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Redes em Ecologia é o tema da nova Escola de Ciência Avançada da Fapesp

Publicado em 15 setembro 2011

"Redes em Ecologia" é uma das áreas de maior interesse e grande potencial de aplicação, na pesquisa ecológica recente. Além de servirem para descrever sistemas muito complexos de interações em comunidades naturais, redes ecológicas podem ser analisadas quanto a sua sensibilidade ou vulnerabilidade a diferentes tipos de alterações, como mudanças climáticas. Além disso, permitem analisar a organização de fragmentos de florestas naturais remanescentes dentro de paisagens ocupadas e modificadas pela atividade humana, seja agricultura, seja pela urbanização.

A explicação é do professor Thomas Lewinsohn, do Instituto de Biologia da Unicamp, coordenador geral da Escola e presidente da Associação Brasileira de Ciência Ecológica e Conservação (Abeco). De 16 a 25 de setembro, no Hotel Colina Verde, em São Pedro, SP, 40 estudantes (20 brasileiros e 20 estrangeiros de 12 países) e 11 professores da Argentina, Espanha, Estados Unidos, Canadá, e Brasil (Unicamp, USP, Unesp Rio Claro e Univ. Fed. Lavras)participam da Escola, que funcionará em regime intensivo. Com o prof. Lewinsohn, os professores Paulo Inácio Prado e Paulo Guimarães, do Inst. de Biociências da USP coordenam a Escola.

Redes em Ecologia - A Escola "Redes de Ecologia" utiliza um formato inovador neste tipo de projeto, aproveitando a tradição internacional de Cursos de Campo em Pós-Graduação em Ecologia, incorparada nos programas brasileiros. Para isso, combina aspectos teóricos e práticos, por meio de palestras e seminários de pesquisa dos docentes. Os alunos farão apresentações de seus projetos ou pesquisa em andamento, de duas maneiras: em sessões de painéis ("posters") e em "master classes", em que os projetos dos alunos serão debatidos em pequenos grupos por docentes e outros alunos", informa Lewinsohn.

Além disso, serão realizados exercícios de análise de dados e formulação de hipóteses, conduzidos por docentes e monitores nos primeiros dias. "Os alunos concluirão a Escola desenvolvendo projetos intensivos, em equipe, sob supervisão dos docentes pesquisadores. Estes projetos incluirão análises de dados reais, modelagem e simulação, sobre problemas propostos pelos alunos ou pelos docentes. Os resultados dos trabalhos poderão ter desdobramentos em novas pesquisas ou em artigos científicos.

Durante a Escola, dois temas serão enfocados em maior profundidade: a) Interações entre espécies em comunidades ecológicas e b) Redes espaciais relacionadas com a conservação e a recuperação da biodiversidade. No primeiro caso, as interações podem ser representadas e analisadas como redes dinâmicas de relações entre espécies. Vários tipos de relações ecológicas são investigadas dessa forma: redes de plantas e animais polinizadores ou dispersores; redes de animais herbívoros e plantas, de parasitos e espécies hospedeiras, entre outros.

No caso das redes espaciais, estas são analisadas quanto à estrutura e arranjos espaciais de diferentes elementos em paisagens. O planejamento de redes de reservas, a manutenção ou restauração de corredores florestais, entre outros, têm sido importantes linhas de aplicação nos recentes estudos dessas áreas de Ecologia.

Pesquisa interdisciplinar - De acordo com o pesquisador da Unicamp, na última década, a Ecologia tem incorporado novas abordagens e ferramentas teóricas produzidas na Física, com destaque para a Teoria de Redes Complexas. Por esta razão, essa área de pesquisa é fortemente interdisciplinar.

O corpo docente da Escola "Redes de Ecologia" reflete o caráter interdisciplinar da área. A Escola combina pesquisadores e alunos de diferentes formações e interesses: biólogos que realizam pesquisa de campo, biólogos com formação matemática, e físicos interessados em aplicações em Ecologia, entre outros.

Durante a realização da Escola de Ecologia, a Diretora de Área de Biologia da Fapesp, Patrícia Brant Monteiro, apresentará aos participantes as oportunidades de fomento de pesquisa e programas de colaboração internacional da instituição. O Programa ESPCA - Escola São Paulo de Ciência Avançada, iniciado pela Fapesp em 2010, é um programa em que áreas de ponta de Ciência e Teconologia são expostas a pós-graduandos e jovens doutores de todo o mundo, por meio de apresentações e contato com cientistas que representam lideranças mundialmente reconhecidas, do exterior e do Brasil.

Alunos participantes - A Escola foi anunciada amplamente desde fevereiro de 2011, em revistas brasileiras e internacionais, incluindo Nature,Trends in Ecologyand Evolution, Frontiers in Ecology and Environment. Foi também divulgada pelo site da Escola e pela Agência Fapesp.

Quase 300 candidatos doutorandos e pós-doutores de todo mundo concorreram à Escola. Foram selecionados 40 participantes, 20 dos quais são brasileiros de diferentes instituições do País e 20 estrangeiros de 12 países, entre eles, Argentina, Chile, Estados Unidos, Canadá e Austrália. Ao todo, entre pesquisadores docentes, alunos e monitores, serão 56 participantes.

A participação de todos docentes e alunos é inteiramente custeada pela Fapesp. A Escola de Redes em Ecologia é realizada com o apoio da ABECO e dos Programas de Pós-Graduação em Ecologia da Unicamp e da USP. Recebeu ainda apoio da Conservação Internacional do Brasil e da Editora Metalivros. Abaixo o currículo resumido dos docentes e programa completo da Escola, em anexo.

Mais informações com o professor Thomas, na Unicamp, pelos telefones (19) 32874424/35216333.

(Labjor - Unicamp)