Notícia

Jornal do Comércio (RS)

Redução de áreas verdes beneficia mosquitos vetores

Publicado em 24 janeiro 2018

A urbanização e a consequente redução de áreas verdes nas cidades podem ser consideradas uma verdadeira festa para mosquitos vetores de doenças, como o Aedes aegypti (dengue) e o Culex quinquefasciatus (filariose linfática).

Mais adaptados às áreas urbanas, são beneficiados pelo declínio da população de outras espécies de mosquitos. No município de São Paulo, essa relação não é diferente. Foi o que comprovou um estudo feito por pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo no âmbito do programa Fapesp de Pesquisas em Caracterização, Conservação, Restauração e Uso Sustentável da Biodiversidade (Biota-Fapesp). Com a colaboração do Centro de Controle de Zoonoses e do Departamento de Parques e Áreas Verdes do município, foram coletados 37.972 espécimes da família Culicidae, que compreende espécies conhecidas popularmente como pernilongos.

As análises posteriores feitas em laboratório mostraram que eles pertenciam a 73 espécies e 14 gêneros diversos. Embora a coleta – feita em nove parques monitorados pelo estudo – indique uma rica diversidade de espécies na cidade, o estudo mostrou que existe problema quanto à distribuição e composição dessas espécies nas áreas verdes do município. Entre os resultados divulgados em artigo na Scientific Reports está a constatação de uma tendência à redução de espécies de mosquitos. Com isso, vetores de patógenos que causam doenças em humanos acabam sendo beneficiados adaptativamente. Dos insetos coletados no estudo, 68% pertenciam a cinco espécies: Culex nigripalpus, Aedes albopictus, Cx. quinquefasciatus, Ae. fluviatilis e Ae. scapularis. Outras espécies de vetores Cx. declarator, Ae. aegypti, Cx. chidesteri, Limatus durhami e Cx. lygrus também foram encontradas com maior frequência nos parques urbanos.

Existe relação entre o tamanho das áreas verdes e a diversidade das espécies. As áreas verdes menores tendem a possuir um subconjunto das espécies encontradas em áreas verdes maiores, havendo uma tendência para que a fauna de mosquitos nas áreas menores seja formada principalmente por vetores”, disse um dos autores do estudo, Antônio Ralph Medeiros-Sousa, doutorando na Faculdade de Saúde Pública da USP, com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.