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Computerworld Brasil

Rede é dinheiro

Publicado em 01 fevereiro 2007

Diariamente, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego, circulam por São Paulo cerca de 3,5 milhões de veículos, que congestionam as ruas da cidade. É na falta de um planejamento viário adequado e da conseqüente desorganização da infra-estrutura de transporte urbano para atender a Lima demanda crescente que reside a principal razão dos engarrafamentos, que já viraram rotina. A caótica realidade, no entanto, não é privilégio dos paulistanos. Depois da convergência de dados, voz e imagem, muitas empresas passaram a assistir a quedas em suas sobrecarregadas redes, já que a quantidade de informações, assim como a de carros, não pára de crescer.
Organizações que planejam e gerenciam suas infra-estruturas de forma adequada, em geral, desenvolveram um plano diretor — ou melhor, um plano estratégico — e por isso conseguem prever com acuidade o avanço do tráfego, a necessidade de aumento de banda e de links. Enfim, são mais capacitadas para manter suas redes sempre disponíveis.
Chegar a tal situação exige muita atenção aos detalhes e investimento em tecnologia. Na rede de lojas Zara, a iniciativa que resultou na implementação de uma solução de gerenciamento de dados e voz começou com a necessidade de reduzir custos com telecomunicações. "Esse era o objetivo central, mas percebemos que também era possível oferecer mais disponibilidade e velocidade no tráfego de informações, além de incrementar as aplicações de voz", relata Bruno Verussa, ge rente de tecnologia da Zara.
Com o projeto já em operação, o executivo conta que houve uma redução de 40% com telefonia e de 30% nos gastos com infra-estrutura — antes a empresa tinha os links descentralizados, o que encarecia o custo de gerenciamento, "A nossa disponibilidade é um exemplo do resultado. Havia quedas em pelo menos uma loja por mês e atualmente registramos apenas duas quedas na rede por ano. Para melhorar; o tempo em que a rede permanece fora do ar é muito menor", relata.
Para chegar a tal resultado, no entanto, foi realizado um projeto que alertou a empresa pa ra as necessidades frituras. "Foi preciso realizar uma adequação na estrutura. Aumentamos a banda das lojas para 256 Kbps porque hoje trafegam por ali, além dos dados, voz e outros ser viços que adicionamos, como e-mail, consulta ao catálogo de produtos e até músicas, o que nos poupou o envio de CDs para cada unida de", conta. Por fim, a velocidade no atendi mento aos clientes também melhorou — mais um fator que contribuiu para o retorno do investimento acontecer em cerca de seis meses.
"Realizamos um projeto de homologação com avisa que resultou na aceleração do tempo de resposta na transação com cartões", explica.

Sempre a parceria
Gerenciar uma rede própria local e uma externa terceirizada também não representa um problema na Zara.Verussa afirma que a equipe interna é formada por três pessoas, que contam como apoio da área de tecnologia da matriz na Espanha, e que aVPN (rede virtual privada) é gerenciada pela Diveo. "Quando se tem um bom relacionamento com o parceiro, nada é muito complicado. Ao contrário, eles nos auxiliam a resolver os imprevistos", garante.
Uma relação de confiança também é o que preza o gerente de tecnologia da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), Hilton Dias.
O parceiro é fundamental para trazer o conhecimento que é inviável transmitir para cada um dos funcionários, até porque temos diversas necessidades em outras áreas da TI", comenta, O executivo concluiu, em conjunto com um revendedor da Websense, no final de 2006, uma iniciativa que diminuiu o acesso a sites não relacionados à educação de 80% pa ra 30%. "Os professores pediam bloqueio de sites porque durante as aulas os alunos só visitavam páginas improdutivas, que não diziam respeito à disciplina. E também havia quem solicitasse relatório sobre o comportamento dos funcionários porque estava duvidando da produtividade", relata Dias.
Tal realidade causou uma sobrecarga nos recursos da universidade. A área de TI ainda precisava lidar com uma questão muito além da tecnologia. "Como a Unisc é uma universidade democrática, porque somos uma instituição comunitária [não é privada nem é do Estado, é controlada por um grupo de mantenedoras], soou estranho restringir acessos e levou bastante tempo para a inicia tiva ser aprovada", detalha.
Como estratégia de convencimento, Dias montou um projeto piloto por trinta dias e pode comprovar o uso indevido da rede. "Depois daquilo, evitamos novos investimentos em aumento de links e em outros equipamentos durante dois anos e agora só precisaremos ampliar porque acrescentamos serviços, como ensino a distância", explica o executivo.
Por sua vez, na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) — que provê acesso à internet para USP, Unicamp, Unifesp, Unesp e outras universidades localizadas no estado—, a administração sempre foi, segundo sua própria avaliação, muito eficaz. De acordo com Jorge Yamamoto, coordenador técnico da ANSP (Academic Network at São Paulo), prova é que a rede existe desde 1989, quando a conexão era de 4.800 bits por segundo, e hoje sua infra-estrutura suporta 700 Mbps, acumulando cada vez mais usuários. Pr ra chegar até esse ponto, nada de grandes contratempos. Quando percebeu que o espaço estava restrito, a Fapesp investiu aproximada mente 300 mil reais na transferência do data center — o espaço anterior já não comportava a quantidade de máquinas — e na implementação de um sistema de gerenciamento remoto. "Hoje a equipe fica em um local e os servidores em outro. Para isso foi fundamental invéstir na administração a distancia", explica.
A migração, que foi realizada com auxilio da fornecedora de soluções de acesso e gerencia mento Avocent, aconteceu antes que as falhas e a disponibilidade começassem a tornar-se problema. "Temos uma estatística de uso da rede em que podemos ver o crescimento e as tendências para os próximos anos e, assim, com antecedência, começamos a negociar com o provedor. Até o final deste ano acreditamos que a demanda vá chegar a 1 Gbps e vamos nos preparar para isso", conta.

Pessoas, sempre pessoas
Os executivos das três empresas, apesar de terem vivido diferentes experiências, concordam que somente o investimento em tecnologia não é suficiente. Mesma opinião têm os fornecedores do mercado de infra-estrutura. OCO da Diveo, Rodrigo de Oliveira, acredita que as pessoas são fundamentais para um planejamento capaz de detalhar a necessidade da empresa, os riscos que a companhia pode correr, os sistemas que vai usar e quantos usuários serão atendidos." O mais importante é a associação das melhores tecnologias e de ótimos profissionais", resume.
Talvez por isso a maioria dos fornecedores desse setor percebeu o quanto é fundamental incluir serviços em sua oferta, além de manter o apoio ao cliente. "Procuramos fazer ações preventivas e temos diversos pacotes de ofertas para auxiliar as empresas a medir os problemas técnicos, analisar as rotinas e manter a qualidade de suas redes", explica o diretor regional da Damovo, Ivo Murcia.
Para chegar a essa conclusão, as companhias precisaram identificar as necessidades mais corriqueiras dos clientes. "O problema mais comum que os leva a nos procurar é o consumo de banda excessivo e abaixa produtividade.Afinal, nada pior do que precisar da rede para acessar informações relacionadas ao trabalho e ela estar indisponível", afirma o gerente de desenvolvimento de canais para a América Latina da Websense, Marcos Prado.
A razão pela qual a T-Systems pro curou ajuda, entretanto, foi um pouco diferente."Precisávamos de uma solução de balanceamento de rede que gerasse mais capacidade de tráfego", explica o gerente de arquitetura e soluções da corporação, Luiz Hiraya ma. A companhia, que fornece soluções de TI e comunicações, nesse caso se tornou a cliente e acabou contratando a Radware para ampliar a capacidade de negócios para os três clientes de WAN que possui e os sete de LAN. "Antes nossa capacidade de tráfego era de 24 Mbps e agora é quatro vezes maior, com 102 Mbps", afirma, citando o mais destacado resultado da solução LinkProof.
Mas o principal beneficio foi a redução significativa das quedas de rede para os usuários. "Isso acontecia por causa da falta de balanceamento. Às vezes, o cliente tinha dois links e op tava, por exemplo, por ter um deles atendendo ao primeiro e ao segundo andar de seu prédio e o outro ao terceiro e ao quarto. Uma queda significava parada de uma parte da empresa", ilustra. Depois do investimento, um link passou a compensar o outro. "A performance até pode ser prejudicada, mas o acesso às informações fica garantido", comemora.
Todos esses investimentos e preocupações com a disponibilidade e capacidade da rede, segundo Avocent, Damovo, Diveo, Websense e também os usuários, se explicam com a máxima"tempo é dinheiro". Não restam dúvidas de que a improdutividade dos funcionários, assim como a falta de acesso aos dados, sem piedade, afeta diretamente os negócios.