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Química-Unesp: meio século de excelência e vanguarda nas pesquisas

Publicado em 17 março 2011

Definido como o Ano Internacional da Química, 2011 tem, para a Unesp de Araraquara, um significado ainda mais especial: o Instituto de Química (IQ) completa meio século de existência. É a coroação de uma história pautada por uma intensa atividade científica, pela formação de profissionais de altíssima qualidade e sempre na vanguarda das pesquisas desse segmento acadêmico, a ponto de transformar o IQ em referência no País e no Exterior.

Fundado por decreto do ex-presidente Juscelino Kubitscheck e incorporado à Unesp em 1977, o IQ é componente fundamental da trajetória de desenvolvimento da cidade e um dos redutos de maior orgulho da sociedade araraquarense. Desde a implantação dos primeiros cursos de pós-graduação, ainda na década de 1970, passando pelas inúmeras iniciativas e pesquisas premiadas pela comunidade científica brasileira e reconhecidas internacionalmente, o instituto é, hoje , um agente essencial dos avanços tecnológicos no setor químico nacional, consolidado ainda mais pela criação da Agência Unesp de Inovação, em 2007. Pelo IQ já se formaram quase dois mil profissionais da área química, sendo 597 mestres e 452 doutores, muitos deles ainda ligados à instituição. Nos órgãos de fomento e pesquisa, a presença do IQ, em projetos próprios ou interinstitucionais, é constante e intensa, reforçando sua vocação de ocupar a linha de frente nos núcleos de produção técnica e intelectual do País.

O interior paulista é responsável, há mais de uma década, por um quarto de toda a produção científica nacional e recebe mais da metade de todos os financiamentos federais às iniciativas de pesquisa acadêmica no Estado. Além disso, três em cada quatro projetos aprovados pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) são para instituições do interior, ou mesmo empresas de várias regiões associadas a universidades. No primeiro time dessas instituições está o IQ.

Dos laboratórios e grupos de pesquisa da Unesp/Química saíram, ao longo dos últimos anos, alguns dos mais significativos projetos de inovação. Em uma linha de pesquisa do Grupo de Materiais Fotônicos, por exemplo, os especialistas conseguiram desenvolver um tipo de vidro, produzido com alta concentração de tungstênio, que poderá receber gravações em três dimensões, abrangendo a altura, o comprimento e a largura. Em outra pesquisa, realizada pelo Laboratório Interdisciplinar de Eletroquímica e Cerâmica, foi desenvolvido um sensor que avalia vida útil de catalisadores usados em veículos. Em outra frente, no Departamento de Bioquímica e Tecnologia, pesquisadores associados a outras unidades da Unesp desenvolveram um material que gera energia elétrica ,quando sob pressão. E por aí vai.

Uma das idealizadoras da Agência de Inovação da Unesp e, desde janeiro, membro deliberativo do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a professora Vanderlan Bolzani está também entre as organizadoras do Ano Internacional da Química no Brasil. Uma de suas propostas para a data comemorativa é realizar o maior número possível de ações que aproximem a atividade química da capacidade de compreensão do cidadão comum, do cotidiano das pessoas e do desenvolvimento das indústrias. Sua justificativa resume toda a história e poderia funcionar como o maior lema do IQ em seus 50 anos: "Não há nada no dia a dia que deixe de expressar o conhecimento acumulado pelos químicos ao longo de séculos."