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Brasil Econômico

Recepta na mira das farmacêuticas

Publicado em 28 novembro 2009

A Recepta Biopharma, empresa paulista fundada em 2005, pesquisa e desenvolve anticorpos monoclonais para tratamento de câncer. Trata-se de um novo modelo de terapia. Os anticorpos monoclonais são moléculas capazes de reconhecer e de se ligar a partes específicas das células dos tumores, criando uma resposta específica do sistema imunológico para esses tecidos.

O projeto é desenvolvido em parceria com pesquisadores do Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer no Brasil. O financiamento dos estudos vem de um caixa de R$ 20 milhões, aportados pelo empresário Emílio Odebrecht, pelo pecuarista Jovelino Mineiro e por José Fernando Perez, ex-diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e idealizador do projeto. "Depois de 12 anos à frente da Fapesp, criei uma obsessão pela ousadia e pela inovação", brinca Perez.

Modelo de atuação

Engenheiro e agora empreendedor, Perez conta que a ideia nasceu dentro do próprio Ludwig, em Nova York, que sentia necessidade de as pesquisas virarem produtos contra a doença. "Vi a oportunidade e contatei pessoas que já acompanharam de perto o resultado de pesquisas em biotecnologia.

O Mineiro, por exemplo, patrocinou parte do sequenciamento do genoma do boi, feito na Fapesp", diz. Com Emílio Odebrecht, a conversa foi outra. "Quando propus o negócio, ele respondeu: "vou com o senhor porque é bom para o Brasil e porque pode dar bom negócio"", conta Perez.

Apesar de bastante nova, a Recepta conta com o suporte das pesquisas desenvolvidas há anos pelo Ludwig. Além disso, ela não precisou investir capital na construção de laboratórios. Os pesquisadores atuam dentro do próprio Ludwig, em São Paulo, e também na Universidade de São Paulo (onde Perez lecionava) e no Instituto Butantan.

Resultados

Atualmente, a empresa tem pelo menos três produtos em fase avançada de teste. O mais promissor deles é contra o câncer de ovário e está em fase 2 - quando a eficácia é medida em pacientes com a doença. Os testes só devem ser concluídos no final de 2010. Até lá, é grande a chance de uma indústria farmacêutica se interessar pelos resultados e comprar o projeto ou se associar à Recepta para terminar o desenvolvimento do medicamento. Mas a entrada de um outro investidor não é a única aposta de Perez.

Para os testes de seus produtos, a Recepta desenvolveu todo um protocolo de auditoria.

Esse trabalho, até hoje, era feito exclusivamente por empresas multinacionais, as CROs (sigla em inglês para Organizações de Pesquisas Clínicas), pagas pela indústria farmacêutica. "É conhecimento produzido 0no Brasil, por uma empresa brasileira. Um patrimônio da Recepta que é fascinante em possibilidades", diz Perez. Ele será testado em larga escala em breve. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) está criando uma rede de hospitais capacitados para receber testes clínicos oncológicos. O edital da instituição já concedeu à Recepta o posto de primeira participante da rede.