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Quem veio depois vai partir do zero

Publicado em 19 abril 2011

O sócio da área científica da Biolab, Dante Alário Júnior, aposta em projetos com pesquisadores das universidades para aumentar o portfólio da empresa. Parceria recente com a Fapesp demonstrou que o interesse é enorme. E que este pode ser o caminho para a inovação na indústria de medicamentos.

Por que a Biolab sai na frente na corrida por inovação da indústria farmacêutica?

Porque começamos antes e esse é um processo que leva tempo. Quem chegou depois tem que começar do zero e o ciclo de desenvolvimento de um produto costuma levar entre dez e quinze anos. Enquanto a indústria farmacêutica de um modo geral optou por um caminho mais imediatista, nós pensamos em uma estratégia diferente, mesmo quando não existia ainda a lei de patentes. Nunca nos interessamos em fazer genéricos, por exemplo. Esta não é a nossa meta. Em vez disso, criamos uma estrutura para desenvolver novos produtos, realizar ensaios, fazer controle de qualidade e testes para adaptação de moléculas. Isso mesmo sabendo que o Brasil não tinha, e mesmo agora ainda não tem, uma história de pesquisa e inovação. Tivemos que buscar lá fora, fazendo parceria com pequenas empresas multinacionais porque as grandes não precisam de nós.

Quando vocês iniciaram não foi ainda mais difícil?

Nós demos muitas cabeçada, apanhamos porque também não tínhamos estrutura, o país não tinha gente, tudo precisava ser feito lá fora. Não fomos à falência mas apanhamos. Éramos muito metidos, queríamos obter uma nova molécula logo de cara.

Hoje aprendemos a dar um passo de cada vez.

Em que tipo de projetos há interesse?

Todos, desde que tenha inovação! Até porque somos uma empresa jovem, nós queremos nos apropriar de oportunidades de negócios, seja nas áreas que já atuamos, como oncologia, dermatologia, ginecologia e até cosméticos com aplicações médicas.

Sabemos que o investimento em pesquisa demora a dar dividendos e estamos prontos para esperar.

A universidade está mais aberta para trabalhar com a iniciativa privada?

Por que essa expectativa quanto a parceria coma Fapesp?

Eu acho que é difícil que a universidade tenha visão empresarial. Ela tem a obrigação de formar gente com qualidade e fazer pesquisa, não necessariamente de valor comercial. A função da indústria é aproveitar esse conhecimento e transformar em produtos. Nós tínhamos uma experiência anterior que não foi boa. Há alguns anos, fizemos uma chamada de pesquisa por meio do Consórcio de Indústrias Farmacêuticas (Coinfar), aberta para o Brasil todo. Chegaram 70 projetos. Quando fomos analisar, sobrou um ? que não era viável. Mas o Brasil mudou e a visibilidade da Fapesp é muito maior. Antes de terminar o prazo da chamada, o interesse despertado já é enorme, inclusive de áreas diversas e até mesmo com a oferta de novas plataformas tecnológicas, o que também nos interessa. Tenho a expectativa de obtermos pelos menos três a cinco bons projetos no final do processo. ■ M.F.

Parceria com a Fapesp deve resultar em três a cinco projetos, espera executivo da Biolab.


FONTE: BRASIL ECONÔMICO