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Agência USP de Notícias

Reagente biológico faz diagnóstico da neurocisticercose

Publicado em 13 março 1999

Foi desenvolvido na USP um reagente biológico para o diagnóstico mais rápido e barato da neurocisticercose - a mais grave e freqüente das infecções que ataca o sistema nervoso central. Atualmente, a doença é diagnosticada pela tomografia e punção de líquor, exames caros e não disponíveis na rede pública. Novo método permite diagnóstico mais rápido da neurocisticercose Pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP desenvolveram um reagente biológico para diagnosticar a neurocisticercose, a mais grave e freqüente das infeções que acomete o sistema nervoso central. A doença é originária das larvas da taenia solium e se instala no cérebro humano causando lesões irreparáveis. No Brasil, a doença acomete cerca de 140 mil pessoas em regiões onde há baixa condição sanitária. Ela ocorre após a ingestão acidental de ovos do parasita em água e alimentos contaminados. A neurocisticercose é freqüentemente associada ao consumo da carne de porco. Ao consumi-la, o homem pode adquirir a teníase - verme que se instala no intestino humano - encontrada na carne suína contaminada com a cisticercose. O parasita, no organismo humano, coloca ovos que são expelidos com as fezes. "O ciclo da doença se completa quando há a recontaminação com estes ovos, havendo o desenvolvimento da neurocisticercose", explica a professora responsável pela pesquisa, Adelaide José Vaz, do Laboratório de Análises Clínicas e Toxicológica da FCF/USP. Uma pessoa com neurocisticercose desenvolve epilepsia, meningite, distúrbios mentais e psíquicos, além de hipertensão intracraniana - aumento da pressão dentro do cérebro que pode causar fortes dores de cabeça e até a morte. Segundo a pesquisadora, o tratamento para a doença é sintomático. "Podem ser utilizados corticóides, anti-inflamatórios e, em alguns casos, parasiticidas para matar o parasita, ou retirá-lo através de incisão cirúrgica". Segundo Adelaide, o reagente purificado é obtido por métodos imuno-químicos, tendo como modelo ratos de laboratórios, mas já foi comprovado a eficácia do diagnóstico da doença em pacientes tratados pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. O reagente possibilita o diagnóstico mais rápido e com custo reduzido, quando comparado aos exames tradicionais de detecção da doença, como a tomografia e a punção de líquido cefaloraquiano (líquor). O reagente é misturado a uma amostra de sangue do paciente e analisado pelos métodos ELISA e Imunoblot. Pelo novo método será possível ter uma precisão do problema no País, já que os exames de tomografia e de líquor não estão disponíveis na rede pública de saúde, conclui Adelaide. A pesquisa foi desenvolvida em conjunto com a Faculdade de Medicina da USP, Instituto de Microbiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto Adolfo Lutz e Instituto de Medicina Tropical. A Fapesp apóia um projeto de inovação tecnológica do Laboratório de Análises Clínicas e Toxicológica da FCF/USP, junto com a empresa Biolab-Mérrieux, para desenvolvimento do reagente em escala comercial. Há uma previsão de dois anos para o reagente estar no mercado. Mais informações com a pesquisadora Adelaide José Vaz, telefones 818-3638, 256-1646, ramal 2217, 9961-0738, fax 813-2197. E-mail ajvaz@netpoint.com.br.