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Agência Brasileira de Notícias

Reaproveitamento de resíduos gera ganhos ambientais para USP de Piracicaba

Publicado em 30 maio 2010

O programa de Gerenciamento de Resíduos Químicos em vigor no Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (Cena/USP), na cidade de Piracicaba, proporciona ganhos ambientais e econômicos há quase dez anos. Os 22 laboratórios do Cena, de diferentes áreas de estudo e pesquisa, utilizam diversos tipos de produtos químicos na rotina de trabalho, o que gera, anualmente, cerca de 500 toneladas de resíduos, entre sólidos, líquidos e gasosos.

Dar um destino adequado a tudo isso foi o grande desafio do engenheiro químico José Albertino Bendassolli, que coordena o Laboratório de Isótopos Estáveis da instituição. "Em 2001, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) lançou o programa Infra V, destinado a resíduos químicos. Na ocasião, obtivemos recursos para criar no Cena amplo programa de gerenciamento desses materiais e da água utilizada", lembra o professor.

De acordo com Bendassolli, foram desenvolvidos métodos para a recuperação, reúso ou reciclagem de vários compostos perigosos. "O trabalho possibilita o reaproveitamento, ou o tratamento, de vários resíduos químicos, incluindo solventes (etanol, metanol, acetona, hexano, entre outros), soluções inorgânicas (amônia aquosa, cianetos, sulfetos, dióxido de enxofre aquoso, ácidos, bases) e resíduos sólidos (óxido de cobre e crômio, hidróxido de cromo, géis de agarose ou poliacrilamida)", destaca.

Os resíduos são processados e parte deles é reutilizada na instituição. Com relação aos efluentes líquidos, o Cena tem laboratórios nos quais o índice de reaproveitamento chega a 95%.

Objetivos ambientais

O reaproveitamento desses produtos não é a única fonte geradora de economia. Cálculos do Programa de Gerenciamento de Resíduos Químicos indicam que o consumo mensal do Cena é de 60 mil litros de água desionizada - o solvente mais empregado em laboratórios de ensino e pesquisa para o preparo de soluções, padrões, lavagem de sistemas e vidrarias, entre outros.

Antes do estabelecimento do Programa de Gerenciamento de Resíduos Químicos, essa água usada como solvente era produzida pelo método de destilação, com elevado consumo de eletricidade e água no sistema de refrigeração. "Para se obter um litro de água destilada, consome-se, em média, 0,8 quilowatt-hora (kWh) de energia e 30 litros de água", explica Bendassolli.

A decisão foi mudar o método de destilação pelo processo de troca iônica, que consiste na passagem da água do serviço municipal de saneamento por duas colunas que contêm trocadores de íons e um reator de irradiação ultravioleta.

Segundo o professor, esse processo consome quantidade desprezível de eletricidade, tendo em vista seu funcionamento ser essencialmente gravitacional. A economia mensal gerada é de aproximadamente um milhão de litros e 40 mil kWh de energia. "Além dos ganhos financeiros gerados à instituição, de aproximadamente R$ 200 mil ao ano, o projeto tem objetivos ambientais, nos quais os lucros são incalculáveis, pois formamos profissionais comprometidos com essas questões, sejam eles alunos, técnicos ou estagiários", diz.

Programa terá novo laboratório

A USP construirá nova área para abrigar o Programa de Gerenciamento de Resíduos Químicos. A obra foi aprovada e está em fase de licitação. Numa área com cerca de 900 metros quadrados, funcionarão o Laboratório de Tratamento de Resíduos, um novo entreposto de resíduos e um almoxarifado de produtos controlados pelo Exército e pela Polícia Federal. O custo será de aproximadamente R$ 500 mil, mais R$ 600 mil em equipamentos. Entre outras vantagens, a nova infraestrutura possibilitará a realização de cursos de extensão.