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Queima da cana-de-açúcar em SP registra queda de 5%

Publicado em 30 maio 2008

São Paulo registrou redução de 5% de área queimada na colheita da cana-de-açúcar na safra 2008 em relação ao ano anterior. Esse índice representa 108 mil hectares a menos de cana queimada em comparação com 2007, o que se traduz em ganho ambiental. No total, a colheita sem o uso do fogo ocorreu em 656 mil hectares. As informações obtidas por satélite indicam ainda crescimento de 520 mil hectares de área cultivada do produto e avanço na mecanização dos canaviais.

Os dados resultam de técnicas de sensoriamento remoto e geoprocessamento, que mapeiam a área cultivada e fornecem informações sobre a distribuição espacial da cultura de cana-de-açúcar. Os levantamentos foram coletados por imagens de satélite obtidas pelo Projeto Canasat, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Pelas imagens é possível saber se a colheita é feita com ou sem o uso do fogo. "Nas áreas onde a queimada é realizada ficam resíduos de fuligem no solo e as fotos ficam escuras, ao contrário do que ocorre onde a colheita é totalmente mecanizada, que apresenta fotos claras", constata Bernardo Rudorff, pesquisador do Inpe. Menos poluição — Evitar a queima da cana-de-açúcar significa reduzir a emissão de poluentes. Segundo a Secretaria de Meio Ambiente, a redução da área de queima evitou a emissão de 3,9 mil toneladas de material particulado, equivalente a 28% da emissão de partículas geradas pela combustão de óleo diesel por veículos na região da Grande São Paulo em 2006.

Fundamental para formular políticas públicas na área, as informações espaciais sobre a cana são usadas para a previsão e a estimativa da área cultivada. O próximo desafio do Canasat é utilizar as imagens para aferir a produtividade e mostrar como se dá o avanço da cultura. "À medida que o projeto evolui, temos cada vez mais dados e podemos agregar outras classes de informações. Logo poderemos saber se o plantio da cana passou a ocupar áreas de outras culturas ou atividades econômicas", prevê Daniel Alves de Aguiar, que desenvolveu o método para a avaliação da área de cana colhida sem queima em seu curso de mestrado no Inpe.

Segundo o Inpe, os dados serviram de base para o Protocolo Agroambiental assinado recentemente pela Organização de Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (Orplana), pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar de São Paulo (Unica) e pela Secretaria de Meio Ambiente. O documento estabelece prazos para o fim das queimadas nos canaviais em São Paulo e estipula ações de sustentabilidade ambiental.

Além de São Paulo, o satélite monitora Paraná, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O projeto foi criado em 2003, em parceria entre Inpe, Unica, Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) e Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP).

As informações estão disponíveis na Internet por meio de mapas temáticos com a distribuição espacial da cana e da localização de usinas e destilarias. Outras informações no site www.dsr.inpe.br/canasat.

Da Fapesp