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Quem é a brasileira na turma de Peter Ratcliffe, vencedor do Nobel de Medicina

Publicado em 16 outubro 2019

Por Johanns Eller

No último dia 7 de outubro, o médico e pesquisador inglês Peter Ratcliffe estava com seus alunos no laboratório da Universidade Oxford quando foi interrompido por sua secretária.

Ela mencionou que era uma “ligação importante”. Ao atender o telefone, Ratcliffe soube que havia sido escolhido como um dos três vencedores do Prêmio Nobel de Medicina.

Ele voltou à sala sem mencionar a novidade, terminou a reunião e, finalmente, revelou a notícia à turma. A brasileira Joanna Darck Carola Correia Lima presenciou a cena.

Aluna de doutorado da USP, ela recebeu uma bolsa para estudar por um ano na Universidade de Oxford, no Reino Unido. Chegou em dezembro de 2018 e passou a ter Ratcliffe como orientador.

Após o anúncio do prêmio, Joanna se juntou aos colegas de turma na comemoração - repleta de selfies - ao lado do acadêmico inglês.

Ratcliffe dividiu o Nobel com outros dois pesquisadores, William G. Kaelin e Gregg Semenza. A pesquisa conduzida pelo trio levou à descoberta da adaptação das células humanas à disponibilidade de oxigênio.

Como você chegou ao laboratório de Ratcliffe?

Faço doutorado na USP, com a professora Marilia Seelaender, no Instituto de Ciências Biomédicas. Sou financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e podemos aplicar para uma bolsa de estudos de um ano no exterior. No projeto com a professora Marilia, nós estudamos a caquexia (que leva pacientes de câncer a perder muita gordura e massa muscular), e fizemos a análise proteômica dos tumores desses pacientes em larga escala. Uma das funções que encontramos alterada era a hipóxia (falta de oxigênio).

Que é um dos pontos centrais do estudo que levou ao Nobel...

Dentro dessa função, cogitamos estudar um pouco mais sobre isso, tendo em vista que não é o foco do nosso laboratório no Brasil, que é inflamação, tecido adiposo, fibrose. Chegamos à decisão de enviar um e-mail para o professor Peter Ratcliffe, tendo em vista que o laboratório dele é voltado para esse tema, e aplicamos a Fapesp. Aplicamos e ganhamos.

Como foi a convivência com Ratcliffe nos últimos dez meses?

É um profissional humilde, uma mente incansável. Temos discussões semanais no laboratório e, embora seja gigante, é um professor que sabe o nome de todas as pessoas, sabe em que cada um está trabalhando. Deu para perceber isso no primeiro contato, por e-mail, quando ele se mostrou muito acessível. Ele não tinha ganho um prêmio Nobel ainda, mas tinha um cargo alto e muitos prêmios importantes. Tanto que, quando recebemos a notícia, estávamos na nossa discussão semanal.

Vocês testemunharam o momento histórico?

A secretária dele entrou na sala e falou "professor, você precisa vir agora porque é uma ligação importante". Ele saiu, voltou e não comentou nada com ninguém. Ele não quis quebrar a discussão científica. No final de tudo, ele anunciou. Depois, foi apenas comemoração.