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Agência Gestão CT&I

Rede Zika define prioridades e estratégias para combater o vírus

Publicado em 22 fevereiro 2016

Um grupo de 50 pesquisadores tem desenvolvido um plano científico e operacional para a Rede de Pesquisa sobre Zika Vírus em São Paulo – informalmente conhecida como Rede Zika. Eles elencaram as perguntas científicas mais relevantes a serem respondidas por futuros projetos do grupo. Além disso, foi proposta a divisão da rede em subgrupos temáticos, para os quais serão definidos coordenadores a fim de facilitar a comunicação e o intercâmbio de resultados.

“É um momento único que estamos vivendo. Não é comum no Brasil haver uma integração de esforços científicos em torno de um objetivo tão claro como esse. Mas é preciso uma integração sem vaidades. Colocar nosso conhecimento a serviço dessa causa”, afirmou a pró-reitora de pesquisa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Gláucia Pastore.

Um dos pontos destacados pelos pesquisadores foi a necessidade de desenvolver um exame sorológico capaz de identificar, em poucas horas, a presença de anticorpos contra o vírus Zika em amostras de sangue. Esse tipo de teste é capaz de mostrar se um indivíduo já foi infectado mesmo após passada a fase aguda da doença. Os testes sorológicos hoje disponíveis podem dar um resultado falso-positivo caso o indivíduo já tenha sido infectado pelo vírus da dengue, pertencente à mesma família dos flavivírus.

Tal ferramenta, segundo os cientistas, é essencial para responder outras questões estratégicas para qualquer plano de ação: qual é exatamente o tamanho da epidemia? Qual é a porcentagem de gestantes no grupo de infectados? E, entre as gestantes, quantas terão bebês com problemas neurológicos decorrentes da infecção congênita?

Entre os membros da Rede Zika que trabalham no desenvolvimento de métodos diagnósticos está Clarisse Machado, do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo (IMT-USP). Seu grupo conseguiu avanços na realização de uma reação sorológica conhecida como Western-blot. “Identificamos um padrão específico do vírus Zika, sem cruzar com o vírus da dengue. Estamos num bom caminho, mas ainda trabalhamos com o antígeno bruto do vírus. O resultado deverá ficar melhor quando tivermos acesso a antígenos recombinantes, que são mais puros e mimetizam melhor as condições existentes no organismo”, comentou Machado.

Testes moleculares do tipo PCR em tempo real, capazes de diagnosticar em poucas horas o DNA do vírus em secreções corporais na fase aguda da doença, já foram desenvolvidos por diversas equipes da Rede Zika, entre elas a da professora Clarice Arns, da Unicamp. “Com essa metodologia conseguimos, por exemplo, identificar o primeiro caso de transmissão por transfusão sanguínea ocorrido em Campinas. No entanto, eles não são capazes de identificar uma pessoa que já teve a doença após passada a fase aguda”, contou a pesquisadora.

No grupo de cientistas dedicados a estudar o mosquito vetor, foi destacada a necessidade de estudos sobre a interação entre o Aedes aegypti e o vírus Zika para entender se a dinâmica de transmissão se assemelha à do vírus da dengue. Eles também ressaltaram ainda a importância de estudar a competência da espécie Aedes albopictus para disseminar o vírus.

(Agência Gestão CT&I, com informações da Fapesp)