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Brasil Econômico

Redução de poluentes já é realidade em aéreas

Publicado em 15 janeiro 2015

Por Erica Ribeiro

A International Air Transport Association (Iata) anunciou ontem as companhias aéreas que se apresentam mais bem posicionadas e apresentaram êxito nas fases do programa de Avaliação Ambiental Iata (IEnvA). As companhias aéreas Finnair e South African Airways foram as empresas que já concluíram a fase 2 do processo, quando são traçados objetivos e metas para a redução da emissão de gases poluentes. Entre as que estão na fase 1 — que define o quadro de emissões — está o grupo Latam, do qual faz parte a companhia aérea brasileira TAM.

Segundo o estudo “Plano de voo para biocombustíveis de aviação no Brasil”, elaborado pela Fapesp e a Unicamp, a demanda global de combustível de aviação é de aproximadamente 250 milhões de metros cúbicos por ano e o Brasil responde por 3% do consumo global. A pesquisa mostra ainda que o transporte aéreo é responsável por 2% das emissões de dióxido de carbono de origem humana. Mas se o consumo de combustível e as emissões de CO2 continuarem a crescer, o dióxido de carbono gerado pela aviação mundial em 2050 será quase seis vezes a quantidade atual. A meta da Iata é que as empresas reduzam suas emissões à metade até 2050.

Segundo o professor da Unicamp Luis Cortez, a posição do Brasil na produção e no uso do biocombustível de aviação é favorável e já há exemplos em curso.

“No caso do Brasil, temos tudo para ser um grande produtor e o uso do combustível alternativo já é parte da nossa cultura, a partir do etanol. Isso sem contar com o fato de que a indústria desenvolvida nos transforma em um gerador de emprego e renda. Além da cana, a soja e o eucalipto serão a base da produção do combustível de aviação. O preço deverá ficar perto do valor da gasolina. Mas este é um caminho sem volta. O biocombustível no setor aéreo é uma prioridade mundial”, explica ele.

De acordo com Cortez, a Gol é uma das empresas brasileiras que já têm projetos de uso de biocombustível: tem uma rota regular ligando Recife a Fernando de Noronha com a mistura de bioquerosene de cana de açúcar. Em 2012, a Azul Linhas Aéreas fez um voo experimental de Campinas (SP) para o Rio na época da Rio+20.

PONTO-A-PONTO

■ De acordo com o Inventário Nacional de Emissões Atmosféricas da Aviação Civil, divulgado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), enquanto o número de pousos e decolagens da aviação civil brasileira cresceu 75% em nove anos, a expansão das emissões passou de cinco mil toneladas em 2005 para cerca de 6,6 mil em 2013 (32%  de aumento).

■ Segundo a Superintendência de Relações Internacionais da Anac, a modernização da frota brasileira é um dos motivos para o número de emissões estar abaixo do crescimento do setor. Cerca de 83% das emissões são de movimentações domésticas.

Boeing e Embraer inauguram centro de pesquisas em SP

A Boeing e a Embraer inauguraram ontem o Centro Conjunto de Pesquisa em Biocombustíveis Sustentáveis para a Aviação, com o objetivo de consolidar a indústria de biocombustíveis de aviação no Brasil. Instalado no Parque Tecnológico de São José dos Campos (SP), ficará a cargo das duas empresas do setor coordenar e financiar pesquisas com universidades e outras instituições brasileiras. As pesquisas terão como foco o desenvolvimento de tecnologias para a produção de matérias-primas, análises técnico-econômicas, estudos de viabilidade econômica e tecnologias de processamento.

“O Brasil é pioneiro na indústria de combustíveis sustentáveis e será um dos protagonistas da indústria de biocombustíveis e no apoio à conquista das metas ambientais da indústria de aviação”, disse Donna Hrinak, presidente da Boeing Brasil e da Boeing América Latina.

Estudos mostram que biocombustíveis para a aviação emitem uma quantidade menor ao longo de seu ciclo de vida de carbono, de 50% a 80% inferior ao combustível de aviação fóssil. Mais de 1.600 voos comerciais com biocombustível de aviação já foram operados no mundo desde 2011, quando o uso desse tipo de combustível foi aprovado.