Notícia

Correio da Paraíba

Raio-X detecta vidro, pedra e metal

Publicado em 22 julho 2008

Por Marcos de Oliveira

São Paulo (Pesquisa Fapesp) - Provavelmente a maioria dos consumidores não sabe, mas a trajetória de grande parte dos produtos alimentícios existentes no supermercado passa por uma máquina que detecta metais no local onde são fabricados. Isso acontece com o produto já pronto e embalado para verificar se há pequenos pedaços de peças, parafusos ou outros contaminantes metálicos nas matérias-primas. Assim, um pacote de pão de fôrma, outro de biscoitos, uma sopa instantânea ou ainda uma caixa de sabão em pó, por exemplo, são averiguados quanto à presença de indesejáveis “ingredientes” metálicos.

Pedaço de oço no hambúrguer

Grande parte dessas máquinas no Brasil é fabricada pela empresa paulistana Brapenta que está prestes a lançar um equipamento inovador para esse nicho do mercado industrial brasileiro. Ele utiliza raios X para identificar não apenas metais, mas também pedras, plásticos e vidros, ou tudo o que saia da densidade típica, como a de um pedacinho de osso num hambúrguer.  Entre os elementos agregados essenciais para a execução do projeto estão os cintiladores, sensores compostos de um cristal, no caso o iodeto de césio. Por enquanto, eles estão sendo importados do Japão e da França, com custo ainda alto, e depois de muita negociação porque é um produto que pode ser usado, por exemplo, em aplicações nucleares para medir radiações. Com isso, países que detêm essa tecnologia dificultam a exportação.

Visualização de materiais de até 1 mm

Os materiais inconvenientes do tamanho de até 1 milímetro poderão ser visualizados e o produto retirado de circulação antes de sair da fábrica. O novo modelo da Brapenta, chamado de Spectra, traz componentes elaborados para tornar o equipamento mais barato e funcional. “Ele vai custar entre R$ 80 mil e R$ 100 mil com impostos, enquanto os equipamentos similares importados custam entre R$ 150 mil e R$ 200 mil ou mais com impostos”, diz o engenheiro eletrônico Martín Izarra, diretor-presidente da empresa.

Mas a importância do projeto ultrapassa os benefícios que o novo equipamento trará para a indústria do país ou para a própria empresa porque é um exemplo de sinergia entre institutos de pesquisa e empresas e o próprio laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da Brapenta. “Temos aliados tanto na área comercial como na tecnológica porque inovar é criar uma rede de parcerias”, diz Izarra, também diretor da Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras (Anpei).