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Queima da cana-de-açúcar pode aumentar número de internações por doenças respiratórias

Publicado em 30 outubro 2007

Da saúde humana ao meio ambiente, a queima da cana-de-açúcar realizada durante a colheita gera uma série de problemas. Duas pesquisas feitas no Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Araraquara, relacionaram a queima a problemas respiratórios e quantificaram as emissões de compostos de nitrogênio na atmosfera.

O químico Willian Cesar Paterlini, da Unesp, defendeu em sua tese de doutorado a influência das partículas emitidas pela queima da cana-de-açúcar no aumento dos casos de asma e hipertensão na cidade de Araraquara, região central do estado de São Paulo.

Segundo ele, ao mensurar as emissões das queimadas e sobrepô-las aos números de internações por problemas respiratórios, fornecidos pelo Ministério da Saúde, foi possível estimar uma relação de causa e efeito, principalmente no caso da hipertensão.

"Em nossas medições, quando houve picos nas emissões de partículas, três dias depois aumentavam também os números de internações por doenças respiratórias", disse à Agência FAPESP durante o Congresso Brasileiro de Geoquímica, realizado na semana passada em Atibaia (SP).

A equipe da Unesp mediu as partículas no período de junho de 2003 a maio de 2004, durante a queima da cana, que ocorre no período seco, e, quando não ocorre a queima, durante a estação chuvosa. Foram considerados três tamanhos de partículas, sendo que as menores são as que mais causam problemas à saúde, devido à facilidade de entrar nas correntes respiratória e sanguínea.