pacientes com vírus viável] é uma proporção muito alta”, avaliou ela.

Projeto em andamento

Os dados completos da pesquisa foram divulgados na plataforma medRxiv, em artigo ainda sem revisão por pares. O estudo faz parte de um projeto ainda em andamento cujo objetivo é avaliar a transmissão domiciliar do SARS-CoV-2 em Araraquara.  

A cidade localizada no interior do estado de São Paulo decretou lockdown no dia 15 de fevereiro, depois que foi detectada em pacientes locais a nova variante brasileira do vírus, conhecida como P1 e que foi detectada primeiro em Manaus.

Por que 14 dias de quarentena para infectados por COVID-19?  

A quarentena de 14 dias foi estabelecida ainda no início da pandemia com base no tempo médio que leva, após o início dos sintomas, para o novo coronavírus deixar de ser detectado no teste de RT-PCR.

Ainda segundo a Agência FAPESP, os primeiros estudos foram feitos com indivíduos com COVID-19 moderada ou grave e que precisaram ser hospitalizados. “Partiu-se do princípio de que quando a carga viral é tão baixa a ponto de ser indetectável nesse tipo de exame – considerado padrão-ouro para o diagnóstico da COVID-19 – o risco de transmissão torna-se muito pequeno”, explicou Romano.

Estudos posteriores mostraram ser possível detectar o RNA viral nas vias respiratórias pelo teste de RT-PCR por um período até superior a 14 dias. Porém, após o oitavo ou nono dia de sintomas dificilmente se conseguia isolar em pacientes com quadros leves ou moderados o vírus ainda viável, ou seja, com a capacidade de se replicar em células. Por isso, o CDC passou a rever as recomendações referentes ao período de quarentena.

Isolamento intensificado

A especialista explicou ainda que no Brasil, a regra ainda é a quarentena de 14 dias, embora alguns municípios estejam cogitando reduzir para dez dias. Em países como a Suíça, infectados com sintomas leves são liberados do isolamento após apenas sete dias.

“À medida que mais estudos vêm sendo feitos em populações diferentes e com metodologias mais sensíveis, percebemos que ainda é muito cedo para ‘bater o martelo’ sobre o tempo ideal de quarentena. Estamos vendo países sendo atingidos por novas ondas da doença e cada vez menos o isolamento de 14 dias é seguido”, disse a pesquisadora.

Romano reforçou ainda que os resultados obtidos até agora não deixam dúvidas sobre a quarentena de duas semanas completas. “O isolamento, de modo geral, precisa ser intensificado neste momento. Caso contrário, o avanço lento da vacinação exercerá uma pressão seletiva sobre o vírus e favorecerá a emergência de variantes resistentes. Diminuir o isolamento neste momento é extremamente perigoso”.

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