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Informe MS

Raiva animal sob vigilância

Publicado em 11 junho 2008

Pesquisadores da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ-USP) desenvolveram uma metodologia inédita que, ao estimar as populações de cães e gatos de um município, pode ser aplicada de forma sistemática no planejamento e na avaliação de campanhas de vacinação contra a raiva animal.

O desenvolvimento do método, que permite a identificação de áreas de cobertura vacinal crítica, partiu de estimativas feitas na capital paulista: sete habitantes por cão e 46 habitantes por gato. A validação do método teve como base informações da campanha de vacinação contra a raiva de 2002, fornecidas pelo Centro de Controle de Zoonoses da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo.

Com base nesses dados, coletados com o auxílio de sistemas de informação geográfica, o método permite fazer estimativas de densidade animal e do número de postos de vacinação móveis necessários para se atingir uma cobertura vacinal de 70% em cada região. Dados de literatura sugerem que uma cobertura nessa proporção previne cerca de 96% das epidemias rábicas nas grandes cidades.

“Os sistemas de informação geográfica integram softwares que podem ser baixados gratuitamente pela internet, permitindo a associação de dados cartográficos – como ruas, setores censitários e distritos administrativos – com dados não geográficos, como tamanho da população animal e número de postos de vacinação”, disse Marcos Amaku, coordenador do trabalho e professor do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal da FMVZ, à Agência Fapesp.

Segundo ele, os municípios interessados na aplicação do método podem utilizar bases de dados censitárias do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Qualquer município que tiver a base de dados do IBGE pode fazer estimativas da população animal utilizando os programas de informações geográficas e a razão de habitantes por animal que pode ser estimada pelos centros de controle de zoonose de cada cidade”, explicou.

Em São Paulo, os setores censitários foram agrupados de forma a compor os 96 distritos administrativos e as 31 subprefeituras da capital. Os pesquisadores estimaram a existência de 1,49 milhão de cães e 226,9 mil gatos domiciliados na cidade, totalizando uma população de cerca de 1,7 milhão de animais. As estimativas do estudo não incluíram a população de cães de rua, cuja cobertura vacinal é mais baixa.

Segundo os pesquisadores, que elaboraram uma série de mapas de densidade animal para organizar a distribuição espacial dos postos de vacinação na capital, 1.729 é o número total de postos necessários no município para atingir a cobertura vacinal de 70%.

“Além de evitar as epidemias de raiva e evitar a formação de filas nos postos, com essa distribuição é possível deslocar a quantidade exata de recursos financeiros e humanos em cada posto de vacinação”, disse Amaku.

A raiva é uma zoonose causada por um vírus do gênero Lyssavirus que ataca o sistema nervoso de todos os mamíferos, principalmente bovinos, eqüinos, suínos, cães, gatos e morcegos. Uma vez iniciada a sintomatologia não há tratamento efetivo conhecido, o que faz com que, na zona urbana, a prevenção da raiva canina e felina por meio de campanhas de vacinação seja o instrumento mais eficiente para o controle da raiva humana.

O projeto de pesquisa que originou o método teve apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à pesquisa do Estado de São Paulo e foi desenvolvido em parceria com pesquisadores do Centro de Controle de Zoonoses de São Paulo. Um artigo com a descrição da metodologia foi aceito e será publicado na Revista de Saúde Pública, editada pela Faculdade de Saúde Pública da USP.

Um software de sistemas de informações geográficas que pode ser usado para a aplicação do método, segundo Amaku, é o TerraView, disponibilizado gratuitamente pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e cujo lançamento da versão 3.0 Plus foi noticiado pela Agência Fapesp.

Mais informações sobre o método: amaku@vps.fmvz.usp.br