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Jornal de Piracicaba

Realidade virtual é aplicada à recuperação de pacientes com doenças neurodegenerativas

Publicado em 23 outubro 2020

Por Agência São Paulo

Programas de reabilitação baseados em realidade virtual estão se tornando um importante recurso complementar às terapias motoras convencionais para pacientes acometidos por AVC (Acidente Vascular Cerebral) ou doenças neurodegenerativas. Ao estimular vários sistemas sensórios, especialmente os sistemas visual e auditivo, a imersão do paciente em ambientes virtuais promove e intensifica o trânsito de informações (input output) no sistema nervoso central.

“A expectativa é de que isso aumente a conectividade cerebral, ao estimular novas conexões neurais necessárias para recuperar as perdas causadas pelas lesões ou pela própria condição clínica do paciente”, diz Alexandre Brandão, pesquisador no Instituto de Física da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e no BRAINN (Instituto Brasileiro de Neurociência e de Neurotecnologia), um dos CEPIDs (Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão) apoiados pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

Brandão é o autor principal do estudo Biomechanics Sensor Node for Virtual Reality: A Wearable Device Applied to Gait Recovery for Neuro functional Rehabilitation, premiado como “ Best Paper ” na área de Realidade Virtual na 20º Conferência Internacional em Ciências de Computação e suas Aplicações (ICCSA- The 20th International Conference on Computational Science and its Application s). Programado para ocorrer na Universidade de Cagliari, na Itália, o evento foi realizado em ambiente virtual devido à pandemia de covid-19.  

DISPOSITIVO

O estudo resultou no desenvolvimento de um novo dispositivo, o BSN (Biomechanics Sensor Node), capaz de captar dados do usuário e controlar ambientes virtuais, e um novo software, que integra o BSN ao Unity Editor, um dos programas mais utilizados atualmente na construção de ambientes digitais. “A união entre o dispositivo e o software permite que pacientes em processo de recuperação motora interajam com ambientes de realidade virtual ao mesmo tempo em que os terapeutas têm acesso aos dados dos movimentos realizados durante a sessão ”, informa Brandão.

O BSN é composto por um sensor inercial, que, acoplado ao tornozelo, detecta o movimento relativo à marcha estacionária do paciente e faz o rastreamento corporal nos três planos de movimento. Os sinais gerados são processados e enviados a um celular, que permite controlar um avatar que interage com o ambiente virtual. “ Os movimentos reais do paciente podem ser muito restritos, com pouca amplitude. Mas, no contexto virtual, os dados captados e processados geram movimentos completos do avatar. A informação visual provoca no paciente a impressão de que ele consegue realizar esses movimentos completos. E isso tem o potencial de ativar mais redes neuronais do que a terapia mecânica convencional ”, explica Brandão.