Notícia

A Folha (São Carlos, SP)

Química da USP produz reagentes e faz parceria

Publicado em 15 novembro 2000

São Paulo - O Instituto de Química Universidade de São Paulo (IQ-USP) desenvolveu métodos novos para sintetizar reagentes contendo telúrio e selênio, o que gerou uma parceria inédita com uma das maiores empresas de química fina do mundo, a Aldrich, que fica nos Estados Unidos. A empresa norte-americana está adquirindo alguns desses reagentes u deve comercializá-los no mercado internacional. A pesquisa foi coordenada pelo professor João Valdir Comasseto, do laboratório do IQ, e financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Resultou na obtenção de reagentes que podem ser utilizados na síntese de compostos com atividade biológica importante, como a macrolactina. A capaz de inibir a replicação de vírus causador da herpes e da aids. O resultado da pesquisa foi publicado na Aldrichimica Acta, revista distribuída para 130 mil indústrias e cientistas de todo o mundo. Um reagente é uma substância química que interage com outra e provoca transformação nessa segunda substância, sem se incorporar a ela. São como blocos em uma construção de um prédio que servem para construir moléculas bioativas. Os reagentes sintetizados são "montados" de forma que construam o edifício, no caso, as estruturas moleculares complexas, que têm propriedades biológicas. A macrolactina A é uma substância que despertou a atenção dos pesquisadores por mostrar uma potente atividade antiviral, inibindo a atividade de replicação dos vírus da aids, do vírus da herpes e de atividade cancerígena. O desenvolvimento dos reagentes feito pelo Instituto de Química da USP permitiu a síntese da macrolactina A, ou seja, a sua fabricação química. A síntese é um processo utilizado na obtenção de compostos que existam em pouca quantidade na natureza. Os estudos foram feitos em parceria com a Universidade de Michigan, nos EUA. Outra molécula bioativa sintetizada pelo laboratório foi a isocicutoxina, que mostrou sercitotóxica, ou seja, pode causar a morte de células. Essa molécula pode ser usada no combate ao câncer. "Temos uma lista de 15 reagentes que poderiam ser produzidos e distribuídos", afirma Comasseto.