Notícia

A Tribuna (Santos, SP)

Reabilitação de pacientes terá ajuda de robótica

Publicado em 14 junho 2018

O aposentado Mário Katsumi, de 64 anos, foi o primeiro a usar o Vivax, ontem, no Centro de Reabilitação Lucy Montoro, em Santos (Rua Alexandre Martins, 72, Aparecida). Trata-se de um equipamento de robótica que possibilita movimentos tridimensionais dos membros superiores, auxiliando na recuperação de pacientes em fisioterapia. "É muito bom, gostei (do equipamento). Sou de Itanhaém e faço fisioterapia há dois meses aqui, espero que ajude (na recuperação do movimento dos braços)", diz o aposentado, que sofreu uma lesão na medula durante uma cirurgia e teve os movimentos comprometidos.

O equipamento é voltado também para vítimas de acidente vascular cerebral (AVC), pessoas com paralisia cerebral, lesão encefálica, traumatismo craniano e doenças degenerativas. Santos foi a segunda unidade da rede Lucy Montoro a receber o equipamento no Esta- do. A Capital conta com um aparelho desde o início do ano. A tecnologia é inédita, foi desenvolvida no Brasil e é melhor que similares fabricados no exterior.

O Vivax foi idealizado pelo engenheiro naval e biomédico brasileiro Antonio Massato Makiyama, com financiamento pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp ). "Foram 8 anos de pesquisas, desde 2010. O cérebro do negócio é nacional, mas os componentes são importados, porque o Brasil não tem a tecnologia para esse tipo de equipamento", explicao engenheiro. A tecnologia permite uma amplitude do movimento do braço até então não alcançada em nenhuma outra existente no mundo, pois faz movimentos tridimensionais mais realistas. Tem a vantagem de ser portátil e pesar 15 quilos, o que torna o aparelho cerca de sete vezes mais leve do que os importados. Segundo Makiyama, o valor do equipamento fica em torno de U$ 70 mil, enquanto o im- portado, que é maior e menos eficiente, custa pelo menos 6 vezes mais. O Estado o está alugando por R$ 6 mil mensais cada um.

A secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Linamara Rizzo Battistella, afirma que a perspectiva é de que a robótica encurte o tempo de tratamento. "No tratamento tradicional há uma certa dificuldade de adesão do paciente e tem um cansaço do profissional, que precisa estar atento e registrar os ganhos. Essas habilidades, hoje, o robô tem". Segundo Lianamara, todas as unidades vão receber o aparelho. Criada em 2008, a Rede Lucy Montoro conta com 17 espaços em funcionamento em todo o Estado, que realizam mais de 100 mil atendimentos por mês. "Em Santos, são 5 mil atendimentos mensais. Em quatro anos de funcionamento foram quase 60 mil", diz ela, que esteve no local junto com o governador MárcioFrança( PSB).