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Redes em ecologia: teoria, métodos e aplicações são tema de Escola São Paulo de Ciência Avançada

Publicado em 17 setembro 2011

Cursos avançados reunirão estudantes e professores brasileiros e de 12 países, de 16/9 a 25/9 em São Pedro (SP).

"Redes em Ecologia" é uma das áreas de maior interesse e grande potencial de aplicação, na pesquisa ecológica recente. Além de servirem para descrever sistemas muito complexos de interações em comunidades naturais, redes ecológicas podem ser analisadas quanto a sua sensibilidade ou vulnerabilidade a diferentes tipos de alterações, como mudanças climáticas. Além disso, permitem analisar a organização de fragmentos de florestas naturais remanescentes dentro de paisagens ocupadas e modificadas pela atividade humana, seja agricultura, seja pela urbanização.

A explicação é de Thomas Lewinsohn, professor do Instituto de Biologia da Unicamp, coordenador geral da Escola São Paulo de Ciência Avançada sobre Redes em Ecologia e presidente da Associação Brasileira de Ciência Ecológica e Conservação (Abeco). De 16 a 25 de setembro, no Hotel Colina Verde, em São Pedro, São Paulo, 40 estudantes (20 brasileiros e 20 estrangeiros de 12 países) e 11 professores da Argentina, Espanha, Estados Unidos, Canadá, e Brasil (Unicamp, USP, Unesp Rio Claro e Universidade Federal de Lavras) participam da Escola, que funcionará em regime intensivo. Além de Thomas Lewinsohn, o grupo de coordenação da Escola São Paulo de Ciência Avançada so bre Redes em Ecologia inclui Paulo Inácio Prado e Paulo Guimarães, do Instituto de Biociências da USP.

Redes em Ecologia- Com Apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), a Escola Redes em Ecologia utiliza um formato inovador nesse tipo de projeto, aproveitando a tradição internacional de Cursos de Campo em Pós-Graduação em Ecologia, incorporada aos programas brasileiros. Para isso, combina aspectos teóricos e práticos, por meio de palestras e seminários de pesquisa dos docentes. "Os alunos farão apresentações de seus projetos ou pesquisa em andamento de duas maneiras: em sessões de painéis (pôsteres) e em masterclasses, em que os projetos serão debatidos em pequenos grupos por docentes e outros alunos", informa Lewinsohn.

Além disso, serão realizados exercícios de análise de dados e formulação de hipóteses, conduzidos por docentes e monitores nos primeiros dias. "Os alunos concluirão a Escola desenvolvendo projetos intensivos, em equipe, sob supervisão dos docentes pesquisadores. Esses projetos incluirão análises de dados reais, modelagem e simulação, sobre problemas propostos pelos alunos ou pelos docentes. Os resultados dos trabalhos poderão ter desdobramentos em novas pesquisas ou em artigos científicos.

Durante a Escola, dois temas serão enfocados em maior profundidade: Interações entre espécies em comunidades ecológicas e Redes espaciais relacionadas com a conservação e a recuperação da biodiversidade. No primeiro caso, as interações podem ser representadas e analisadas como redes dinâmicas de relações entre espécies. Vários tipos de relações ecológicas são investigados dessa forma: redes de plantas e animais polinizadores ou dispersores; redes de animais herbívoros e plantas, de parasitos e espécies hospedeiras, entre outros.

As redes espaciais são analisadas quanto à estrutura e arranjos espaciais de diferentes elementos em paisagens. O planejamento de redes de reservas, a manutenção ou restauração de corredores florestais, entre outros, têm sido importantes linhas de aplicação nos recentes estudos dessas áreas da Ecologia.

Pesquisa interdisciplinar- De acordo com o pesquisador da Unicamp, na última década, a Ecologia tem incorporado novas abordagens e ferramentas teóricas produzidas na Física, com destaque para a Teoria de Redes Complexas. Por esta razão, a área de pesquisa é fortemente interdisciplinar.

O corpo docente da Escola "Redes de Ecologia" reflete o caráter interdisciplinar da área. A Escola combina pesquisadores e alunos de diferentes formações e interesses: biólogos que realizam pesquisa de campo, biólogos com formação matemática, e físicos interessados em aplicações em Ecologia.

Além dos coordenadores da Escola, os docentes convidados com participação plena, são os professores: Jordi Bascompte, da Estación Biológica de Doñana, CSIC (Consejo Superior de Investigaciones Científicas), Espanha; Marie-Josée Fortin, da Universidade de Toronto, Canadá; Timothy H. Keitt, da Universidade do Texas, em Austin, Estados Unidos; Diego Vázquez, do Instituto Argentino de Zonas Áridas, CONICET, em Mendoza, Argentina; Stefano Allesina, da Universidade de Chicago, Estados Unidos; Jean Paul Metzger, do Departamento de Ecologia do Instituto de Biociências da USP; Mauro Galetti, do Departamento de Ecologia da Universidade Estadual Paulist a (UNESP-Rio Claro); Lucas Del Bianco Faria, do Departamento de Biologia da Universidade Federal de Lavras.

Participam, ainda, os físicos teóricos Marcus A. M. Aguiar, do Instituto de Física Gleb Wataghin da Unicamp e Luciano da F. Costa, do Instituto de Física da USP de São Carlos, que apresentarão palestras sobre temas próximos ao foco central da Escola.

A Escola foi anunciada a partir de fevereiro de 2011 em revistas brasileiras e internacionais, incluindo Nature, Trends in Ecology and Evolution, Frontiers in Ecology and Environment. Quase 300 candidatos doutorandos e pós-doutores de todo mundo concorreram aos cursos. Foram selecionados 40 participantes, 20 dos quais são brasileiros de diferentes instituições do país e 20 estrangeiros de 12 países, entre eles, Argentina, Chile, Estados Unidos, Canadá e Austrália. Ao todo, entre pesquisadores docentes, alunos e monitores, serão 56 participantes.

A Escola São Paulo de Ciência Avançada sobre Redes em Ecologia é realizada com o apoio da FAPESP, Abeco e dos Programas de Pós-Graduação em Ecologia da Unicamp e da USP. A iniciativa também recebeu apoio da Conservação Internacional do Brasil e da Editora Metalivros.

Escola São Paulo de Ciência Avançada sobre Redes em Ecologia, de 16/9 a 25/9/2011, no Hotel Fazenda Colina Verde, São Pedro (SP), telefone (19)3481-9999.