Notícia

Jornal do Commercio (AM)

Realidade virtual nas sessões de fisioterapia

Publicado em 14 abril 2017

Situações que reproduzem as atividades de vida diária (AVOs) como levantar e abaixar os braços, caminhar pelos corredores de clínicas ou hospitais são comuns na vida de pessoas que passam por rotinas de fisioterapia intensiva, seja em razão de fraturas ocorridas no cotidiano, até os casos mais graves, decorrentes de sequelas de um AVC (acidente vascular cerebral), por exemplo.

Não há nada de errado com as convencionais sessões de fisioterapia e terapia ocupacional: elas são fundamentais na reabilitação e estimulam os pacientes a se manterem sempre ativos, fortalecendo músculos, articulações e promovendo uma recuperação eficaz, na maioria dos casos. A única adversidade das sessões é que elas costumam ser bem monótonas e repetitivas. O desafio é tornar as sessões de reabilitação mais atraentes, mais lúdicas e estimulantes. E é aí que entra a Gesture Collection, um conjunto de aplicativos de realidade virtual (RV) que permite a interação por meio de gestos utilizando o conhecido dispositivo Kinect. O sensor, que ganhou notoriedade na área de entretenimento digital com o videogame Xbox da Microsoft, em 2010, tem sido amplamente adotado por entusiastas da interação humano-computador (IHC) hands free, ou seja, atividades que possam ser realizadas para controlar máquinas ou computadores sem a necessidade de utilizar periféricos convencionais como um mouse e um teclado.

"Além de ser utilizada no entretenimento, hoje, a RV atua na área de ensino-aprendizagem, treinamento técnico e reabilitação. No campo da reabilitação neurofuncional, a RV apresenta uma real oportunidade de complementar a terapia convencional em pessoas que convivem com variadas limitações físicas e cognitivas", explica a fisioterapeuta Sara Regina Meira Almeida, doutora em ciências médicas pela Unicamp e pesquisadora associada do Brainn (Instituto Brasileiro de Neurociência e Neurotecnologia), um dos 20 Cepids (Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão) da Fapesp.

De acordo com Sara, a tecnologia de realidade virtual começou a ser empregada especificamente para a reabilitação há cerca de 15 anos e, desde então, vem ganhando espaço e interesse em pesquisas científicas. "Já existem estudos em pacientes com sequelas motoras por algumas doenças como traumatismo craniano, AVC e paralisia cerebral", acrescenta.

A RV, que consiste em um sistema imersivo e interativo, facilita a entrada e saída de informações ao cérebro, podendo ser utilizada em conjunto com outras intervenções terapêuticas para aumentar a complexidade das tarefas. "Dessa forma", explica Sara, "é possível melhorar a capacidade funcional do sujeito, ou seja, deixá-lo apto a realizar suas atividades diárias, como tomar banho sozinho, trocar de roupa e se alimentar. Buscamos fazer com que o paciente seja o mais independente possível", enfatiza. Os requisitos para se utilizar a Gesture Collection são simples, e por isso sua adoção parece ter um caminho promissor a seguir. Basta um computador com configuração básica e um sensor Kinect acoplado. Um projetor, para reproduzir as imagens na parede é recomendado, mas na ausência pode-se utilizar um monitor tradicional ou mesmo um televisor ligado ao computador.