Notícia

Exclusivo online

Recursos financeiros para projetos inovadores em foco

Publicado em 23 agosto 2013

O assessor de Projetos da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Robson Constante, foi um dos palestrantes do 5º Workshop de Negócios e Inovação, ocorrido no Instituto Federal de Birigui/SP entre os dias 20 e 21. Sob o tema de gestão de projetos inovadores e recursos financeiros, o representante da entidade falou no segundo dia do evento, que movimentou a cidade do interior paulista.

Provocativo, Constante explicou o conceito de inovação para uma plateia de empresários, gestores e pesquisadores, ressaltando que é preciso estimular a cultura da criatividade na sociedade. "Infelizmente, a escola já não provoca o pensamento, a inovação", disse. Segundo ele, é preciso que o empresário "arrume um tempo para pensar em inovação" diariamente. Ilustrando que, apesar da maioria das empresas citar a inovação como um processo relevante, poucas investem em processos diferenciados.

Conforme pesquisa da ANPEI (Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento de Empresas Inovadoras), realizada com 22 mil empresas brasileiras, embora 79% das empresas acreditem que inovar é necessário, menos da metade delas realmente investe no quesito. Quando segregadas as empresas de micro e pequeno portes, apenas 10% apostam em inovação. "Existe muito desconhecimento das fontes de recursos para projetos inovadores. No Brasil, todos os anos, sobram recursos por falta de bons projetos", ressaltou Constante.

FONTES - O palestrante listou algumas das principais agências de fomento do Brasil, instigando as empresas na busca das fontes disponíveis com projetos bem desenvolvidos, especialmente com apoio da academia, institutos e entidades especializadas. "A Abicalçados auxilia no desenvolvimento de projetos para a indústria calçadista", informou. Entre as agências, destaque para as fundações da amparo a pesquisa (FAPERGS/RS, FAPESP/SP, FAPMING/MG, entre outras), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) e Senai/Sesi, este último com edital de mais de R$ 30 milhões vigente. "Grande parte dos recursos não são reembolsáveis, como boa parte dos editais da Finep, BNDES, as consultorias do Sebrae, entre outros", destacou.

Constante recomendou, ainda, que as empresas busquem parceiros com expertise para elaboração de projetos específicos, aumentando exponencialmente as possibilidades de sucesso. "Algumas grandes empresas cobram um percentual do valor do projeto aprovado. É uma dica importante", apontou. O especialista destacou também a importância da gestão dos projetos, mesmo depois de aprovados. "As agências, especialmente do governo, costumam ser muito rigorosas quanto à prestação de contas do uso dos recursos. Se não usar adequadamente, a empresa devolve", alerta, acrescentando que é importante que se designe um representante do quadro para o acompanhamento do projeto.

PRÁTICA - No final da exposição, Constante apresentou um edital do CNPq com algumas dicas de interpretação para a leitura adequada do mesmo. "É preciso ter muita atenção, especialmente no caso da elegibilidade - muitas empresas fazem todo o projeto e depois notam que são estão no escopo de abrangência do benefício -, prazos e formatos de submissão, entre outros", concluiu o assessor da Abicalçados.

"Ficou mais claro"

A avaliação é do coordenador técnico da Klin, indústria de calçados infantis de Birigui, Cláudio Luis Costa, Segundo ele, a empresa deve investir pesado em processos inovadores com a atual estabilidade do mercado de calçados. "Nos últimos cinco anos, a empresa, que sempre foi inovadora, acabou afastada por questões de competitividade, mas a meta é voltar a investir forte em inovação", apontou o técnico. "A clareza da exposição acendeu a vontade de ir atrás de parceiros para colocar em prática esses projetos", avaliou Costa.

Para Michele Ferranti, diretora da indústria Dedinho do Pé, também de Birigui, a iniciativa foi muito importante para trazer conhecimento aos calçadistas locais. "A exposição foi muito boa, agora cabe a nós procurar criar produtos inovadores no segmento", disse a empresária.

Com o objetivo de contribuir para a difusão da cultura de inovação no Estado de São Paulo, o Workshop trouxe uma programação intensa com debates sobre empreendedorismo e sua relação com processos inovadores. Em paralelo, ocorreu também o 4º Congresso de Iniciação Científica e Tecnológica do IFSP e a 5ª Vitrina de Inovação Tecnológica.

A promoção do evento foi do Instituto Federal de São Paulo, com o apoio do Sebrae/SP, Prefeitura Municipal de Birigui, CTI Renato Archer, Unesp, Sinbi/Unisinbi, Faculdade Metodista, Ciesp e Senai.

Redação Exclusivo On Line