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ABC - Academia Brasileira de Ciências

Realizado o 1º encontro da diáspora brasileira de ciência e inovação na Alemanha

Publicado em 10 março 2021

Leia matéria de José Tadeu Arantes para Agência Fapesp, publicada em 10/3,  sobre o 1º Encontro da Diáspora Brasileira de Ciência e Inovação na Alemanha, que contou com a participação do presidente da ABC, Luiz Davidovich, do Acadêmico Jorge Guimarães e do membro colaborador Abilio Baeta Neves:

O Brasil é um dos países com o maior percentual de emigrantes altamente qualificados vivendo em países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Não há dados mais recentes, porque o Censo de 2020 não foi realizado, mas em 2010 havia 291.510 brasileiros com nível de educação superior nessa condição. Esse número representava 28,9% do total dos emigrantes brasileiros residindo em países da OCDE na época, com crescimento de 102% em relação a 2000.

Nos últimos anos, diversas iniciativas que buscam articular esses emigrantes altamente qualificados têm ocorrido em diferentes países. Esse movimento dá sequência a um processo iniciado a partir do final da década de 1990, com a auto-organização de redes de diásporas de brasileiros, ocupados em atividades de ciência, tecnologia e inovação, nos Estados Unidos e no Reino Unido e, mais recentemente, com a realização de workshops patrocinados por embaixadas brasileiras.

O primeiro desses workshops foi promovido em Washington, em 2017, pelo então embaixador brasileiro nos Estados Unidos, Sérgio Amaral. Desde então iniciativas semelhantes se multiplicaram: Washington (2018), Londres (2019), Washington (2019), Zurique (2019), Dublin (2019) e Tóquio (2020). Agora, foi a vez de Berlim, com a realização do 1º Encontro da Diáspora Brasileira de Ciência e Inovação na Alemanha, em 25 de fevereiro de 2021.

Abriram o encontro, realizado on-line, o embaixador do Brasil na Alemanha, Roberto Jaguaribe; o presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Luiz Davidovich; e o presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), Jorge Guimarães, membro titular da ABC.

Jaguaribe enfatizou que a embaixada pretende facilitar o processo de integração da diáspora. “Não existe uma quantificação da diáspora na Alemanha. Porém, sabemos que mais de 60 campos científicos, em mais de 50 cidades alemãs, têm participação de brasileiros”, disse.

Davidovich afirmou que “o grande desafio” é transformar a ciência em produtos e, com isso, garantir um aporte sustentável de recursos para as atividades de pesquisa e desenvolvimento. Guimarães, de sua parte, sublinhou que “o conceito de diáspora vem mudando, em função dos êxitos do Japão, da China e da Índia, que se aproveitaram muito da presença de seus emigrantes altamente qualificados no exterior”.

A diáspora brasileira é um ponto que tem sido bastante estudado por Ana Maria Carneiro, professora do Programa de Pós-Graduação em Política Científica e Tecnológica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pesquisadora do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas da mesma instituição (NEPP-Unicamp).

Carneiro participou do evento com a apresentação “Diáspora brasileira de Ciência, Tecnologia e Inovação”. Ela afirmou que o conceito de “diáspora” evoluiu, durante a década de 2000, de uma conotação altamente negativa, associada à ideia de “evasão de cérebros” (brain drain), para a conotação positiva de “redes de circulação de cérebros” – o que corresponde ao próprio processo de internacionalização da pesquisa científica e tecnológica.

“É preciso ressignificar a palavra ‘diáspora’, retirando dela a ideia de perda para o Brasil. Por outro lado, temos que ir além, com a definição e implantação de políticas que favoreçam a participação dos ‘diasporados’ em iniciativas tanto no país de origem quanto nos países de destino, não necessariamente implicando em volta”, argumentou.

“Diasporados” na Alemanha

Na primeira parte do painel “Experiências em instituições alemãs de pesquisa e desenvolvimento e potencialidades de cooperação com o Brasil”, dedicada ao setor acadêmico e à pesquisa fundamental, Fernanda Ramos Gomes, pesquisadora do Max Planck Institute for Experimental Medicine, e Sérgio Costa, professor titular e diretor do Lateinamerika-Institut da Freie Universität Berlin (LAI-FU), apresentaram suas experiências pessoais na Alemanha.

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O cientista político Abílio Baeta Neves, [membro titular da ABC], sugeriu a criação de um banco de dados, integrando instituições e pessoas interessadas na conexão Brasil-Alemanha nos campos de ciência, tecnologia e inovação.

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Mais informações – inclusive um conjunto de vídeos sobre a experiência de brasileiras e brasileiros que desempenham atividades de CT&I na Alemanha – podem ser acessadas no site https://diaspora-ctibr.de.

Leia a matéria na íntegra, aberta, no site da Agência Fapesp.

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