Notícia

JC e-mail

Receita da pedra filosofal é encontrada

Publicado em 08 abril 2011

Substância, conhecida como exilir universal, foi testada por Luís 13.

Um documento perdido há 350 anos nos arquivos da Royal Society, em Londres, foi descoberto por duas pesquisadoras brasileiras. Ana Maria Alfonso-Goldfarb e Márcia Ferraz, ambas da PUC-SP, encontraram a receita da lendária pedra filosofal.

A mítica substância, objeto de desejo dos alquimistas há séculos, seria capaz de dissolver qualquer material - e, segundo a fábula, transformá-los em ouro. O achado é um dos destaques da edição que chega hoje às bancas da revista Pesquisa Fapesp.

A cobiça pela pedra filosofal devia-se também a suas propriedades medicinais. Até o século 17, era comum morrer por pedras nos rins, na bexiga ou na vesícula. Os tratamentos eram primitivos - não raro, aumentavam as dores. Daí apelou-se cada vez mais à alquimia, que prometia "abrir" materiais, como os males do organismo, e reduzi-los a pó.

- Até então, os materiais usados em laboratório para isso eram substâncias ácidas ou cáusticas, que fariam um grande estrago em seres vivos - lembra Ana Maria, pesquisadora do Programa de Estudos Pós Graduados em História da Ciência. - A pedra filosofal, portanto, era vista como a solução de todas as doenças. Foi assim que surgiram os boatos de que ela seria capaz de curar tudo a que fosse combinada. Sua fama de "exilir universal", que adquiriu ares fantásticos conforme era estudada a portas fechadas despertou o interesse de profissionais de outras áreas - ourives, tinturistas e até vidreiros. E, obviamente, da nobreza.

Na pesquisa, a Ana Maria e Márcia depararam-se com um personagem chamado Du Bois, que teria enganado a Corte francesa alardeando seu suposto domínio da pedra filosofal.

- Du Bois foi um alquimista francês que enganou o rei Luís 13 e o cardeal Richelieu, o homem mais poderoso da monarquia francesa, prometendo transformar balas de chumbo em ouro - conta Márcia, também pesquisadora do programa de História da Ciência.

- Ele jogou um pó alquímico sobre as balas aquecidas e o próprio rei fez questão de soprar as cinzas para encontrar o ouro. Virou nobre, mas a qualidade de seu material não satisfez Richelieu, que chegara a montar um laboratório alquímico no palácio real.

O alquimista, então, foi torturado e enforcado. Após sua morte, Richelieu mandou revirar sua casa em Paris atrás da receita da pedra filosofal, que ficou perdida até hoje.

(O Globo)