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Recursos naturais têm impacto menor

Publicado em 07 março 2009

Entre 1996 e 2008 quando ainda vigorava o quadro de estabilidade na economia mundial, as exportações dos bens baseados em recursos naturais e em ciência foram as que menos sofreram com variações das taxas de câmbio e juros e as mais favorecidas pelo crescimento dos principais parceiros comerciais do Brasil. A conclusão é de um estudo que analisou os efeitos do câmbio e dos juros sobre as exportações da indústria naquele período.

A pesquisa mostrou ainda que esses setores ganharam participação nas exportações brasileiras. Entretanto, os bens intensivos em ciência ainda correspondem a uma parte pequena do total.

O segmento dos produtos baseados em recursos naturais corresponde às indústrias de extração mineral, cimento, alimentos e madeira, entre outras. Os produtos com base em ciência se referem às indústrias eletrônica, farmacêutica e aeronáutica, entre outras.

O estudo foi feito por Luciano Nakabashi, Marcio José Vargas da Cruz e Fábio Dória Scatolin, todos professores do Departamento de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

O objetivo foi analisar a relação das taxas de câmbio, de juros e do crescimento mundial sobre o total das exportações brasileiras e de sua composição, durante os 12 anos que antecederam o atual quadro de crise econômica.

De acordo com Nakabashi, as três variáveis afetam não somente o montante exportado por um país, mas também sua composição. A importância da análise, segundo ele, é destacar a relação existente entre a composição e o dinamismo do setor exportador ou seja, a relevância desse setor em um processo de crescimento econômico de longo prazo.

Essa importância do setor exportador sobre o desempenho econômico está relacionada à restrição externa, visto que o processo de crescimento econômico envolve, automaticamente, uma elevação das importações, disse à Agência Fapesp.

O pesquisador destaca que o estudo foi feito antes da atual crise econômica mundial, que mudou completamente os rumos da economia, mas que a análise sobre o período anterior permanece válida e é importante para o entendimento dos processos a longo prazo.

No estudo, foram analisados os impactos do câmbio e dos juros na dinâmica do setor exportador em cinco segmentos da economia, de acordo com a intensidade tecnológica: recursos naturais, trabalho, escala, diferenciação e ciência.

No período de junho de 1996 a fevereiro de 2008, as exportações dos bens baseados em recursos naturais passaram de 40% para quase 50%, enquanto as exportações baseadas em ciência passaram de 1,06% para 4,20%, considerando a média móvel dos últimos seis meses de cada ano.

No entanto, segundo Nakabashi, apesar do ganho de participação nas exportações dos bens intensivos em ciência durante o período estudado, a importância deles ainda é muito pequena em relação ao total das exportações.

A taxa de câmbio é importante para o desempenho das exportações, uma vez que altera o resultado do setor externo ao induzir mudanças nos preços relativos dos bens domésticos em relação aos estrangeiros, além de atuar na determinação da estrutura produtiva da economia, ao passo em que alguns segmentos e setores são mais sensíveis à competitividade via preços, disse.