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Reciclar Verde é o primeiro sistema de bioeconomia criado pelo Agropolo Campinas

Publicado em 07 agosto 2017

A Prefeitura de Campinas inicia agora, em agosto, a construção de um sistema de compostagem para transformar 200 toneladas diárias de resíduos urbanos vegetais em compostos orgânicos – algo em torno de 70 toneladas de adubo – que serão utilizados em áreas do município e em culturas do Instituto Agronômico (IAC), vinculado à Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, parceiro no projeto.

Batizado com o nome de Reciclar Verde, o sistema é o primeiro resultado do projeto Agropolo Campinas – Brasil, apoiado pela FAPESP no âmbito do Programa Pesquisa em Políticas Públicas.

Inspirado em modelos internacionais – entre eles o Agropolis International, na França, e o Silicon Valley, nos Estados Unidos – o Agropolo Campinas busca soluções inovadoras em temas da bioeconomia como resíduos urbanos e agrícolas; energia, reciclagem de nutrientes e fertilizantes; tecnologias para agricultura de precisão; uso sustentável da água; alimentos funcionais; biocombustíveis avançados para aviação e transporte pesado; e biomassa para produtos químicos.

A empreitada reúne, em colaboração, universidades, institutos de pesquisa, os poderes públicos estadual e municipal e a iniciativa privada com o objetivo de identificar áreas estratégicas para traçar um roteiro (roadmap) que alavanque a participação da bioeconomia – uma economia sustentável, baseada em recursos biológicos – dos atuais 20% para 30% em 2025 e 40% em 2050 em plano nacional.

A meta é contribuir para reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE), criar produtos com alto valor agregado e aumentar o número e a qualidade dos empregos formais.

Campinas é, historicamente, um centro de produção de conhecimento e de tecnologia para o setor agropecuário e, mais recentemente, também para os setores de alimentos e de energia. Reúne, portanto, ingredientes estratégicos para transformar a região num polo de bieconomia. “O desafio não é técnico”, sublinhou Sérgio Carbonell, coordenador do projeto e diretor do IAC – fundado em 1887. “O desafio é formatar o ecossistema da bioeconomia com o conceito de inovação colaborativa envolvendo vários parceiros”, afirmou Carbonell.

Inovação colaborativa

Integram o projeto, além da Prefeitura de Campinas e do IAC, representantes dos Institutos de Tecnologia de Alimentos (Ital), Biológico (IB), as secretarias de Estado do Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação e de Agricultura e Abastecimento, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o parque tecnológico Techno Park, em Campinas, e a Agropolis Internacional, associação francesa voltada para a pesquisa agronômica e o desenvolvimento sustentável.

Esses parceiros reuniram-se no seminário PPPBio FAPESP: Políticas Públicas para o Desenvolvimento da Bioeconomia, em 3 de agosto, na sede da Fundação, em São Paulo, para um balanço dos resultados do primeiro ano de atuação coletiva e para definir a contribuição de cada instituição para o avanço do projeto, tema de uma mesa mediada pelo reitor da Unicamp, Marcelo Knobel.

O encontro foi aberto pelo presidente da FAPESP, José Goldemberg, que lembrou o sucesso de mais de 30 anos de esforços para desenvolver uma agricultura moderna no país. “O que mais podemos fazer? O Agropolo Campinas busca uma resposta para essa questão.”

Os primeiros resultados – como a constituição do Reciclar Verde –, diagnósticos e um cardápio preliminar de recomendações foram apresentados pelos pesquisadores Luiz Cortez e Gustavo Paim França, da Unicamp, e por Heitor Cantarella e Luiz Madi, respectivamente, do IAC e do Ital, ligados à Secretaria de Agricultura e Abastecimento. Os resumos das apresentações estão disponíveis no endereço http://www.fapesp.br/eventos/pppbio.

Via Agência FAPESP