Notícia

Gazeta Mercantil

Quércia fica com 29,3% do Centro Empresarial

Publicado em 18 outubro 2002

Por Luciana Moglia — de São Paulo
O ex-governador de São Paulo Orestes Quércia comprou, por R$ 58,1 milhões, do grupo Bunge, a Panamby, administradora e dona de 29,3% do Centro Empresarial de São Paulo, o mais amplo complexo paulista de escritórios. Quércia torna-se o maior proprietário individual do Centro. Os outros são 11 fundos de pensão (45,6%), aFapesp (3%), a Fundação Bunge e empresas donas de escritórios, como a Mercedes-Benz, a Rhodia e a seguradora Vera Cruz. Localizado na marginal do rio Pinheiros, zona sul de São Paulo, o Centro Empresarial abriga 60 escritórios de grupos como Procter & Gamble, AmBev e American Express. Tem índice de ocupação de 90%. O negócio foi fechado pela holding de Quércia, a Sol Invest, que faturou R$ 50 milhões era 2001. A empresa venceu concorrência aberta em maio pelo grupo Bunge. "Entre os interessados estavam multinacionais", disse Quércia. "De certa forma, nos surpreendemos ao vencer a disputa." A compra foi financiada pelo BCN. QUÉRCIA COMPRA PARTICIPAÇÃO NO CENTRO EMPRESARIAL DE SP Ex-governador fica também com a administração do empreendimento O ex-governador de São Paulo Oestes Quércia acertou a compra da administradora e de 29,3% do Centro Empresarial de São Paulo, o maior complexo paulista de escritórios distribuídos em seis blocos. Quércia desembolsou R$ 58,1 milhões para adquirir do grupo Bunge - maior processador mundial de oleaginosas e principal produtor de fertilizantes da America do Sul - a empresa Panamby. Além de gerenciar o complexo, a Panamby é a maior proprietária isolada das áreas locáveis. O restante está nas mãos de 11 fundos de pensão (45,6%), Fapesp (3%), Fundação Bunge (2,9%) e outras empresas donas de escritórios, como Mercedes-Benz, Rhodia e a seguradora Vera Cruz. LANCE VENCEDOR O negócio começou em maio, quando Quércia, por meio de sua holding Sol Invest, participou de uma concorrência aborta pela Bunge. "Entre os interessados, estavam algumas multinacionais. De certa forma, nos surpreendemos ao vencer essa disputa", diz Quércia. "O empreendimento estava à venda desde o ano passado, quando fizeram uma oferta maior." Os recursos utilizados na compra do complexo foram financiados pelo BCN. "A Sol Invest possui recebíveis que coincidem com os vencimentos do empréstimo". Nessa conta, está incluído o dinheiro resultante da venda do Diário Popular para as Organizações Globo, ocorrida no início do ano. Num primeiro momento, Quércia dará seqüência à administração diária feita pela Panamby, que continuará a cargo da mesma empresa terceirizada contratada pela Bunge, a Centro Assessoria Empresarial. Localizado na marginal do rio Pinheiros, zona Sul de São Paulo, em terreno de 233,4 mil m e com área construída de 409,2 mil m, o Centro Empresarial abriga 60 escritórios de grandes grupos, como Procter & Gamble, AmBev e American Express. Possui, também, 120 lojas e mais 60 pequenos escritórios de empresas que prestam serviços para as maiores lá instaladas. Sérgio Garufi, diretor da Centro Assessoria Empresarial, afirma que a taxa de ocupação do complexo está em 90%. "O percentual é superior se comparado ao de outros prédios localizados nas proximidades, que é de 80%", diz. O orçamento anual da administração do condomínio é de R$ 26 milhões, sem contar com a infra-estrutura de telecomunicações, de R$ 14 milhões. O dinheiro é entregue pelos donos dos espaços. A ocupação isolada da área adquirida por Quércia é maior, de 97%. Somando os aluguéis e o pagamento pela administração do condomínio, a empresa adquirida pela Sol Invest prevê para 2002 receita de R$ 19 milhões. Tão logo tome conhecimento de todo o negócio, o ex-governador pretende dar continuidade aos planos de expansão já estudados pela Panamby. O primeiro está na retomada das reformas do centro de convenções do local. Desativado há dois anos, possui três mil metros de área construída. Um outro projeto é a construção de um hotel na área. "Temos reserva de espaço", ressalta Quércia. VÁRIOS INTERESSES Com a aquisição, a holding empresarial de Quércia, que faturou R$ 50 milhões em 2001, torna-se ainda mais segmentada. Fundada há 24 anos, a Sol Invest construiu e administra quatro shopping centers no interior paulista. Quércia também é dono do Hotel Jaraguá, localizado no centro de São Paulo. No ano passado, deu início à recuperação do prédio. Formou uma parceria com a rede de hospedagem britânica Six Continents para reformar o hotel e transformá-lo num pólo de negócios, com 415 apartamentos, centro de convenções, teatro, escritórios e restaurantes. O ex-governador também é dono da TV Brasil, repetidora do SBT em Santos (SP) e Campinas (SP), das rádios Nova Brasil FM, Manchete e Rede Central AM, das cidades de São Paulo, Campinas (SP), Rio de Janeiro, Salvador, Recife e Brasília, e do jornal eletrônico PANORAMA BRASIL. Sua mais recente aquisição na área jornalística foi o título do DCI, jornal diário paulista de economia e serviços que voltou a circular este ano. Quércia é, ainda, fazendeiro. Possui, no norte de São Paulo, uma plantação de dois mil hectares de café, com colheita anual de cerca de 25 mil sacas/ano.