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Plantão News (MT)

Queen Elizabeth Prize for Engineering destaca invenção de sensores de imagem digital

Publicado em 09 fevereiro 2017

Quatro engenheiros, responsáveis pelo desenvolvimento de tecnologias de sensores de imagem digital, foram contemplados com o Queen Elizabeth Prize for Engineering, láurea conferida a cada dois anos, que destaca inovações radicais na área de Engenharia e confere aos premiados 1 milhão de libras. O prêmio foi anunciado em 1º de fevereiro, em Londres.

Os norte-americanos Eric Fossum e George Smith, o japonês Nobukazu Teranishi e o inglês Michael Tompsett revolucionaram a maneira de “capturar” e analisar informações visuais com três inovações desenvolvidas ao longo de 30 anos: o dispositivo de acoplamento de carga (charge-coupled device - CCD), o pinned photodiode (PPD) e sensores de imagem CMOS (complementary metal oxide semiconductor). Combinadas, essas tecnologias transformaram a comunicação pessoal, as ciências, o tratamento médico e o mercado de entretenimento, de acordo com informações da Assessoria de Comunicação do Queen Elizabeth Prize for Engineering.

Sensores de imagem digital possibilitaram, por exemplo, a inserção de câmeras minúsculas em dispositivos portáteis e permitiram o compartilhamento de 3 bilhões de imagens por dia em todo o mundo, o upload de fotos e vídeos em mídias sociais, ou ainda o reconhecimento biométrico de impressões digitais em smartphones e tablets, entre outros benefícios.

Também habilitaram o uso de imagens a cores em alta velocidade e baixo custo, com resolução superior à do olho humano, permitindo enxergar detalhes de estruturas celulares, de estrelas e galáxias a bilhões de anos-luz da Terra, e até perscrutar o interior do corpo humano.

Lord Browne of Madingley, presidente da Fundação Queen Elizabeth Prize for Engineering, afirmou que os quatro engenheiros “revolucionaram a maneira como capturamos e analisamos informações visuais”. E acrescentou: “Ao homenageá-los esperamos inspirar a próxima geração de engenheiros a continuar a expandir as fronteiras do possível”.

Os quatro premiados foram escolhidos por um júri formado por cientistas e engenheiros de destaque em todo o mundo, presidido por Sir Christopher Snowden, vice-chanceler da University of Southampton. “Escolhemos essa inovação porque ela resume o que o prêmio representa. Em todo o mundo, especialmente os jovens compreendem a importância da imagem”, afirmou.

“Celebrando as mais inovadoras realizações da engenharia o prêmio destaca realizações com enorme impacto intelectual e, ao mesmo tempo, social e econômico. Neste ciclo a premiação acabou por destacar também a importância da colaboração em pesquisa para a excelência em engenharia” destacou o diretor científico da FAPESP, Carlos Henrique Brito Cruz, que integrou o júri.

De volts a bits

A revolução da imagem começou na década de 1970 com o desenvolvimento do CCD por George Smith e Willard Boyle – canadense morto em 2011 –, no Bell Laboratories, o que lhes valeu o Nobel de Física em 2009. O CCD é o sensor de imagem encontrado nas primeiras câmeras digitais, que converte fótons em sinal elétrico.

Nos anos 1980, a tecnologia – concebida originalmente para a memória do computador – foi aperfeiçoada por Michael Tompsett, diretor da TheraManager, que inventou o circuito semicondutor de imagens e um conversor analógico-digital que conferiu ao sinal elétrico um formato digital binário, de volts para bits, que permite o armazenamento da imagem como um dado digital.

Na década seguinte, Nobukazu Teranishi, na NEC Corporation, inventou o PPD, que permitiu reduzir o tamanho do pixel e melhorar significativamente o tamanho da imagem. O sensor CMOS, concebido por Eric Fossum, em 1992, então na Nasa, resultou na fabricação de câmeras menores, mais baratas e com menor consumo de energia.

Também integraram o júri Frances Arnold, professora de Engenharia Química, Bioengenharia e Bioquímica do California Institute of Technology (Caltech); Jena-Lou Chameau, presidente do Caltech; Brian Cox, da Royal Society University Research Fellow e professor na University of Manchester; Lynn Gladden, pró-reitor de Pesquisa da Cambridge University; John Hennessy, presidente da Stanford University, Califórnia; Reinhard Huettl, diretor executivo e chairman do Helmholtz Centre Potsdam – GFZ German Research Centre for Geosciences e presidente da German National Academy of Science and Engineering; Calestous Juma, professor na Harvard´s Kennedy School; Hiroshi Komiyama, chairman do Institute of Mitsubishi Research Institute e ex-presidente da University of Tokyo; Dan Mote, do National Research Council Governing Board; Narayana Murthy, fundador e chairman da Infosys, na Índia; Choon Fong Shih, professor e ex-presidente da National University of Singapore; Viola Vogel, chefe do Laboratório de Mecanobiologia Aplicada da ETH Zurich, na Suíça; e Paul Westbury, diretor da Laing O’Rourke, empresa de engenharia do Reino Unido.

Agência Fapesp