Notícia

Jornal do Brasil

Receitar genéricos fica mais fácil

Publicado em 14 junho 1999

Aderir à lei que determina a adoção do uso de medicamentos genéricos vai ficar mais fácil. Está sendo lançado o primeiro Dicionário de Medicamentos Genéricos, organizado pelo médico Antônio Carlos Zanini e pelo farmacêutico Aulus Conrado Basile. O projeto contou com o apoio do Hospital das Clínicas, da Faculdade de Farmácia da USP e do CNPq. O dicionário traz uma lista atualizada de medicamentos de marca e seus correspondentes genéricos. "O que queríamos era facilitar a prescrição dos genéricos. Sabemos que o médico não tem como decorar os cerca de 23 mil nomes de fantasia que existem", disse Zanini. A produção do dicionário, apesar de ser um projeto antigo de Zanini, só começou com o desenvolvimento do Sistema de Informação sobre Medicamentos do Hospital das Clínicas, em São Paulo, que recebeu recursos iniciais da Fapesp. A meta era criar um banco de dados sobre medicamentos e dar início ao uso das prescrições eletrônicas, que seriam feitas pelo médico, diretamente no computador. Papel - "Daqui a alguns anos, a receita de papel será deixada de lado", disse o médico. Nesse trabalho, ele se deparou com um problema: não era possível criar um programa para reconhecer todos os nomes de fantasia, que são muitos e mudam com freqüência. Hoje, o sistema já funciona experimentalmente, graças à compilação de nomes genéricos feita pela equipe. Todo esse trabalho resultou no lançamento do dicionário. A importância do lançamento é inegável. Pela nova lei, todos os medicamentos do país são obrigados a mostrar na embalagem o seu nome genérico (nome dado às substâncias ativas que fazem o medicamento funcionar). O mesmo medicamento pode ter vários nomes comerciais, mas todos proporcionarão o mesmo resultado. O que pode variar é o preço. Segundo Zanini, os medicamentos genéricos são, em média, 80% mais baratos. "O dicionário vai também ajudar o consumidor a escolher entre dois medicamentos de marca, e não só entre os de marca e os genéricos", explicou. Segundo os cálculos do médico, isso pode representar uma economia de 30% a 40% nos gastos dos consumidores com remédios. O dicionário deve acabar com a maior dificuldade encontrada pelos médicos e pelos consumidores: reconhecer com exatidão a substância ativa de cada medicamento. A participação do farmacêutico vai ser fundamental daqui para frente, na opinião de Zanini. "É ele quem vai fazer as ligações entre o médico, o consumidor e os laboratórios, seja informando sobre novos medicamentos genéricos e sobre preços mais baixos", disse. Vitória - Zanini lembrou que a iniciativa de lançar o livro veio do meio acadêmico. "O governo é que deveria ter se preocupado com isso", disse. Ele considera, entretanto que esta é uma pequena vitória no que chamou de "uma guerra entre países pelos mercados consumidores de medicamentos." O dicionário recebeu também o apoio do laboratório Teuto Brasileiro, fabricante nacional de medicamentos sediado em Goiás. Eles compraram e estão distribuindo um lote de 10 mil exemplares. No Rio, o laboratório promove hoje, às 10h, no centro de convenções d o Colégio Brasileiro de Cirurgiões, em Botafogo, o lançamento do dicionário, simultaneamente será feito um debate sobre genéricos. Além disso, o laboratório está participando da campanha nacional que a USP e seus pesquisadores envolvidos no projeto estão liderando para esclarecer os profissionais de saúde e a população sobre a importância do uso de medicamentos genéricos.