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Reações secundárias

Publicado em 03 dezembro 2018

Os estudos para decifrar os principais componentes da toxina da aranha-marrom estão sendo conduzidos desde 1994. A equipe de pesquisadores do Instituto Butantan inseriu um gene da aranha na bactéria Escherichia coli, criando assim uma biofábrica da esfingomielinase D (SMase D), proteína que é o componente central da toxina.

"Nesse processo todo de pesquisas, descobrimos que o veneno da aranha-marrom pode causar reações secundárias, que são desencadeadas principalmente pela proteína. Costumo dizer que a toxina só dá o 'start' e a proteína altera as células. Depois ocorre uma desregulação do organismo que leva à produção de proteases - enzimas cuja função é quebrar as ligações peptídicas de outras proteínas. São essas proteases que devem ser inibidas pela pomada", disse Denise Tambourgi.

Dessa forma, a pomada atua no chamado efeito secundário. "Em modelos experimentais, tanto in vitro com célula da epiderme humana quanto em animais, foi possível reduzir cerca de 80% do tamanho da lesão", explica.

O estudo coordenado por Tambourgi entendeu o mecanismo de ação do veneno lançado pela aranha-marrom e também a forma sistêmica e cutânea da doença. "A partir da construção do mecanismo que leva à lesão dermonecrótica, foi possível desenvolver a pomada. Porém, como o envenenamento é causado pelo que a proteína induz no organismo, estamos atacando as condições secundárias da toxina. Vamos ver qual será o resultado dos ensaios clínicos, estou confiante, pois os testes em cultura celular e modelo animal foram muito promissores".

Agência Fapesp