Notícia

Gazeta Mercantil

Receita de incubadas do Cietec supera incentivos

Publicado em 20 maio 2003

Por Rosana Hessel - de São Paulo
Criado há cinco anos, o Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec), mostra que investimento em tecnologia dá bons frutos, além de incentivar pesquisas e desenvolvimento de produtos que colocam o País na vanguarda científica. Em 2002, as 73 empresas residentes nas dependências do centro - instalado em um prédio do complexo do Instituto Nacional de Pesquisas Nucleares (Ipen), dentro do campus da Universidade de São Paulo (USP), na Zona Sul da Capital - recolheram em impostos mais do que o governo do Estado de São Paulo investiu no projeto desde 1995. O faturamento das incubadas do Cietec em 2002 foi de R$ 8,2 milhões e o total arrecadado em impostos, de acordo com o presidente do Cietec, Sérgio Risola, foi de R$ 1,48 milhão (considerando uma média de 18% dos impostos pagos tanto aos governo municipal, estadual e federal). "Recebemos R$ 643 mil em incentivos no ano passado, mas nada veio diretamente dos cofres do governo do estado", conta Risola. Segundo ele, grande parte desse investimento - que é destinado para a gestão da incubadora, consultoria necessária para as empresas residentes e adequação e obras civis - é proveniente do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado de São Paulo (Sebrae-SP). O faturamento das empresas residentes no Cietec não pára de crescer. Neste ano, quando deverão ser criadas outras 20 novas empresas incubadas, a previsão de Risola é que o Cietec registre um faturamento de aproximadamente R$ 13 milhões. Nesses cinco anos, o Cietec recebeu R$ 2,45 milhões em investimentos, dos quais perto de R$ 300 mil do governo estadual. Além disso, as incubadas recebem investimentos provenientes da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), fundos setoriais e parceiros da USP, Ipen e Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) que somaram R$ 3,1 milhões somente em 2002. Segundo Risola, nos últimos três anos, as incubadas receberam R$ 6 milhões em investimentos. "São investimentos individuais pequenos, mas há várias boas idéias sendo desenvolvidas no centro", diz. Entre as empresas que se destacam no Cietec está a Electrocell, que está desenvolvendo a tecnologia da célula de combustível, que usa o hidrogênio como base de energia, por meio da combinação com o oxigênio, e tendo a água como resíduo do processo. A empresa recebeu do fundo setorial CT-Petro em 2002 um incentivo de R$ 1 milhão para o desenvolvimento do projeto, que é tocado em conjunto com o Ipen. Outro exemplo bem sucedido é a Hormogen - Biotecnologia, Importação e Exportação, empresa que desenvolveu um hormônio de crescimento humano e foi comprada recentemente pela Biolab, um dos maiores laboratórios farmacêuticos nacionais. Outras boas idéias dentro da incubadora são a do prego líquido e do sistema de aquecimento solar para residências a preço popular. Atualmente, existem 82 empresas incubadas no centro. O Cietec surgiu por meio de um convênio entre a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, o Sebrae-SP, a USP, o Ipen e o IPT. O objetivo é incubar pequenas empresas que não tenham condições de se manterem sozinhas no mercado. Desde a criação do Cietec, passaram pelo centro 124 empresas e pesquisadores individuais. O prazo de residência na incubadora é de três anos. Após isso, as empresas se graduam e acabam indo para o mercado. De acordo com Risola, cerca de 20% dessas incubadas acabam sendo bem sucedidas no negócio. O executivo lembra que existem cerca de 180 centros incubadores em atividade no País, nos quais residem 1,2 mil empresas, gerando 7,5 mil postos de trabalho.