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Rankings de produção científica apresentaram resultados incongruentes sobre o desempenho acadêmico do Brasil

Publicado em 15 agosto 2008

Dois rankings de produção científica mundial divulgados em julho apresentaram resultados incongruentes em relação ao desempenho acadêmico do Brasil em 2007.

A tradicional base de dados Thomson Scientific indica que o Brasil continua a ganhar fôlego, embora mantenha a 15ª posição no ranking mundial conquistada no ano passado. Foram 19.428 artigos publicados nos periódicos científicos indexados na base de dados, 2.556 a mais do que em 2006. Com isso, o país respondeu em 2007 por 2,02% do total da produção científica mundial, diante de 1,92% no ano anterior. Segundo os dados, o Brasil está um pouco à frente da Suíça e da Suécia e se aproxima da Holanda e da Rússia.

Já a base de dados Scopus, comercializada pela editora Elsevier, registrou 26.369 artigos brasileiros em publicações estrangeiras, 292 a menos do que em 2006, com o país ocupando também a 15ª posição no ranking, mas com 1,75% da produção mundial. Como as duas bases de dados contemplam universos distintos, é difícil afirmar se a divergência é acidental e qual é a tendência atual.

A ferramenta Web of Science, da Thomson Scientific, cobre cerca de 10 mil periódicos, ante 15 mil da ferramenta SCImago, da Scopus. Nos anos cobertos pela base de dados SCImago - de 1996 a 2008 - a Scopus contém até 45% mais registros que a Thomson. Ainda assim, a divergência animou um debate sobre o futuro e os limites de expansão da produção acadêmica brasileira.

O biólogo Marcelo Hermes-Lima, professor da Universidade de Brasília (UnB) e co-editor do periódico on-line PLoS One, afirmou em seu blog Ciência Brasil que a oscilação detectada pela Scopus pode ser o primeiro sinal de saturação. "A meu ver, o aumento da produção científica brasileira chega ao seu limite. Ou seja, a taxa de crescimento poderá ser nos próximos anos entre zero e 2% - que é o limite do crescimento vegetativo da população de cientistas de verdade. Em outras palavras, estamos no ponto de saturação da curva de crescimento no número de papers do Brasil", disse.

Já Rogério Meneghini, coordenador científico da biblioteca eletrônica SciELO Brasil, considera necessário esperar mais um ano para avaliar qual é a tendência. "É precipitado afirmar que a produção brasileira bateu no teto", diz Meneghini, especialista em cienciometria, disciplina que busca gerar informações para estimular a superação dos desafios da ciência.

Enquanto a produção brasileira cresceu 133% nos últimos dez anos, a da China avançou 300%. No Brasil, as áreas ligadas à biologia e às ciências médicas, como medicina, agricultura, bioquímica, genética e biologia molecular, seguida pela física e a astronomia, são as mais produtivas.

As cinco instituições com maior número de artigos publicados são a Universidade de São Paulo (USP), a Estadual de Campinas (Unicamp), a Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Federal de Minas Gerais (UFMG).

(Agência Fapesp)

 

(MATÉRIA JÁ PUBLICADA NA AGÊNCIA E TAMBÉM NA REVISTA PESQUISA FAPESP)